{"id":11847,"date":"2026-01-14T11:01:17","date_gmt":"2026-01-14T11:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/nao-e-so-secar-janeiro-a-moderacao-deve-refrescar-o-ano-inteiroutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-01-14T11:01:17","modified_gmt":"2026-01-14T11:01:17","slug":"nao-e-so-secar-janeiro-a-moderacao-deve-refrescar-o-ano-inteiroutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/nao-e-so-secar-janeiro-a-moderacao-deve-refrescar-o-ano-inteiroutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 &#8220;secar janeiro&#8221;: A modera\u00e7\u00e3o deve refrescar o ano"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_6967762fe3119.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjo3NDcsImNyb3BIZWlnaHQiOjQyMCwiY3JvcFgiOjI4LCJjcm9wWSI6NzB9LCJzdGFtcCI6eyJjYXRlZ29yeSI6Im1pc2MiLCJsYWJlbCI6ImFydGlnb19kZV9vcGluaWFvIiwiY29sb3IiOiJicmFuY28iLCJwb3NpdGlvbiI6ImJvdHRvbS1yaWdodCJ9fQ==\" \/><\/p>\n<p>                                                    &#8220;Janeiro chega todos os anos carregado de boas inten\u00e7\u00f5es: agendas limpas, promessas frescas e o j\u00e1 famoso em Portugal Dry January, um reset simb\u00f3lico depois dos excessos do ano anterior. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima, mas, acima de tudo, esta nova \u201cmoda\u201d que surge no pa\u00eds leva tamb\u00e9m \u00e0 reflex\u00e3o. Um dos grandes problemas associados ao consumo de bebidas alco\u00f3licas n\u00e3o \u00e9 o consumo moderado e distribu\u00eddo ao longo do tempo, mas sim o binge drinking: per\u00edodos de abstin\u00eancia seguidos de consumos concentrados num curto esppa\u00e7o de tempo, muitas vezes associados a contextos de risco. Se todos os meses de janeiro erseguimos uma ideia quase ritualizada de pureza, importa garantir que n\u00e3o chegamos sedentos a dia 1 de fevereiro. No meio deste debate, muitas vezes carregado de extremos, h\u00e1 um setor que, curiosamente, tem estado \u00e0 frente da conversa h\u00e1 d\u00e9cadas: o setor cervejeiro \u2013 de uma forma geral \u2013 e a cria\u00e7\u00e3o da cerveja sem \u00e1lcool. A cerveja \u00e9 hoje a bebida alco\u00f3lica mais consumida no mundo e a terceira bebida mais consumida a n\u00edvel global, a seguir \u00e0 \u00e1gua e ao ch\u00e1. Estes n\u00fameros n\u00e3o resultam de um acaso nem de uma moda passageira. Resultam de muitos s\u00e9culos de presen\u00e7a cultural, social e gastron\u00f3mica, que fizeram da cerveja uma bebida milenar de conv\u00edvio, partilha e proximidade. A cerveja \u00e9 tamb\u00e9m, por natureza, uma bebida de baixo teor alco\u00f3lico quando comparada com outras bebidas do seu universo. Tamb\u00e9m, por isso, o setor cervejeiro tem uma rela\u00e7\u00e3o antiga e consistente com a ideia de modera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o a modera\u00e7\u00e3o epis\u00f3dica, concentrada num m\u00eas do calend\u00e1rio, mas a modera\u00e7\u00e3o como h\u00e1bito, de 1 de janeiro a 31 de dezembro. Sem cinismos \u2013 sim, produzimos cerveja &#8211; mas tamb\u00e9m sem ilus\u00f5es: a chave \u00e9 a modera\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste contexto que importa olhar para a inova\u00e7\u00e3o do setor cervejeiro com honestidade intelectual, pois fomos precursores da op\u00e7\u00e3o sem \u00e1lcool &#8211; arriscaria no mundo, mas certamente na Europa. Em Portugal, as primeiras cervejas deste perfil surgiram no in\u00edcio e ao longo da d\u00e9cada de 90, numa altura em que a tecnologia dispon\u00edvel ainda impunha limites claros ao sabor e \u00e0 experi\u00eancia, vendo esta bebida com olhos de copo meio vazio. Durante d\u00e9cadas, estas vers\u00f5es mantiveram pequenos vest\u00edgios de \u00e1lcool (0,5%), sobretudo para preservar perfil organol\u00e9ptico mas o salto verdadeiramente disruptivo