Salim Valá Anuncia Revisão em Baixa Das Previsões de PIB

Salim Valá Anuncia Revisão em Baixa Das Previsões de PIB

advertisemen tO Governo reviu em baixa as previsões de crescimento económico para os próximos dois anos, apontando agora para 1,9% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e 2,8% em 2026, abaixo das estimativas anteriores. O anúncio foi feito pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a “Visão M – Conferência Económica do Millennium bim”, realizada esta quinta-feira (27) em Maputo, no contexto das celebrações dos 30 anos de actividade da instituição bancária. Valá explicou que a revisão das projecções de crescimento está ligada a uma série de desafios estruturais que continuam a afectar a economia moçambicana, entre os quais se destacam a volatilidade internacional, os choques climáticos e as consequências das recentes crises políticas e sociais. “O crescimento económico de Moçambique tem sido impulsionado pela agricultura, pelos serviços, pelo comércio, pela energia, por alguns projectos de mineração e hidrocarbonetos, além de um processo gradual de recuperação pós-pandemia. No entanto, esse crescimento ainda está longe de gerar os impactos desejados sobre a pobreza, o emprego e o bem-estar das famílias moçambicanas”, destacou o ministro.advertisement O Governo tinha inicialmente projectado um crescimento do PIB de 2,9% para 2025 e 3,2% para 2026, mas os dados mais recentes indicam um abrandamento significativo. Valá sublinhou que, para o final de 2025, espera-se que a economia nacional atinja 1,6%, muito abaixo das previsões anteriores. Para 2026, a projecção de crescimento foi reduzida para 2,8%, uma revisão que, segundo o ministro, reflecte a necessidade de ajustar as expectativas às circunstâncias globais e nacionais actuais. O ministro fez ainda referência ao desempenho económico mais recente de Moçambique, destacando uma contracção do PIB de 5,7% no quarto trimestre de 2024, num cenário político tenso e de contestação pós-eleitoral. Além disso, o primeiro semestre de 2025 também registou uma contracção de 2,4%, embora o Governo estime que a economia recupere nos últimos dois trimestres, com um crescimento projectado de 2,1% no terceiro trimestre e 3,4% no quarto. Salim Valá também sublinhou que Moçambique continua a enfrentar vulnerabilidades económicas significativas, como a dependência de matérias-primas e os impactos de choques climáticos. “A balança comercial do País continua fortemente marcada pelas exportações de carvão, alumínio, gás e energia, mas começam a surgir sinais de diversificação, ainda tímidos, nas áreas da agro-indústria, serviços logísticos e iniciativas ligadas à economia azul”, disse. O ministro destacou que, apesar de uma gestão prudente das reservas internacionais e da relativa resiliência do metical, o País enfrenta pressões fiscais elevadas e um espaço orçamental limitado, com grandes necessidades sociais. Além disso, apontou que a economia continua exposta a desafios externos, como as oscilações dos preços internacionais de combustíveis, fertilizantes e alimentos. O Governo tinha inicialmente projectado um crescimento do PIB de 2,9% para 2025 e 3,2% para 2026 “Além dos problemas relacionados com o endividamento e a oferta limitada de moeda externa, a nossa economia enfrenta vulnerabilidades estruturais que não estão apenas nas contas nacionais, mas em cada comunidade”, afirmou Valá, referindo-se à combinação de baixa produtividade, elevado nível de informalidade e desigualdades territoriais como os principais obstáculos ao crescimento sustentado. O ministro enfatizou que o Governo continuará a trabalhar para reforçar a disciplina fiscal e melhorar as infra-estruturas, essenciais para impulsionar a produtividade e reduzir as desigualdades. Sobre o evento A “Visão M – Conferência Económica do Millennium bim” celebrou os 30 anos de actividade do banco, reunindo decisores públicos e privados para discutir o futuro económico do País. O evento contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, líderes de instituições bancárias e representantes internacionais, reafirmando a centralidade do Millennium bim no sistema financeiro moçambicano. O encontro abordou temas como diversificação económica, inclusão financeira e transformação digital, destacando a importância da colaboração entre a banca tradicional, as fintechs e o Governo para modernizar os serviços financeiros e estimular o desenvolvimento sustentável de Moçambique. O Millennium bim, maioritariamente controlado pelo BCP África (66,69%), registou uma queda de 48,3% nos lucros no primeiro semestre de 2025, caindo de 3,2 mil milhões de meticais (49,5 milhões de dólares) em 2024, para 1,7 mil milhões de meticais (25,6 milhões de dólares). Apesar da redução, o banco continua a desempenhar um papel fundamental no sector financeiro moçambicano. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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