{"id":12153,"date":"2026-01-17T10:34:37","date_gmt":"2026-01-17T10:34:37","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/crise-na-habitacao-leva-familias-a-dividir-casa-o-que-ganho-nao-chegautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-01-17T10:34:37","modified_gmt":"2026-01-17T10:34:37","slug":"crise-na-habitacao-leva-familias-a-dividir-casa-o-que-ganho-nao-chegautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/crise-na-habitacao-leva-familias-a-dividir-casa-o-que-ganho-nao-chegautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Crise na habita\u00e7\u00e3o leva fam\u00edlias a dividir casa. &#8220;O que"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_687b8c11d33d7.webp\" \/><\/p>\n<p>                                                    &#8220;Mesmo dividindo a casa com outras pessoas fico um pouco aflita (de dinheiro). Eu preferia ter uma casa minha com a minha fam\u00edlia por um pre\u00e7o menor porque este custa a pagar&#8221;, queixou-se Vit\u00f3ria Silva (nome fict\u00edcio) em conversa telef\u00f3nica com a Lusa. Cozinheira, de 46 anos, vive com o namorado, construtor civil, de 50 anos, e com a filha, de 14 anos, em Loures (distrito de Lisboa), mas para pagar a renda de 1.200 euros\/m\u00eas divide o espa\u00e7o com outra fam\u00edlia, h\u00e1 quase dois anos. Cada casal paga 600 euros e todos ganham o sal\u00e1rio m\u00ednimo (920 euros), exceto a m\u00e3e da outra fam\u00edlia, que recebe cerca de 300 euros por trabalhar em regime de ?part-time? e estar gr\u00e1vida, contou. A segunda fam\u00edlia tem ainda duas filhas, uma de 9 e outra de 11 anos. A sala de estar foi transformada num quarto para o casal \u00e0 espera de beb\u00e9, por ser a maior divis\u00e3o do T3. Segundo contou Vit\u00f3ria Silva, cada fam\u00edlia compra os seus bens essenciais, t\u00eam dois frigor\u00edficos, duas casas de banho e arranjam forma de dividir o espa\u00e7o. &#8220;\u00c0s vezes falta comida, produtos de higiene e como n\u00e3o temos m\u00e1quina de lavar roupa, usamos a banheira&#8221;, disse Vitoria. No Porto, Gabriela Gon\u00e7alves (nome fict\u00edcio), tamb\u00e9m cozinheira, de 43 anos, ganha cerca de 900 euros e dorme no mesmo quarto que as duas filhas de 16 anos. &#8220;Eu com esse sal\u00e1rio n\u00e3o consigo alugar uma casa maior. N\u00e3o tenho como, porque os pre\u00e7os est\u00e3o nos 800, 900 euros por a\u00ed em diante&#8221;, disse Gabriela Gon\u00e7alves, que vive num T1 desde 2021, ap\u00f3s sair da casa de familiares. Segundo Gabriela Gon\u00e7alves, o senhorio compreendeu a sua situa\u00e7\u00e3o e baixou o pre\u00e7o da renda dos 700 euros para 350 euros. Quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da habita\u00e7\u00e3o, &#8220;para tr\u00eas pessoas \u00e9 apertado, ainda por cima adolescentes que querem o seu espa\u00e7o&#8221;, reconheceu, indicando que as filhas dividem o quarto para estudar. &#8220;Uma j\u00e1 estudou e quer ir dormir, mas a luz tem de estar acesa para outra estudar&#8221;, contou Gabriela, dizendo que tamb\u00e9m est\u00e1 a tirar a licenciatura em Servi\u00e7o Social, algo que sempre quis fazer, mas ainda n\u00e3o conseguiu. Paga cerca de 300 euros de propina com ajuda de uma bolsa que ganhou. Casos como estes s\u00e3o conhecidos da coordenadora nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza (sigla em ingl\u00eas EAPN), Maria Vicente, que acompanha situa\u00e7\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. \u00c0 Lusa, relatou que existem muitos casos de fam\u00edlias monoparentais com dificuldades em suportar os custos com a habita\u00e7\u00e3o, e que enfrentam problemas relacionados com as condi\u00e7\u00f5es da casa, como a humidade, as infiltra\u00e7\u00f5es ou a falta de espa\u00e7o. Tamb\u00e9m o porta-voz do movimento Porta a Porta &#8212; Casa para Todos, Andr\u00e9 Escoval, disse que existem casos de seis fam\u00edlias a partilhar a mesma casa ou de trabalhadores que tiveram de arranjar um terceiro emprego, profissionais que compraram uma casa longe do local de trabalho ou pessoas que come\u00e7aram a viver com estranhos para conseguirem suportar os custos da habita\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de Carlos Nunes, de 63 anos, que vive em Set\u00fabal, num apartamento partilhado da Caritas Portuguesa com mais quatro desconhecidos. O morador disse \u00e0 Lusa que era dono de uma ag\u00eancia de viagens e foi obrigado a fechar a empresa em 2020 devido \u00e0 pandemia de Covid-19, que fez com que muitas pessoas deixassem de viajar, o que prejudicou o neg\u00f3cio e levou o empres\u00e1rio a ficar sem nada. Atualmente, Carlos Nunes \u00e9 seguran\u00e7a e para ganhar cerca de 900 euros por m\u00eas faz horas extra. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil arranjar uma casa com uma renda acess\u00edvel&#8221; porque os pre\u00e7os das casas na regi\u00e3o s\u00e3o superiores ao seu ordenado. &#8220;Aquilo que ganho n\u00e3o chega para nada&#8221;, disse Carlos Nunes em conversa telef\u00f3nica com a Lusa. As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 4,9% em dezembro de 2025 face ao mesmo m\u00eas de 2024 e registaram uma varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual de 5,3% no conjunto do ano passado, divulgou na ter\u00e7a-feira o Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE). Portugal registou a segunda maior subida hom\u00f3loga dos pre\u00e7os das casas, 17,7%, no terceiro trimestre de 2025, com a m\u00e9dia da zona euro nos 5,1% e a da Uni\u00e3o Europeia (UE) nos 5,5%, divulgou o Eurostat no dia 09 de janeiro. Leia Tamb\u00e9m: Arrendamento. Senhorio pode dar prefer\u00eancia a inquilino portugu\u00eas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Mesmo dividindo a casa com outras pessoas fico um pouco aflita (de dinheiro). Eu preferia ter uma casa minha com a minha fam\u00edlia por um pre\u00e7o menor porque este custa a pagar&#8221;, queixou-se Vit\u00f3ria Silva (nome fict\u00edcio) em conversa telef\u00f3nica com a Lusa. 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