{"id":16665,"date":"2026-03-11T04:00:11","date_gmt":"2026-03-11T04:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/classificacao-de-risco-de-mocambique-levanta-alertas-mas-economistas-pedem-leitura-cautelosa\/"},"modified":"2026-03-11T04:00:11","modified_gmt":"2026-03-11T04:00:11","slug":"classificacao-de-risco-de-mocambique-levanta-alertas-mas-economistas-pedem-leitura-cautelosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/classificacao-de-risco-de-mocambique-levanta-alertas-mas-economistas-pedem-leitura-cautelosa\/","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o de Risco de Mo\u00e7ambique Levanta Alertas, Mas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>advertisemen tA recente classifica\u00e7\u00e3o da consultoria internacional Oxford Economics, que coloca Mo\u00e7ambique entre as economias mais arriscadas da \u00c1frica, reacendeu o debate sobre a sustentabilidade macroecon\u00f4mica do Pa\u00eds e os desafios estruturais que seguem influenciando a confian\u00e7a dos investidores internacionais. Na publica\u00e7\u00e3o, a entidade brit\u00e2nica destaca que Mo\u00e7ambique aparece com mais de 75 pontos, a maior pontua\u00e7\u00e3o entre as 25 na\u00e7\u00f5es analisadas. No relat\u00f3rio, Mal\u00e1ui e Zimb\u00e1bue ocupam a segunda e a terceira posi\u00e7\u00f5es, respectivamente, enquanto Angola aparece em s\u00e9timo lugar, apontando ainda vulnerabilidades associadas \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica, \u00e0 fragilidade cambial e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das reservas internacionais, fatores que t\u00eam pressionado a estabilidade econ\u00f4mica. Ainda assim, economistas entrevistados pelo Di\u00e1rio Econ\u00f3mico defendem que a avalia\u00e7\u00e3o deve ser analisada com \u201ccautela\u201d, pois nem todos os indicadores refletem necessariamente uma situa\u00e7\u00e3o de crise profunda. Para o economista e professor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Mois\u00e9s Nhanombe, a classifica\u00e7\u00e3o representa principalmente um sinal de alerta sobre os riscos macroecon\u00f4micos, mas n\u00e3o um diagn\u00f3stico definitivo sobre a economia nacional. \u201cA avalia\u00e7\u00e3o da Oxford Economics deve ser interpretada com cautela. A pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada em indicadores de risco macroecon\u00f4mico, fiscal, cambial e pol\u00edtico que revelam vulnerabilidades, mas isso n\u00e3o significa necessariamente que Mo\u00e7ambique esteja em uma situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica do que todos os pa\u00edses africanos\u201d, explicou. Segundo Nhanombe, algumas economias do continente africano enfrentam crises estruturais mais profundas, como \u00e9 o caso do Sud\u00e3o, frisando que a percep\u00e7\u00e3o de risco em rela\u00e7\u00e3o a Mo\u00e7ambique tamb\u00e9m resulta de fatores conjunturais e expectativas de mercado, \u201cn\u00e3o podendo ser assumida como um diagn\u00f3stico definitivo\u201d. Segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica, o Pa\u00eds registou uma recess\u00e3o anual de 0,52% em 2025 Press\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e impacto na confian\u00e7a dos investidores Contudo, o interveniente chamou a aten\u00e7\u00e3o para a fraca gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica que tem sido um dos principais factores de vulnerabilidade macroecon\u00f3mica em Mo\u00e7ambique, recordando que, ap\u00f3s a crise das chamadas \u201cd\u00edvidas ocultas\u201d, a credibilidade fiscal do Estado foi afectada, limitando o acesso ao financiamento externo em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e aumentando a depend\u00eancia de apoio de institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Segundo o economista, um dos principais desafios atuais continua sendo o peso do servi\u00e7o da d\u00edvida sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas, esclarecendo que \u201cquando grande parte das receitas do Estado \u00e9 destinada ao pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es, reduz-se o espa\u00e7o fiscal para investimentos essenciais, como infraestrutura, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, o que pode limitar o crescimento econ\u00f4mico\u201d. \u201cAl\u00e9m disso, altos n\u00edveis de endividamento aumentam a percep\u00e7\u00e3o de risco dos investidores, podendo pressionar o c\u00e2mbio e favorecer a desvaloriza\u00e7\u00e3o do metical\u201d, disse, tendo elucidado que a d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 necessariamente um problema insol\u00favel quando administrada com transpar\u00eancia, sustentabilidade fiscal e maior efici\u00eancia do gasto p\u00fablico, \u201cpodendo inclusive financiar investimentos produtivos e apoiar o desenvolvimento econ\u00f4mico.