{"id":12955,"date":"2026-01-26T19:53:17","date_gmt":"2026-01-26T19:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/africa-pode-contribuir-para-multilateralismo-diferente-na-atual-ruturautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-01-26T19:53:17","modified_gmt":"2026-01-26T19:53:17","slug":"africa-pode-contribuir-para-multilateralismo-diferente-na-atual-ruturautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/africa-pode-contribuir-para-multilateralismo-diferente-na-atual-ruturautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"\u00c1frica pode contribuir para multilateralismo diferente na"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/46429053.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjoyNTYwLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNDQwLCJjcm9wWCI6MCwiY3JvcFkiOjEwMn0sInBvcnRyYWl0Ijp7ImNyb3BXaWR0aCI6OTYxLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNzA4LCJjcm9wWCI6OTk3LCJjcm9wWSI6MH19\" \/><\/p>\n<p>                                                    &#8220;Reformar o multilateralismo n\u00e3o significa restaurar o passado, mas repensar profundamente os seus objetivos, instrumentos e crit\u00e9rios de legitimidade&#8221;, referiu o antigo secret\u00e1rio executivo da Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para \u00c1frica (UNECA), numa apresenta\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;\u00c1frica e o fim das certezas multilaterais&#8221;, ap\u00f3s receber o pr\u00e9mio Am\u00edlcar Cabral, na Universidade de Cabo Verde (UniCV). Para \u00c1frica, o momento implica &#8220;uma escolha estrat\u00e9gica: o continente pode limitar-se a adaptar-se pragmaticamente \u00e0 nova desordem global, explorando oportunidades pontuais, sem alterar estruturas profundas ou pode assumir um papel mais ambicioso. Contribuir ativamente para a constru\u00e7\u00e3o de um multilateralismo diferente, menos baseado em regras herdadas e mais orientado para resultados, inclus\u00e3o e justi\u00e7a estrutural&#8221;, referiu. Para Carlos Lopes, o fim das certezas multilaterais &#8220;n\u00e3o deve ser entendido como um colapso terminal, mas como um momento constitutivo, um momento em que as novas normas, novas institui\u00e7\u00f5es, novas hierarquias v\u00e3o ser formadas&#8221;. &#8220;A quest\u00e3o central \u00e9: quem participa nesse processo e em que condi\u00e7\u00f5es? Se \u00c1frica conseguir articular a sua diversidade interna, fortalecer a coopera\u00e7\u00e3o regional e investir em capacidades estrat\u00e9gicas, econ\u00f3micas, tecnol\u00f3gicas, pol\u00edticas, poder\u00e1 deixar de ser objeto de reorganiza\u00e7\u00e3o global para se tornar sujeito, um sujeito ativo na sua defini\u00e7\u00e3o&#8221;, assinalou. O economista defendeu que, num mundo &#8220;em disrup\u00e7\u00e3o permanente, a estabilidade n\u00e3o vir\u00e1 da restaura\u00e7\u00e3o de velhos consensos, mas da capacidade de navegar a incerteza com prop\u00f3sito e dire\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;O continente entra neste momento de rutura sem estar excessivamente investido na preserva\u00e7\u00e3o da ordem anterior, que historicamente o penalizou&#8221;, com &#8220;regras comerciais assim\u00e9tricas, regimes de d\u00edvida restritivos, escasso acesso a capitais, exclus\u00e3o tecnol\u00f3gica e marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, (caracter\u00edsticas que) marcaram a experi\u00eancia africana no sistema multilateral&#8221;, explicou. Para o economista, \u00c1frica tem &#8220;menos a perder na ilus\u00e3o dessas certezas e, paradoxalmente, mais espa\u00e7o para imaginar alternativas&#8221;. \u00c1frica possui &#8220;a popula\u00e7\u00e3o mais jovem do planeta e a maior for\u00e7a de trabalho em crescimento&#8221;, uma realidade que, referiu, &#8220;continua a ser tratada, predominantemente, como um risco associado \u00e0 migra\u00e7\u00e3o irregular ou \u00e0 instabilidade e n\u00e3o como uma oportunidade de co-desenvolvimento&#8221;. &#8220;A incapacidade do sistema internacional de articular mobilidade laboral, investimento produtivo e desenvolvimento humano revela mais uma vez os limites do multilateralismo existente&#8221;, acrescentou, fazendo um diagn\u00f3stico: &#8220;o problema n\u00e3o \u00e9 apenas o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es multilaterais, mas a sua inadequa\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es atuais &#8212; concebidas para um mundo mais lento, mais previs\u00edvel, mais hier\u00e1rquico, lutam para responder a uma realidade que agora \u00e9 marcada por velocidade, complexidade e interdepend\u00eancia assim\u00e9trica&#8221;. Carlos Lopes pede aten\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias, como a intelig\u00eancia artificial: &#8220;Cada vez mais, nas fronteiras, n\u00e3o vai ser um agente que vai decidir, mas o algoritmo&#8221; e at\u00e9 mesmo noutros n\u00edveis, as san\u00e7\u00f5es podem tornar-se algor\u00edtmicas. Transforma\u00e7\u00f5es que o levam \u00e0 quest\u00e3o da legitimidade pol\u00edtica &#8220;no sentido profundo que Am\u00edlcar Cabral lhe atribu\u00eda: n\u00e3o derivava da efici\u00eancia t\u00e9cnica, nem do reconhecimento externo, mas da correspond\u00eancia entre o poder pol\u00edtico, verdade social e dignidade, a dignidade vivida&#8221;. &#8220;O fim das certezas multilaterais n\u00e3o \u00e9 o fim da pol\u00edtica internacional, \u00e9 o fim de uma ilus\u00e3o confort\u00e1vel &#8212; e como tantas vezes na hist\u00f3ria, \u00e9 quando as ilus\u00f5es caem que se abrem espa\u00e7os para a verdade, para a responsabilidade e para a cria\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu. Carlos Lopes citou v\u00e1rias vezes o patrono do pr\u00e9mio que recebeu, afirmando-se como um filiado aos ideais de Cabral, que descreveu como &#8220;um pensador rigoroso da legitimidade pol\u00edtica, fundada em princ\u00edpios que permanecem centrais, os direitos, a dignidade humana, a soberania e a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos&#8221;. O reitor da UniCV justificou a escolha do economista como primeiro laureado com o Pr\u00e9mio Am\u00edlcar Cabral, considerando que &#8220;tem sabido, de forma exemplar, chamar a aten\u00e7\u00e3o para o &#8216;sul global&#8217; e sobre a necessidade de ter capacidade de pensar pela pr\u00f3pria cabe\u00e7a&#8221; &#8212; uma express\u00e3o muitas vezes usada pelo art\u00edfice das independ\u00eancias da Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde para falar da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Leia Tamb\u00e9m: Sindicatos europeus alertam easyJet para impactos do modelo operacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Reformar o multilateralismo n\u00e3o significa restaurar o passado, mas repensar profundamente os seus objetivos, instrumentos e crit\u00e9rios de legitimidade&#8221;, referiu o antigo secret\u00e1rio executivo da Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para \u00c1frica (UNECA), numa apresenta\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;\u00c1frica e o fim das certezas multilaterais&#8221;, ap\u00f3s receber o pr\u00e9mio Am\u00edlcar Cabral, na Universidade de Cabo Verde (UniCV). 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