{"id":12885,"date":"2026-01-26T04:05:15","date_gmt":"2026-01-26T04:05:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/2026-antevisao-havera-retoma-em-2026-ou-vivemos-um-deja-vu\/"},"modified":"2026-01-26T04:05:15","modified_gmt":"2026-01-26T04:05:15","slug":"2026-antevisao-havera-retoma-em-2026-ou-vivemos-um-deja-vu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/2026-antevisao-havera-retoma-em-2026-ou-vivemos-um-deja-vu\/","title":{"rendered":"Haver\u00e1 Retoma em 2026 ou Vivemos um \u201cD\u00e9j\u00e0 vu\u201d? \u2022 Di\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>advertisemen tEm 2026, Mo\u00e7ambique enfrenta (outra vez) um momento decisivo para a retoma: a promessa de crescimento est\u00e1 presente, impulsionada pela recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria extractiva, mas os avisos de organiza\u00e7\u00f5es globais apontam para riscos persistentes. Parece-lhe um filme que j\u00e1 viu? Os sinais de alerta macroecon\u00f3mico s\u00e3o cada vez mais evidentes. Ap\u00f3s a sua miss\u00e3o de Artigo IV, em 2025, o FMI sublinhou que Mo\u00e7ambique enfrenta press\u00f5es significativas sobre o Or\u00e7amento do Estado derivadas de factores como o elevado peso da folha salarial do sector p\u00fablico, que consome grande parte das receitas fiscais, a necessidade de honrar obriga\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica externa e interna e o custo crescente de programas sociais e de manuten\u00e7\u00e3o de infra-estruturas. Simultaneamente, as reservas internacionais permanecem vulner\u00e1veis \u200b\u200ba choques externos, como flutua\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os das commodities e atrasos nas exporta\u00e7\u00e3o, enquanto os riscos de liquidez se intensificam pela depend\u00eancia de financiamento externo e da execu\u00e7\u00e3o de megaprojectos de grande porte. Para mitigar estes riscos, o FMI recomenda medidas concretas, como: Refor\u00e7o da disciplina fiscal, limitando despesas correntes e priorizando investimentos estrat\u00e9gicos; Transpar\u00eancia e auditoria rigorosa do endividamento, evitando sobrecarga futura e melhorando a credibilidade do Estado junto a investidores e parceiros internacionais; Refor\u00e7o da arrecada\u00e7\u00e3o fiscal, alargando a base tribut\u00e1ria e reduzindo a evas\u00e3o; Gest\u00e3o prudente das reservas internacionais, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de fundos de conting\u00eancia para choques externos. A necessidade destas medidas tornou-se ainda mais evidente diante de acontecimentos recentes: a TotalEnergies notificou o Governo sobre uma revis\u00e3o de custos do projecto Mozambique LNG, motivada por atrasos no cronograma e exig\u00eancias adicionais de seguran\u00e7a e infra-estrutura, elevando o investimento em cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Este caso ilustra de forma concreta como atrasos e ajustes de custos podem aumentar press\u00f5es sobre o or\u00e7amento, reservas e liquidez, refor\u00e7ando a urg\u00eancia de medidas fiscais e de governan\u00e7a. Mo\u00e7ambique permanece exposto a v\u00e1rios riscos. D\u00e9fice or\u00e7amental, sub-liquidez, d\u00edvida e baixa diversifica\u00e7\u00e3o podem limitar os efeitos multiplicadores do crescimento extractivo Crescimento dependente da extrac\u00e7\u00e3o A an\u00e1lise do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), no African Economic Outlook 2025, projecta que a economia mo\u00e7ambicana cres\u00e7a 2,7% em 2025 e 3,5% em 2026, impulsionada, principalmente, por uma recupera\u00e7\u00e3o do sector extractivo. Ao mesmo tempo, a infla\u00e7\u00e3o, estimada em 4,8% em 2025, deve subir para 5,2%, em 2026, pressionada, principalmente, pelo aumento nos pre\u00e7os dos alimentos, enquanto o d\u00e9fice or\u00e7amental, que alcan\u00e7ar\u00e1 cerca de 5,4% do PIB em 2025, dever\u00e1 recuar para 4,5% no ano seguinte gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de consolida\u00e7\u00e3o fiscal. Este quadro decorre de uma traject\u00f3ria recente marcada por volatilidade: em 2024, o PIB cresceu apenas 1,8%, depois de um avan\u00e7o significativo de 5,4% em 2023, quando as opera\u00e7\u00f5es de g\u00e1s ainda ganhavam trac\u00e7\u00e3o. O Country Focus Report 2025 do BAD sublinha que esta traject\u00f3ria de crescimento continua exposta a m\u00faltiplos riscos: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, choques de pre\u00e7os de commodities, instabilidade social, incluindo tens\u00f5es p\u00f3s-eleitorais, e perturba\u00e7\u00f5es em regi\u00f5es vulner\u00e1veis, como Cabo Delgado. Mas mais relevante do que as taxas previstas \u00e9 o diagn\u00f3stico estrutural do banco: Mo\u00e7ambique permanece fortemente dependente da ind\u00fastria extractiva