acontece nos \u00faltimos 10 anos, com o desenvolvimento das cervejas 0.0%: sem \u00e1lcool, sem concess\u00f5es relevantes ao sabor e com uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica not\u00e1vel. Este n\u00e3o foi um movimento cosm\u00e9tico. Foi investimento s\u00e9rio em investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, em processos produtivos mais sofisticados e em novas t\u00e9cnicas de desalcooliza\u00e7\u00e3o. Importa tamb\u00e9m desmontar um mito recorrente: a ideia de que a cerveja 0.0% \u201cn\u00e3o \u00e9 cerveja\u201d. \u00c9 plenamente cerveja. A base e o processo s\u00e3o os mesmos: produz-se cerveja, com mat\u00e9rias-primas id\u00eanticas, predomin\u00e2ncia de cevada e contacto com a levedura. A diferen\u00e7a surge numa fase posterior, quando o \u00e1lcool \u00e9 totalmente removido. Este avan\u00e7o distingue-se das primeiras gera\u00e7\u00f5es de cervejas sem \u00e1lcool, em que a tecnologia dispon\u00edvel passava sobretudo pela interrup\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o. O salto conceptual e tecnol\u00f3gico que permitiu chegar \u00e0s gamas 0.0% foi decisivo, num compromisso claro com o consumidor. O resultado est\u00e1 \u00e0 vista: na Europa, a cerveja sem \u00e1lcool \u00e9 hoje a categoria com maior crescimento dentro do setor cervejeiro, tendo aumentado cerca de 25% nos \u00faltimos cinco anos e representando j\u00e1 cerca de 7,5% do total da cerveja consumida, o equivalente a uma em cada treze cervejas. Em Portugal, a cerveja sem \u00e1lcool registou crescimentos, em 2024, superiores a 8% tanto na produ\u00e7\u00e3o como no consumo. Este desempenho confirma que a cerveja sem \u00e1lcool n\u00e3o \u00e9 um gesto simb\u00f3lico, nem uma resposta conjuntural a modas de calend\u00e1rio. \u00c9 uma escolha crescente, integrada e consistente, que acompanha a evolu\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos dos consumidores e refor\u00e7a o papel do setor cervejeiro na promo\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de consumo mais equilibrados e oferta mais diversa. Como associa\u00e7\u00e3o, temos acompanhado com aten\u00e7\u00e3o um fen\u00f3meno que j\u00e1 conhec\u00edamos: ainda existe preconceito social em torno de quem pede uma bebida sem \u00e1lcool. Uma ideia errada de que o conv\u00edvio \u201cfunciona melhor\u201d quando todos bebem o mesmo, ou quando todos bebem bebidas alco\u00f3licas. A realidade mostra o contr\u00e1rio. Os momentos sociais s\u00e3o mais ricos quando s\u00e3o inclusivos, quando h\u00e1 pessoas do outro lado da mesa. Quando h\u00e1 escolha. Quando ningu\u00e9m tem de justificar o copo que tem na m\u00e3o. O Dry January pode ser, assim, menos um m\u00eas de proibi\u00e7\u00e3o e mais um m\u00eas de consci\u00eancia. Talvez o verdadeiro avan\u00e7o n\u00e3o esteja em beber menos ou mais, mas com responsabilidade. O ponto n\u00e3o \u00e9 \u201csecar\u201d janeiro, \u00e9 pautar todos os conv\u00edvios com modera\u00e7\u00e3o, menos l\u00f3gica de compensa\u00e7\u00e3o, mais escolhas que n\u00e3o dependem de autocontrolo heroico para serem consistentes. E, note-se: para o setor cervejeiro n\u00e3o h\u00e1 supersti\u00e7\u00f5es nem dogmas de copo na m\u00e3o. Um brinde erguido de uma bebida sem \u00e1lcool nunca foi, nem nunca ser\u00e1, um mau press\u00e1gio. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 sinal de encontro e de partilha. Porque o que verdadeiramente conta n\u00e3o \u00e9 o grau, mas o gesto.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Janeiro chega todos os anos carregado de boas inten\u00e7\u00f5es: agendas limpas, promessas frescas e o j\u00e1 famoso em Portugal Dry January, um reset simb\u00f3lico depois dos excessos do ano anterior. 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