{"id":124,"date":"2025-07-12T19:53:09","date_gmt":"2025-07-12T19:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/como-foi-feita-a-privatizacao-de-outras-companhias-aereas-europeiasutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-07-12T19:53:09","modified_gmt":"2025-07-12T19:53:09","slug":"como-foi-feita-a-privatizacao-de-outras-companhias-aereas-europeiasutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/como-foi-feita-a-privatizacao-de-outras-companhias-aereas-europeiasutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Como foi feita a privatiza\u00e7\u00e3o de outras companhias a\u00e9reas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_5f72d889aebd2.jpg\" \/><br \/>A Alemanha, atrav\u00e9s da Lufthansa, seguiu um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o faseada e precedida por uma reestrutura\u00e7\u00e3o interna profunda.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;A Lufthansa seguiu um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o total, cuidadosamente faseado e precedido por uma forte reestrutura\u00e7\u00e3o interna&#8221;, afirma Rui Quadros, especialista em avia\u00e7\u00e3o comercial e antigo gestor da Iberia e da PGA. Nesse processo, o Estado regressou ao capital apenas em contextos extraordin\u00e1rios, como durante a pandemia, atrav\u00e9s de um fundo de estabiliza\u00e7\u00e3o, sem interfer\u00eancia na gest\u00e3o de longo prazo.<br \/>\nPor sua vez, a Air France manteve o Estado franc\u00eas como acionista minorit\u00e1rio, com influ\u00eancia estrat\u00e9gica em momentos cruciais, como na fus\u00e3o com a KLM ou no acesso a apoios p\u00fablicos. Segundo Rui Quadros, este modelo &#8220;conferiu capacidade de influ\u00eancia em momentos cr\u00edticos&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 a professora do ISEC Lisboa Maria Baltazar, acrescenta que &#8220;a Air France manteve o Estado franc\u00eas como acionista minorit\u00e1rio durante v\u00e1rios anos, assegurando influ\u00eancia estrat\u00e9gica e apoio em momentos cr\u00edticos, como durante a pandemia&#8221;.<br \/>\nA Alitalia representa o oposto: uma trajet\u00f3ria inst\u00e1vel, com sucessivos apoios estatais, privatiza\u00e7\u00f5es falhadas e, finalmente, a sua substitui\u00e7\u00e3o pela ITA Airways em 2021.<br \/>\nRui Quadros destaca que &#8220;o Estado italiano deixou a Alitalia colapsar e criou, em 2021, uma nova transportadora integralmente p\u00fablica (ITA Airways)&#8221;, iniciando depois uma privatiza\u00e7\u00e3o parcial (41%) com a Lufthansa em 2023.<br \/>\nO fundador da consultora SkyExpert, Pedro Castro, acrescenta que &#8220;o Estado italiano foi obrigado a fechar por completo a Alitalia e a criar uma suced\u00e2nea menor, a ITA Airways&#8221;.<br \/>\nEm comum, os especialistas identificam a gest\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es laborais como um fator cr\u00edtico para o sucesso.<br \/>\n&#8220;A British Airways e a Lufthansa optaram por modelos negociados (&#8230;), enquanto a Air France enfrentou forte resist\u00eancia sindical. A transi\u00e7\u00e3o para a ITA Airways resultou em despedimentos em massa&#8221;, lembrou Rui Quadros.<br \/>\nMaria Baltazar sublinha que &#8220;todos estes processos demonstram que o di\u00e1logo com os sindicatos e a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es essenciais para uma privatiza\u00e7\u00e3o bem-sucedida&#8221;.<br \/>\nUma posi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de Pedro Castro, que acrescenta que os desafios laborais n\u00e3o desaparecem com a privatiza\u00e7\u00e3o, mas tendem a ser mal geridos quando as companhias permanecem p\u00fablicas.<br \/>\nQuanto \u00e0 TAP, destacam que o atual modelo portugu\u00eas inspira-se em algumas destas experi\u00eancias, ao prever uma venda de at\u00e9 44,9% do capital, mantendo o Estado como acionista maiorit\u00e1rio e exigindo compromissos estrat\u00e9gicos ao investidor. Al\u00e9m disso, prev\u00ea um acordo parassocial para garantir a gest\u00e3o operacional do dia a dia ao futuro comprador e, ao mesmo tempo, o Estado continuar a ter uma palavra a dizer nas decis\u00f5es cr\u00edticas.<br \/>\n&#8220;Estes princ\u00edpios seguem boas pr\u00e1ticas de refer\u00eancia&#8221;, refere Rui Quadros. No entanto, alerta: &#8220;\u00c9 dif\u00edcil de imaginar que um grupo internacional aceite investir avultadas quantias, assumir riscos operacionais e reputacionais, e ainda assim n\u00e3o possa participar plenamente nas decis\u00f5es estrat\u00e9gicas da empresa&#8221;.<br \/>\nMaria Baltazar defende uma abordagem gradual e estrat\u00e9gica: &#8220;Portugal deve aprender com o que funcionou &#8212; e com o que falhou &#8212; noutras geografias. &#8220;Portugal n\u00e3o precisa apenas de privatizar &#8212; precisa de privatizar com intelig\u00eancia, com estrat\u00e9gia e com responsabilidade&#8221;, diz.<br \/>\nPor fim, Pedro Castro lembra que nenhum processo est\u00e1 conclu\u00eddo sem propostas reais em cima da mesa e que o valor da TAP pode diminuir com o novo aeroporto.<br \/>\n&#8220;Nenhuma privatiza\u00e7\u00e3o vive de inten\u00e7\u00f5es. Enquanto Lisboa for a Portela, esse \u00e9 tamb\u00e9m o maior valor da TAP, que det\u00e9m 50% dos movimentos desse aeroporto dito &#8216;congestionado&#8217;, e isso \u00e9 muito valioso. Mesmo assim, a TAP n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima coca-cola do deserto&#8221;, comenta.<br \/>\nLeia Tamb\u00e9m: Privatiza\u00e7\u00e3o da TAP? Especialistas alertam para erros a n\u00e3o repetir<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Alemanha, atrav\u00e9s da Lufthansa, seguiu um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o faseada e precedida por uma reestrutura\u00e7\u00e3o interna profunda. \u00a0 &#8220;A Lufthansa seguiu um modelo de privatiza\u00e7\u00e3o total, cuidadosamente faseado e precedido por uma forte reestrutura\u00e7\u00e3o interna&#8221;, afirma Rui Quadros, especialista em avia\u00e7\u00e3o comercial e antigo gestor da Iberia e da PGA. 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