UNICEF Vai Ajudar à Desocupação Das Escolas Usadas Como

UNICEF Vai Ajudar à Desocupação Das Escolas Usadas Como

advertisemen tO Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) comunicou que está a auxiliar na desocupação das escolas usadas como centros de acomodação durante as cheias de Janeiro que afectaram as regiões sul e centro de Moçambique e causaram morte e destruição de infra-estruturas públicas e privadas. Com o arranque do ano lectivo de 2026 previsto para finais de Fevereiro, a ajuda visa garantir a continuidade da aprendizagem e minimizar a interrupção da educação das crianças nas áreas abrangidas pelas cheias, acrescentando que as acções decorrem em estreita colaboração com os demais parceiros e o Ministério da Educação e Cultura. “Para assegurar um ambiente seguro, protector e favorável, estão a ser implementadas actividades de aprendizagem e recreação nos centros de acomodação, para manter as crianças empenhadas e apoiar a sua integração ou reintegração no ensino formal”, avançou a entidade por meio de uma nota citada pela Lusa. A agência das Nações Unidas destacou que está também a coordenar com as autoridades governamentais e outros parceiros, para garantir que as escolas actualmente usadas como centros de acomodação sejam desocupadas antes do início do ano lectivo, além de prestar apoio às autoridades provinciais para limpeza e desinfecção das mesmas. “Fundos já foram desembolsados ​​nas províncias de Gaza, Sofala e Manica e os conselhos escolares e jovens das comunidades afectadas estão a ser mobilizados. Mais de 100 escolas, com cerca de 100 mil pessoas, chegaram a estar em funcionamento em Janeiro, adiando por um mês o arranque das aulas”, enfatizou. A UNICEF adiantou que estão a ser organizadas aulas de recuperação e reforço para as crianças e estão em preparação acções para a fase de recuperação, incluindo a reabilitação resiliente de salas de aula e formação de professores em saúde mental e apoio psicossocial. Contudo, a instituição enfatizou que, apesar destes esforços, a escala e a abrangência geográfica das cheias têm exercido uma pressão significativa sobre a resposta educativa, sendo o financiamento adicional e atempado “urgente e necessário” para manter as intervenções em curso e evitar perdas prolongadas de aprendizagem para milhares de crianças. Na semana passada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância anunciou que necessita de 34 milhões de dólares para responder à crise humanitária provocada pelas cheias que afectam várias províncias de Moçambique desde o início do ano. O montante visa assegurar assistência às populações deslocadas ao longo dos próximos seis meses, abrangendo as províncias de Gaza, Maputo e parte de Sofala, segundo revelou Cláudio Julaia, especialista de emergência da organização no País. A UNICEF está a formar animadores comunitários para garantir apoio psicossocial para às crianças vítimas das cheias Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves. A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência. Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul. Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais. No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement

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