{"id":16146,"date":"2026-03-05T04:13:12","date_gmt":"2026-03-05T04:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/sempre-que-mundo-treme-pagamos-a-fatura-analise-ao-impacto-da-guerrautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-03-05T04:13:12","modified_gmt":"2026-03-05T04:13:12","slug":"sempre-que-mundo-treme-pagamos-a-fatura-analise-ao-impacto-da-guerrautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/sempre-que-mundo-treme-pagamos-a-fatura-analise-ao-impacto-da-guerrautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"&#8220;Sempre que o mundo treme, pagamos a fatura&#8221;: O impacto por"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_69a7f4540fdea.webp\" \/><\/p>\n<p>                                                    A escalada de conflitos no Oriente M\u00e9dio exp\u00f5e a vulnerabilidade de Portugal a choques externos e para os quais o pa\u00eds n\u00e3o se prepara &#8220;devidamente&#8221;, considera Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas &#8211; Norte. Em declara\u00e7\u00f5es ao Not\u00edcias ao Minuto, explica tamb\u00e9m o economista que os portugueses v\u00e3o sentir na carteira o impacto desta guerra, desde logo porque se espera uma acelera\u00e7\u00e3o da taxa de infla\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 preciso ter em mente que Portugal continua a ser uma economia importadora l\u00edquida de energia. Sempre que o mundo treme, pagamos a fatura. A infla\u00e7\u00e3o, que vinha a aproximar-se dos 2%, pode voltar a acelerar. E quando a energia sobe, sobe praticamente tudo, desde os transportes aos alimentos, passando pelos bens industriais&#8221;, faz notar Carlos Brito. O economista considera que a &#8220;guerra no Ir\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas mais um conflito distante no mapa&#8221;, mas sim uma &#8220;chamada de aten\u00e7\u00e3o muito clara de que Portugal continua excessivamente vulner\u00e1vel a choques externos que n\u00e3o controla e para os quais nem sempre se prepara devidamente&#8221;. O impacto em Portugal &#8220;N\u00e3o tenho d\u00favidas de que a atual escalada militar no Oriente M\u00e9dio acrescenta um novo fator de instabilidade que atinge diretamente economias abertas como a portuguesa. \u00c9 muito improv\u00e1vel que tenhamos tropas no terreno, mas sentiremos os efeitos nas fam\u00edlias, nas empresas e nas finan\u00e7as p\u00fablicas&#8221;, antecipa Carlos Brito. Ali\u00e1s, os primeiros sinais ser\u00e3o sentidos j\u00e1 na pr\u00f3xima semana, quando os motoristas v\u00e3o aos postos abastecer seus carros, j\u00e1 que os dados at\u00e9 o momento &#8211; que ainda podem mudar &#8211; apontam para uma forte alta nos pre\u00e7os. &#8220;O primeiro impacto \u00e9 energ\u00e9tico e ir\u00e1 fazer-se sentir no imediato. O risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petr\u00f3leo mundial, basta para desencadear especula\u00e7\u00e3o e subida de pre\u00e7os. Em poucos dias, o petr\u00f3leo aumentou cerca de 5% e o g\u00e1s mais de 30%. Estes n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o abstratos: v\u00e3o traduzir-se em combust\u00edveis mais caros, faturas energ\u00e9ticas mais elevadas e custos de produ\u00e7\u00e3o acrescidos&#8221;, sublinha o economista. Quais ser\u00e3o as \u00e1reas mais afetadas? \u00c9 importante destacar tamb\u00e9m que o &#8220;problema n\u00e3o \u00e9 apenas energ\u00e9tico&#8221;, j\u00e1 que a &#8220;nossa economia depende fortemente do com\u00e9rcio internacional&#8221; e &#8220;perturba\u00e7\u00f5es no Golfo P\u00e9rsico significam seguros mais caros, rotas desviadas e disrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de abastecimento&#8221;. A consequ\u00eancia? &#8220;Para muitas PMEs exportadoras, isso significar\u00e1 margens menores e menor previsibilidade&#8221;, explica Carlos Brito. &#8220;A quest\u00e3o da imprevisibilidade \u00e9 importante. Com efeito, a incerteza geopol\u00edtica \u00e9 uma esp\u00e9cie de bomba-rel\u00f3gio que poder\u00e1 ter impactos profundos no