e do sector de servi\u00e7os. Em 2023, os servi\u00e7os representavam cerca de 40,8% do PIB, reflectindo a dificuldade de diversifica\u00e7\u00e3o para sectores de valor agregado e revelando uma limitada transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do Pa\u00eds. O BAD alerta que, sem pol\u00edticas consistentes de diversifica\u00e7\u00e3o \u2014 incluindo investimentos em manufactura, transforma\u00e7\u00e3o local de recursos e fortalecimento das cadeias de valor \u2014, o crescimento continuar\u00e1 enviesado, concentrando-se na extrac\u00e7\u00e3o e com poucos efeitos multiplicadores para o resto da economia. A an\u00e1lise aponta, ainda, problemas estruturais persistentes que amea\u00e7am a sustentabilidade da recupera\u00e7\u00e3o: A arrecada\u00e7\u00e3o fiscal continua baixa, com os impostos a representarem cerca de 23% do PIB, muito abaixo de benchmarks regionais; Fluxos financeiros il\u00edcitos resultam em perdas anuais estimadas em 1,3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, agravadas por uma administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria fr\u00e1gil; A folha salarial do Estado consome, em m\u00e9dia, 90% da receita fiscal, restringindo o espa\u00e7o para investimentos em desenvolvimento e; O servi\u00e7o da d\u00edvida reduz ainda mais a flexibilidade or\u00e7amental. Para o BAD, estas fragilidades estruturais s\u00f3 poder\u00e3o ser mitigadas mediante: Reformas institucionais robustas; Refor\u00e7o da governan\u00e7a; Regula\u00e7\u00e3o eficiente de parcerias p\u00fablico-privadas e; Combate a fluxos il\u00edcitos. O banco entende, entretanto, que sem estas medidas, o crescimento projectado para 2026 poder\u00e1 ser inst\u00e1vel e mal distribu\u00eddo, refor\u00e7ando a depend\u00eancia do Pa\u00eds da extrac\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os, em vez de gerar um desenvolvimento econ\u00f3mico mais inclusivo e sustent\u00e1vel. Perspectiva das ag\u00eancias de &#8216;rating&#8217; para 2026 As grandes ag\u00eancias de &#8216;rating&#8217; mant\u00eam um diagn\u00f3stico prudente (e at\u00e9 preocupante) sobre a economia mo\u00e7ambicana para 2026, refor\u00e7ando muitos dos riscos j\u00e1 levantados por institui\u00e7\u00f5es multilaterais. Em Mar\u00e7o de 2025, a ag\u00eancia Standars &#038; Poors (S&#038;P) desceu o &#8216;rating&#8217; das emiss\u00f5es de d\u00edvida dom\u00e9stica para &#8216;selective default&#8217; (incumprimento selectivo), ao considerar como &#8216;distressed&#8217; a troca de t\u00edtulos em meticais feita pelo Estado. A avalia\u00e7\u00e3o de m\u00e9dio\/longo prazo para os t\u00edtulos em moeda estrangeira ficou em CCC+ (risco elevado de incumprimento). A S&#038;P alerta que a fraca liquidez, os atrasos na execu\u00e7\u00e3o dos projectos de g\u00e1s e a incerteza no financiamento externo podem agravar os desafios fiscais, especialmente se o Governo n\u00e3o implementar ajustes estruturais. A ag\u00eancia prev\u00ea uma prov\u00e1vel deteriora\u00e7\u00e3o se a posi\u00e7\u00e3o de liquidez se agravar, por exemplo, com mais atrasos ou incapacidade para gerir o vencimento de t\u00edtulos da d\u00edvida nacional, inclusive, estimando que os pagamentos de d\u00edvida interna possam subir para cerca de 2,1% a 2,4% do PIB em 2026, no cen\u00e1rio adverso. A Fitch Ratings tamb\u00e9m adopta uma abordagem cautelosa. Em Agosto de 2025, manteve Mo\u00e7ambique no n\u00edvel CCC (capacidade limitada de cumprir obriga\u00e7\u00f5es financeiras), mas reviu em baixa as perspectivas macroecon\u00f3micas. Para 2026, projecta um crescimento de 3,4%, uma previs\u00e3o que depende da retoma do megaprojecto de g\u00e1s natural liquefeito da TotalEnergies na \u00c1rea 1 da bacia do Rovuma. No entanto, a ag\u00eancia observa que as \u201cgrandes necessidades de financiamento\u201d representam uma vulnerabilidade importante, especialmente devido ao aumento do d\u00e9fice or\u00e7amental, aos atrasos nos pagamentos e ao elevado peso da d\u00edvida p\u00fablica. A Fitch espera que o d\u00e9fice diminua para cerca de 3,6% do PIB em 2026. \u00c9 uma melhoria, sim, mas que ainda reflecte riscos substanciais, segundo a ag\u00eancia. Texto Celso Chambisso \u2022 Fotografia DRa dvertisement <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>advertisemen tEm 2026, Mo\u00e7ambique enfrenta (outra vez) um momento decisivo para a retoma: a promessa de crescimento est\u00e1 presente, impulsionada pela recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria extractiva, mas os avisos de organiza\u00e7\u00f5es globais apontam para riscos persistentes. Parece-lhe um filme que j\u00e1 viu? Os sinais de alerta macroecon\u00f3mico s\u00e3o cada vez mais evidentes. 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