{"id":12195,"date":"2026-01-17T18:23:28","date_gmt":"2026-01-17T18:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ue-mercosul-governo-fala-em-oportunidade-mas-produtores-pedem-cautelautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-01-17T18:23:28","modified_gmt":"2026-01-17T18:23:28","slug":"ue-mercosul-governo-fala-em-oportunidade-mas-produtores-pedem-cautelautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ue-mercosul-governo-fala-em-oportunidade-mas-produtores-pedem-cautelautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"UE-Mercosul divide opini\u00f5es: O que diz o Governo? E os"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_69219e3f60afc.webp\" \/><\/p>\n<p>                                                    O Conselho da Uni\u00e3o Europeia anunciou, em 09 de janeiro, a aprova\u00e7\u00e3o do acordo comercial com quatro pa\u00edses do Mercosul, que vai eliminar as tarifas sobre 91% das exporta\u00e7\u00f5es da UE ao longo de 15 anos, enquanto acabam, progressivamente, as tarifas sobre 92% das exporta\u00e7\u00f5es do Mercosul num per\u00edodo de at\u00e9 10 anos. Apesar de ter sido negociado ao longo de 25 anos, este acordo continua a dividir opini\u00f5es, nomeadamente em Portugal. O ministro da Agricultura e Mar, Jos\u00e9 Manuel Fernandes, afirmou que este acordo \u00e9 essencial para Portugal e que vai criar &#8220;grandes oportunidades&#8221; para produtos como vinho, azeite e queijo. Portugal ter\u00e1 agora a oportunidade de saldar um d\u00e9fice de 500 milh\u00f5es de euros na balan\u00e7a comercial em rela\u00e7\u00e3o ao Mercosul, defendeu o ministro, que acredita mesmo ser poss\u00edvel atingir um excedente, uma vez que o pa\u00eds tem &#8220;excelentes empresas&#8221;. No entanto, o antigo eurodeputado lembrou tamb\u00e9m que este acordo constitui um desafio e que Portugal tem de ser ainda mais proativo. Apesar das previs\u00f5es do Governo, a associa\u00e7\u00e3o Casa do Azeite j\u00e1 estimou um impacto &#8220;relativamente reduzido&#8221; neste setor, uma vez que, no ano passado, foram abolidas as taxas aduaneiras aplicadas a este produto pelo Brasil. A secret\u00e1ria-geral da Casa do Azeite, Mariana Matos, disse \u00e0 Lusa que o Brasil representa 99,9% das exporta\u00e7\u00f5es nacionais de azeite para o Mercosul. O que est\u00e1 em causa s\u00e3o cerca de 50.000 toneladas de azeite e 300 milh\u00f5es de euros anuais. As estimativas apontam para uma continuidade do crescimento das exporta\u00e7\u00f5es para o Brasil, &#8220;mas n\u00e3o necessariamente por causa do acordo&#8221;, precisou. A Confedera\u00e7\u00e3o dos Agricultores de Portugal (CAP) tamb\u00e9m destacou o impacto &#8220;particularmente relevante&#8221; para setores como o vinho, azeite e frutas e real\u00e7ou as garantias dadas pelas cl\u00e1usulas de salvaguarda em mat\u00e9ria de concorr\u00eancia. Entre as regras introduzidas pelo acordo, conforme apontou, est\u00e1 o cumprimento de normas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias da UE, mecanismos de controlo e rastreabilidade refor\u00e7ados, compromissos ambientais e a possibilidade da suspens\u00e3o de prefer\u00eancias comerciais em caso de cumprimento das regras acordadas. A CAP defendeu assim uma monitoriza\u00e7\u00e3o constante dos mercados e um controlo rigoroso da aplica\u00e7\u00e3o do acordo, que &#8220;garanta que os agricultores europeus n\u00e3o s\u00e3o prejudicados nos produtos que podem ser sens\u00edveis&#8221;. J\u00e1 as cooperativas agr\u00edcolas consideraram prematuro o otimismo do Governo e pediram mais investimento no setor agroalimentar. Para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Cooperativas Agr\u00edcolas e do Cr\u00e9dito Agr\u00edcola de Portugal (Confagri), apesar das oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o, o acordo pode apresentar m\u00faltiplas amea\u00e7as ao mercado interno, uma vez que, sem uma &#8220;rigorosa fiscaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, os agricultores n\u00e3o estar\u00e3o a competir em p\u00e9 de igualdade. Nesse sentido, a Confagri reclama mais investimento no setor agroalimentar, de modo a aumentar a