{"id":10234,"date":"2025-12-16T16:05:52","date_gmt":"2025-12-16T16:05:52","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/saudades-expectativas-e-algum-ceticismo-no-arranque-do-metrobus-na-lousautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-12-16T16:05:52","modified_gmt":"2025-12-16T16:05:52","slug":"saudades-expectativas-e-algum-ceticismo-no-arranque-do-metrobus-na-lousautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/saudades-expectativas-e-algum-ceticismo-no-arranque-do-metrobus-na-lousautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Saudades, expectativas e algum ceticismo no arranque do"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/46213244.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjoyNTYyLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNDQxLCJjcm9wWCI6LTEsImNyb3BZIjo3Nn0sInBvcnRyYWl0Ijp7ImNyb3BXaWR0aCI6OTYwLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNzA3LCJjcm9wWCI6NjU4LCJjcm9wWSI6MH19\" \/><\/p>\n<p>                                                    Carina Vaz, de 30 anos, est\u00e1 habituada a fazer o percurso at\u00e9 Coimbra desde que entrou no secund\u00e1rio. Na altura, o ramal ferrovi\u00e1rio tinha acabado de encerrar para dar lugar a um projeto de metro de ligeiro de superf\u00edcie que acabou interrompido, sendo retomado anos mais tarde como &#8216;metrobus&#8217; &#8212; autocarros el\u00e9tricos a circular em via dedicada. Depois de muitos anos de espera e expectativa, Carina apanhou hoje o autocarro do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) na esta\u00e7\u00e3o da Lous\u00e3, j\u00e1 n\u00e3o para ir estudar para Coimbra, mas para trabalhar. &#8220;Esperava que fosse mais r\u00e1pido e j\u00e1 anda atrasado&#8221;, lamentou a habitante da Lous\u00e3, que contabilizava j\u00e1 mais de 13 minutos de atraso do autocarro que deveria ter sa\u00eddo \u00e0s 07:38 daquela paragem. No telem\u00f3vel, acabava tamb\u00e9m de receber o relato de uma amiga, que contava que o &#8216;metrobus&#8217; em que seguia estava t\u00e3o cheio que j\u00e1 n\u00e3o deixava entrar mais ningu\u00e9m nas esta\u00e7\u00f5es por onde passava. Apesar disso e apesar de a viagem demorar quase uma hora (sensivelmente o mesmo tempo da automotora), Carina Vaz conta agora ser utente regular do sistema, que assegura mais frequ\u00eancia e melhores hor\u00e1rios que os servi\u00e7os rodovi\u00e1rios alternativos que foi usando ao longo destes 16 anos. &#8220;Espero que seja bom e que se alargue a mais concelhos&#8221;, disse, com expectativa que, no futuro, os atrasos deixem de existir. J\u00e1 Liliana Francisco, de 43 anos, ainda guarda algum ceticismo face ao novo sistema, que a deixou logo pouco impressionada face ao atraso registado no primeiro dia. A habitante da Lous\u00e3 queixa-se ainda da diferen\u00e7a de tratamento face \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Coimbra, que andou de gra\u00e7a durante tr\u00eas meses na opera\u00e7\u00e3o preliminar urbana, quando no caso de Miranda do Corvo e Lous\u00e3, ter\u00e3o apenas direito a meio m\u00eas de opera\u00e7\u00e3o gratuita. &#8220;Fomos os mais afetados e come\u00e7amos logo a pagar em janeiro. Acho injusto&#8221;, criticou Liliana, pouco antes de o &#8216;metrobus&#8217; chegar, fazendo toda a viagem at\u00e9 Coimbra pr\u00f3ximo da sua capacidade m\u00e1xima. Dentro do autocarro el\u00e9trico articulado, Rafael Lopes, sentado numa das cadeiras mais pr\u00f3ximas do condutor, procurava tirar proveito de uma viagem que era, para si, emotiva. S\u00e3o v\u00e1rios os momentos da sua vida que se relacionam com o antigo ramal ferrovi\u00e1rio, mas tamb\u00e9m com o novo sistema que trocou os carris pelo asfalto. No telem\u00f3vel, guarda uma fotografia de ainda garoto &#8216;a ajudar&#8217; a construir o apeadeiro de Lobazes. Mais tarde usou a automotora para ir para a escola e, j\u00e1 na vida adulta, trabalhou na Efacec, assegurando a manuten\u00e7\u00e3o das passagens de n\u00edvel do ramal da Lous\u00e3. Com o fim do ramal, perdeu esse emprego. &#8220;Senti diretamente o fim do ramal&#8221;, disse \u00e0 Lusa o homem de 47 anos que, face &#8220;\u00e0s voltas estranhas&#8221; que a vida d\u00e1, trabalha hoje numa outra empresa que est\u00e1 a assegurar a sinaliza\u00e7\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o urbana do SMM. Sabendo que hoje arrancava a opera\u00e7\u00e3o no ramal onde j\u00e1 trabalhou, decidiu acordar cedo e experimentar o percurso. &#8220;Quando entrei, veio aquela l\u00e1grima da emo\u00e7\u00e3o&#8221;, contou Rafael Lopes, que lamenta o tempo que demorou a que o SMM se tornasse realidade: &#8220;Muita gente sofreu com isto e, alguns, nem est\u00e3o agora vivos para ver isto a funcionar&#8221;. Ao seu lado, na viagem, seguia Guilhermina Santana, de 65 anos, que assim que se sentou, lan\u00e7ou um desabafo: &#8220;Ai, que saudades da automotora&#8221;. Habituada a usar o ramal desde anos 80 para trabalhar em Coimbra, ir\u00e1 agora passar a usar o SMM, depois de ter usado os servi\u00e7os rodovi\u00e1rios alternativos. Apesar de ter entrado nost\u00e1lgica naquela viagem, na paragem final, na Portagem (Coimbra) admitia que as saudades, afinal, ficariam para tr\u00e1s. &#8220;\u00c9 mais confort\u00e1vel e tem mais hor\u00e1rios. J\u00e1 n\u00e3o vou ter saudades&#8221;, disse Guilhermina, enquanto se despedia da Lusa e seguia para o seu trabalho. Leia Tamb\u00e9m: &#8216;Metrobus&#8217; Coimbra-Lous\u00e3 arranca hoje, 15 anos ap\u00f3s fim da linha ferrovi\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carina Vaz, de 30 anos, est\u00e1 habituada a fazer o percurso at\u00e9 Coimbra desde que entrou no secund\u00e1rio. 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