{"id":15019,"date":"2026-02-21T11:39:28","date_gmt":"2026-02-21T11:39:28","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ainda-sem-apoios-empresas-de-leiria-retomam-producao-improvisandoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-02-21T11:39:28","modified_gmt":"2026-02-21T11:39:28","slug":"ainda-sem-apoios-empresas-de-leiria-retomam-producao-improvisandoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ainda-sem-apoios-empresas-de-leiria-retomam-producao-improvisandoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Ainda sem apoios, empresas de Leiria retomam produ\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/46590548.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjoyNDc2LCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxMzkzLCJjcm9wWCI6MjksImNyb3BZIjozM30sInBvcnRyYWl0Ijp7ImNyb3BXaWR0aCI6OTYxLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNzA4LCJjcm9wWCI6ODU5LCJjcm9wWSI6MH19\" \/><\/p>\n<p>                                                    Tr\u00eas semanas depois que a tempestade Kristin passou, ainda havia telhados ca\u00eddos, postes de luz derrubados, fios el\u00e9tricos cortados, \u00e1rvores quebradas e detritos acumulados em todos os lugares. Mas tamb\u00e9m havia empresas que se erguiam, ainda que a meio g\u00e1s, e o tr\u00e2nsito voltava a circular pelas art\u00e9rias de um munic\u00edpio sa\u00eddo do estado de calamidade, mas ainda com muitos danos a reparar. Na localidade de G\u00e2ndara dos Olivais, a Baquelite Liz, fundada h\u00e1 80 anos, \u00e9 a mais antiga f\u00e1brica de pl\u00e1sticos de Leiria ainda em atividade &#8211; apesar de ter sido obrigada a uma pausa na produ\u00e7\u00e3o devido ao corte de energia el\u00e9trica que s\u00f3 foi reposto mais de duas semanas ap\u00f3s a intemp\u00e9rie. Na madrugada de 28 de janeiro, o vento e a chuva fizeram cair uma parede e uma parte do telhado da unidade fabril, deixando a descoberto equipamentos de fabrica\u00e7\u00e3o de caixas e cont\u00eaineres, grades, tubos, mangueiras e um sem n\u00famero de artigos dom\u00e9sticos em pl\u00e1stico. Os 15 trabalhadores do turno da noite sa\u00edram ilesos porque se retiraram quando a eletricidade foi cortada, momentos antes de a tempestade atingir seu ponto m\u00e1ximo. Quase tr\u00eas semanas depois, a Baquelite Liz funcionava com cerca de 30% da capacidade, tentando se reerguer em meio aos destro\u00e7os. &#8220;Temos ligado as m\u00e1quinas gradualmente porque temos surpresas o tempo todo&#8221;, disse \u00e0 Lusa Jo\u00e3o Clemente, s\u00f3cio e diretor da empresa. Os danos causados \u200b\u200bpela chuva e umidade, nos equipamentos e nos pr\u00e9dios, ainda estavam sendo apurados, mas os c\u00e1lculos j\u00e1 giravam em torno de dois milh\u00f5es de euros, valor dif\u00edcil de acomodar no balan\u00e7o de uma empresa, de estrutura familiar, que fatura anualmente cerca de 7,5 milh\u00f5es de euros. Na Baquelite Liz, os servi\u00e7os administrativos foram mais afetados do que a \u00e1rea fabril. Depois que o telhado, portas e janelas foram arrancados pelo vento, o pouco que sobrou foi coberto por pl\u00e1sticos e lonas, esperando a reconstru\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m sabia quando seria poss\u00edvel. Dificuldades no processamento atrasaram o pagamento dos sal\u00e1rios de janeiro aos 75 trabalhadores, mas Jo\u00e3o Clemente acreditava que manteria todos os postos de trabalho sem precisar recorrer ao &#8216;lay-off&#8217; simplificado anunciado pelo governo. &#8220;Temos muito trabalho, felizmente. Espero que seja s\u00f3 um m\u00eas de parada&#8221;, afirmou o administrador, embora admitindo a exist\u00eancia de atrasos na entrega dos pedidos aos clientes. &#8220;De modo geral, os clientes t\u00eam colaborado e temos conseguido manter tudo&#8221;, completou. Parcialmente destru\u00eddo, ficou tamb\u00e9m o museu e o arquivo da Baquelite Liz, reposit\u00f3rios de um mostru\u00e1rio de oito d\u00e9cadas de exist\u00eancia que \u00e9 parte integrante da hist\u00f3ria da empresa e da fam\u00edlia que a fundou em 1946, j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es. Na f\u00e1brica da Ra\u00e7\u00f5es Selec\u00e7\u00e3o, localizada na Boa Vista, arredores de Leiria, s\u00f3 foi poss\u00edvel retomar a produ\u00e7\u00e3o, a 20% ou 30% da capacidade, cerca de duas semanas depois da passagem da tempestade Kristin, com o uso de geradores. A prioridade do diretor Rog\u00e9rio Campos, da mulher, dos filhos e dos 50 funcion\u00e1rios da empresa familiar foi tentar remendar cerca de 70% do telhado da \u00e1rea fabril, com lonas cedidas por uma empresa de material publicit\u00e1rio. S\u00f3 depois de salvaguardada a mat\u00e9ria-prima e o produto acabado \u00e9 que foi iniciada a busca pelos potentes geradores que t\u00eam mantido a f\u00e1brica de