competitividade. No mesmo sentido, a Associa\u00e7\u00e3o dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) defendeu as oportunidades introduzidas pelo acordo, mas pediu &#8220;cautelas urgentes&#8221; na defesa da agricultura. Os jovens agricultores assinalaram que os pa\u00edses do Mercosul t\u00eam um custo de m\u00e3o-de-obra muito inferior e que a utiliza\u00e7\u00e3o de alguns produtos fitofarmac\u00eauticos e veterin\u00e1rios coloca entraves \u00e0s exig\u00eancias da UE. J\u00e1 para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA) esta parceria trar\u00e1 &#8220;mais perdas do que ganhos&#8221; e os agricultores ter\u00e3o os seus rendimentos ainda mais comprimidos. O dirigente da CNA V\u00edtor Rodrigues disse \u00e0 Lusa que a UE sacrificou a agricultura &#8220;no altar das grandes ind\u00fastrias&#8221;, em particular da Alemanha e Fran\u00e7a, e vincou ser imposs\u00edvel fiscalizar &#8220;do outro lado do oceano, com os crit\u00e9rios deste lado&#8221;. A confedera\u00e7\u00e3o lamentou que, neste processo, a agricultura nunca tenha sido uma prioridade da Uni\u00e3o Europeia, ao contr\u00e1rio do que acontece com a grande ind\u00fastria, em particular a dos autom\u00f3veis. O dirigente da CNA disse que, do ponto de vista dos principais componentes da alimenta\u00e7\u00e3o humana, o ganho no setor dos queijos n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com as perdas nos setores da carne bovina, su\u00edna e de aves. A par do azeite, os setores do vinho e do leite tamb\u00e9m j\u00e1 se pronunciaram sobre esta alian\u00e7a. A Comiss\u00e3o Vitivin\u00edcola Regional Alentejana (CVRA) considerou &#8220;estrat\u00e9gico&#8221; o acordo para as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre &#8220;os dois blocos&#8221; e uma oportunidade para os vinhos da regi\u00e3o. &#8220;A elimina\u00e7\u00e3o progressiva de tarifas aduaneiras sobre o vinho europeu representa um avan\u00e7o significativo para os produtores portugueses, num espa\u00e7o econ\u00f3mico de grande dimens\u00e3o, com centenas de milh\u00f5es de consumidores e onde o vinho do Alentejo tem vindo a consolidar notoriedade e presen\u00e7a&#8221;, vincou. J\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) afirmou estar apreensiva e desconfiada face \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o sobre esta parceria, mas ressalvou que pode ser positiva para o setor. O secret\u00e1rio-geral da Aprolep, Carlos Neves, n\u00e3o espera altera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao milho e soja utilizados nas ra\u00e7\u00f5es, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam tarifas, mas acredita que o acordo possa ser positivo para o setor do leite, se possibilitar a exporta\u00e7\u00e3o de queijo. A assinatura do acordo comercial no Gran Teatro Jos\u00e9 Asunci\u00f3n Flores, do Banco Central do Paraguai, contar\u00e1 com a presen\u00e7a da presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, Ant\u00f3nio Costa, dos ministros os Neg\u00f3cios Estrangeiros dos pa\u00edses que comp\u00f5em o Mercosul e ainda do atual l\u00edder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Pe\u00f1a. Esta assinatura s\u00f3 foi poss\u00edvel depois de na semana passada os Estados-membros terem alcan\u00e7ado uma maioria qualificada para validar o acordo, apesar do voto contra de Fran\u00e7a (principal opositor), Pol\u00f3nia, \u00c1ustria, Irlanda, Hungria e da absten\u00e7\u00e3o da B\u00e9lgica. Bruxelas teve de negociar salvaguardas adicionais para os agricultores, que t\u00eam continuado a manifestar-se contra o acordo. Leia Tamb\u00e9m: Ambientalistas temem que UE-Mercosul aumente defloresta\u00e7\u00e3o e emiss\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho da Uni\u00e3o Europeia anunciou, em 09 de janeiro, a aprova\u00e7\u00e3o do acordo comercial com quatro pa\u00edses do Mercosul, que vai eliminar as tarifas sobre 91% das exporta\u00e7\u00f5es da UE ao longo de 15 anos, enquanto acabam, progressivamente, as tarifas sobre 92% das exporta\u00e7\u00f5es do Mercosul num per\u00edodo de at\u00e9 10 anos. 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