longo prazo na medida em que tender\u00e1 a adiar decis\u00f5es de investimento. A forma\u00e7\u00e3o bruta de capital ir\u00e1, portanto, desacelerar, o que significa que os t\u00e3o necess\u00e1rios ganhos de produtividade voltar\u00e3o a ficar para mais tarde. As previs\u00f5es de crescimento para 2026 dificilmente escapar\u00e3o de revis\u00f5es para baixo se o conflito se prolongar. O que significa menor cria\u00e7\u00e3o de riqueza e finan\u00e7as p\u00fablicas menos saud\u00e1veis&#8221;, aponta. Em declara\u00e7\u00f5es ao Not\u00edcias ao Minuto, Carlos Brito refere ainda que, &#8220;por outro lado, com a press\u00e3o inflacionista as taxas de juro poder\u00e3o vir a aumentar, com todos os efeitos negativos da\u00ed decorrentes ao n\u00edvel do cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o na medida em que as presta\u00e7\u00f5es ir\u00e3o ficar mais caras&#8221;. Dura\u00e7\u00e3o do conflito \u00e9 a chave O chefe da Ordem dos Economistas &#8211; Norte tamb\u00e9m esclarece que o &#8220;maior risco n\u00e3o \u00e9 o choque imediato, mas a dura\u00e7\u00e3o do conflito&#8221;. &#8220;A economia portuguesa n\u00e3o cresce de forma robusta h\u00e1 d\u00e9cadas. Sempre que surge instabilidade internacional, ficamos mais expostos \u00e0s nossas fragilidades estruturais: baixa produtividade, depend\u00eancia energ\u00e9tica e especializa\u00e7\u00e3o excessiva em setores sens\u00edveis \u00e0 conjuntura&#8221;, considera, dando como exemplo o turismo, que \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 12% do PIB e &#8220;poder\u00e1 ressentir-se caso a instabilidade global afete fluxos internacionais e custos da avia\u00e7\u00e3o&#8221;. Nem tudo s\u00e3o m\u00e1s not\u00edcias e tamb\u00e9m h\u00e1 pontos fortes O economista tamb\u00e9m faz sobressair que este conflito mostra que a &#8220;aposta nas energias renov\u00e1veis \u200b\u200brevelou-se uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica acertada&#8221;, porque &#8220;quanto maior a instabilidade geopol\u00edtica associada aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, mais evidente se torna a import\u00e2ncia da autonomia energ\u00e9tica&#8221; e, &#8220;aqui, Portugal pode ter uma vantagem relativa&#8221;. &#8220;Al\u00e9m disso, em um mundo fragmentado, a posi\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica pode ganhar relev\u00e2ncia. O pa\u00eds poder\u00e1 se firmar como plataforma log\u00edstica e industrial segura dentro da Uni\u00e3o Europeia. Mas isso exige estrat\u00e9gia, vis\u00e3o e investimento e n\u00e3o apenas circunst\u00e2ncia geogr\u00e1fica&#8221;, conclui Carlos Brito. Enquanto isso, algumas campainhas v\u00e3o soando: O Banco Central Europeu (BCE) j\u00e1 alertou que a taxa de infla\u00e7\u00e3o pode acelerar por causa do conflito no Oriente M\u00e9dio e, por aqui, o governo tamb\u00e9m j\u00e1 avisou que o aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma boa not\u00edcia&#8221;. O Banco Central Europeu (BCE) j\u00e1 alertou que a taxa de infla\u00e7\u00e3o pode acelerar devido ao conflito no Oriente M\u00e9dio e, por aqui, o governo tamb\u00e9m j\u00e1 avisou que o aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma boa not\u00edcia&#8221;. Beatriz Vasconcelos com Lusa | 07:35 &#8211; 03\/04\/2026 Leia Tamb\u00e9m: \u00c9 melhor abastecer agora? Combust\u00edveis podem disparar e isto \u00e9 o que se sabe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escalada de conflitos no Oriente M\u00e9dio exp\u00f5e a vulnerabilidade de Portugal a choques externos e para os quais o pa\u00eds n\u00e3o se prepara &#8220;devidamente&#8221;, considera Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas &#8211; Norte. Em declara\u00e7\u00f5es ao Not\u00edcias ao Minuto, explica tamb\u00e9m o economista que os portugueses v\u00e3o sentir na carteira o impacto desta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-16146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16146\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}