ra\u00e7\u00e3o funcionando em dois turnos, entre 7:00 e 00:00. &#8220;Estamos com custos muito aumentados&#8221;, admitiu Rog\u00e9rio Campos, referindo-se ao aluguel dos equipamentos e ao combust\u00edvel necess\u00e1rio para manter os geradores at\u00e9 que a energia el\u00e9trica seja restabelecida nas instala\u00e7\u00f5es. Para n\u00e3o perder clientes, a administra\u00e7\u00e3o subcontratou empresas concorrentes para produzir e embalar ra\u00e7\u00f5es com a marca Selec\u00e7\u00e3o, garantindo o transporte at\u00e9 os pontos de venda. O preju\u00edzo j\u00e1 estar\u00e1 muito pr\u00f3ximo de um milh\u00e3o de euros, valor que equivale a um d\u00e9cimo do faturamento anual da empresa. A falta de m\u00e3o de obra e materiais para os reparos n\u00e3o permite saber quando a produ\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser retomada, &#8220;ao menos em 70 ou 80%&#8221;, lamentou-se Rog\u00e9rio Campos. Enquanto as ajudas p\u00fablicas e os pagamentos da seguradora n\u00e3o chegavam, a Ra\u00e7\u00f5es Selec\u00e7\u00e3o, como outras empresas da regi\u00e3o, s\u00f3 podia contar com o apoio dos bancos dos quais \u00e9 cliente. O secret\u00e1rio-geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa do Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA), Jaime Pi\u00e7arra, disse \u00e0 Lusa que 30% das empresas do setor est\u00e3o situadas nos 68 munic\u00edpios onde foi decretado estado de calamidade. &#8220;Na parte de infraestrutura, pain\u00e9is solares e equipamentos, temos um reporte entre 15 a 20 milh\u00f5es de euros&#8221; de preju\u00edzos, segundo estimou. Considerando que o governo deveria &#8220;ajudar as empresas&#8221;, Jaime Pi\u00e7arra defendeu a cria\u00e7\u00e3o de &#8220;um mecanismo de subven\u00e7\u00f5es e morat\u00f3rias&#8221; para o setor, como alternativa \u00e0s linhas de cr\u00e9dito que implicam contrair d\u00edvida. &#8220;Muitas de nossas empresas tamb\u00e9m t\u00eam animais e, em muitas delas, temos que somar os preju\u00edzos sofridos com a perda de animais, tanto no setor av\u00edcola quanto na suinocultura&#8221;, completou. No grupo agropecu\u00e1rio Aviliz, a prioridade foi conseguir chegar \u00e0s granjas de aves, de su\u00ednos e de bovinos na manh\u00e3 do dia 28 de janeiro. &#8220;Os acessos estavam destru\u00eddos e havia centenas de \u00e1rvores no caminho. Temos muitas fazendas, tivemos muitas equipes no terreno abrindo caminho n\u00e3o s\u00f3 para carros leves, mas tamb\u00e9m para o fornecimento de farinhas e de ra\u00e7\u00f5es&#8221;, contou Lu\u00eds Ros\u00e1rio, diretor de produ\u00e7\u00e3o. Na explora\u00e7\u00e3o av\u00edcola que a Lusa visitou, em Casal Novo, freguesia de Amor, um pavilh\u00e3o com 3 mil a 4 mil galinhas reprodutoras ficou praticamente destru\u00eddo na noite da tempestade Kristin, deixando os animais expostos ao frio, \u00e0 chuva e ao vento. Muitos morreram naquele dia e nos dias seguintes, por falta de alimenta\u00e7\u00e3o e aquecimento, at\u00e9 que fosse poss\u00edvel instalar os primeiros geradores. Aves, su\u00ednos e bovinos come\u00e7aram a ser vendidos ou enviados para o abate precoce, por falta de condi\u00e7\u00f5es de garantir sua sobreviv\u00eancia e tentar diminuir as perdas. Quase tr\u00eas semanas depois da intemp\u00e9rie, a eletricidade ainda n\u00e3o havia sido restaurada na maioria das 30 fazendas da Aviliz, e n\u00e3o havia previs\u00e3o para isso acontecer. &#8220;A energia el\u00e9trica \u00e9 que nos permite dar \u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o, aquecimento e ventila\u00e7\u00e3o aos animais. Para tudo dependemos da energia el\u00e9trica&#8221;, observou o diretor de produ\u00e7\u00e3o da Aviliz. &#8220;Ningu\u00e9m nos d\u00e1 uma previs\u00e3o, uma data aproximada, que nos permitisse gerir os espa\u00e7os que temos inteiros, que nos permitisse gerir melhor as equipes e os recursos que temos para cuidar dos nossos animais como eles merecem&#8221;, acrescentou. O grupo Aviliz, fundado h\u00e1 50 anos como uma fazenda de pintinhos do dia emprega atualmente cerca de 150 pessoas nas diferentes empresas. Ao preju\u00edzo nas estruturas f\u00edsicas, somam-se as perdas no potencial produtivo, fazendo a fatura crescer at\u00e9 quatro a cinco milh\u00f5es de euros. &#8220;Para reconstruirmos e restabelecermos nosso potencial produtivo, precisaremos de muito mais apoio&#8221;, conclui Lu\u00eds Ros\u00e1rio. Leia Tamb\u00e9m: Leiria estima preju\u00edzos superiores a 792,8 milh\u00f5es na data de hoje<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas semanas depois que a tempestade Kristin passou, ainda havia telhados ca\u00eddos, postes de luz derrubados, fios el\u00e9tricos cortados, \u00e1rvores quebradas e detritos acumulados em todos os lugares. 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