\u201d Seguindo a mesma linha de ideias, o economista e analista Cl\u00e9sio Foia afirmou que relat\u00f3rios internacionais que classificam economias como mais arriscadas podem impactar diretamente no comportamento dos mercados financeiros e dos investidores. Cl\u00e9sio Foia \u201cQuando um pa\u00eds \u00e9 classificado com alto risco, os investidores internacionais tendem a ser mais cautelosos, o que pode reduzir a confian\u00e7a e tornar o financiamento externo mais caro para o Estado e as empresas\u201d, explicou. Em sua explana\u00e7\u00e3o, elucidou que a percep\u00e7\u00e3o de risco pode levar institui\u00e7\u00f5es financeiras a exigir taxas de juros mais altas ou garantias adicionais para conceder financiamento a projetos no Pa\u00eds. \u201cPode haver maior seletividade por parte dos investidores, que passam a privilegiar setores considerados mais seguros, como a ind\u00fastria extrativa, deixando outros setores com menor capacidade de atrair investimentos\u201d, acrescentou. Foia avan\u00e7ou ainda que essa din\u00e2mica pode refor\u00e7ar o fen\u00f4meno conhecido como \u201ceconomia de duas velocidades\u201d, em que megaprojetos ligados aos recursos naturais apresentam forte dinamismo, enquanto os setores como agricultura, ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e servi\u00e7os continuam com crescimento limitado. Desvaloriza\u00e7\u00e3o do metical pode pressionar infla\u00e7\u00e3o Outro ponto de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda nacional. Embora n\u00e3o represente necessariamente uma nova crise econ\u00f4mica, a deprecia\u00e7\u00e3o cambial pode ter impactos significativos sobre a infla\u00e7\u00e3o e o custo de vida. No relat\u00f3rio mais recente, a Oxford Economics avan\u00e7ou que prev\u00ea uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do metical de cerca de 25% at\u00e9 o final do ano. Contudo, previs\u00e3o igual j\u00e1 havia sido feita em Janeiro quanto a consultora alertou que Mo\u00e7ambique poder\u00e1 enfrentar uma desvaloriza\u00e7\u00e3o gradual, como resposta \u00e0 acentuada escassez de reservas em moeda externa e \u00e0 sobrevaloriza\u00e7\u00e3o cambial que tem marcado os \u00faltimos anos. Na ocasi\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o afirmou que a corre\u00e7\u00e3o cambial no Pa\u00eds poderia ser uma das condi\u00e7\u00f5es exigidas no \u00e2mbito das negocia\u00e7\u00f5es para um novo acordo de financiamento com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Nesse sentido, economistas ouvidos pelo DE destacaram que, em uma economia fortemente dependente de importa\u00e7\u00f5es \u2014 especialmente de combust\u00edveis, alimentos e bens intermedi\u00e1rios \u2014, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do metical tende a encarecer produtos importados e pressionar os pre\u00e7os no mercado interno. \u201cA deprecia\u00e7\u00e3o cambial pode aumentar o custo do servi\u00e7o da d\u00edvida externa, agravando as restri\u00e7\u00f5es fiscais e aumentando a percep\u00e7\u00e3o de risco dos investidores\u201d, frisaram. G\u00e1s natural pode melhorar perspectivas Apesar dos riscos apontados, economistas reconhecem que o potencial do g\u00e1s natural pode alterar significativamente as perspectivas econ\u00f4micas do Pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos, destacando que os projetos de explora\u00e7\u00e3o no Rovuma t\u00eam potencial para aumentar as exporta\u00e7\u00f5es, gerar receitas fiscais significativas e refor\u00e7ar as reservas internacionais, contribuindo para melhorar a balan\u00e7a de pagamentos. Mois\u00e9s Nhanombe lembrou que o Pa\u00eds ainda enfrenta desafios como baixa diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, depend\u00eancia de megaprojetos, fragilidades na gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e vulnerabilidade a choques externos, frisando igualmente que h\u00e1 tamb\u00e9m o risco da chamada \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d, quando a abund\u00e2ncia de recursos naturais pode prejudicar outros setores produtivos. \u201cO impacto positivo depender\u00e1 da qualidade da gest\u00e3o econ\u00f4mica e institucional, o g\u00e1s natural pode melhorar a percep\u00e7\u00e3o de risco no m\u00e9dio e longo prazo, mas n\u00e3o elimina por si s\u00f3 os desafios estruturais da economia\u201d, elucidou. Reformas estruturais seguem urgentes Diante desse cen\u00e1rio, economistas defendem que o Pa\u00eds precisa acelerar reformas estruturais para reduzir a percep\u00e7\u00e3o de risco e refor\u00e7ar a confian\u00e7a dos investidores. Entre as medidas consideradas priorit\u00e1rias est\u00e3o o fortalecimento da disciplina fiscal, maior transpar\u00eancia na gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, melhoria do ambiente de neg\u00f3cios e diversifica\u00e7\u00e3o da base produtiva. Foia destacou que o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e a estabilidade pol\u00edtica s\u00e3o igualmente fundamentais para melhorar a credibilidade econ\u00f4mica do Pa\u00eds, acrescentando que os investidores buscam por ambientes est\u00e1veis \u200b\u200be fortes que promovam o crescimento sustent\u00e1vel. Por sua vez, Mois\u00e9s Nhanombe considerou ser fundamental, em primeiro lugar, refor\u00e7ar a disciplina fiscal e a gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, garantindo maior transpar\u00eancia nas finan\u00e7as p\u00fablicas, controle do endividamento e melhor efici\u00eancia da despesa, de modo a restaurar a confian\u00e7a de credores internacionais, incluindo o FMI. Mois\u00e9s Nhanombe Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso diversificar a economia, reduzindo a depend\u00eancia de megaprojetos e poucos produtos de exporta\u00e7\u00e3o. O fortalecimento da agricultura, da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e das Pequenas e M\u00e9dias Empresas pode ampliar a base produtiva e aumentar a resili\u00eancia econ\u00f4mica. \u201cO Governo tem um papel central na recupera\u00e7\u00e3o da credibilidade econ\u00f4mica, atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de reformas institucionais que fortale\u00e7am a governan\u00e7a econ\u00f4mica, com maior foco para o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, melhoria da qualidade regulat\u00f3ria e fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es de controle, fatores essenciais para aumentar a confian\u00e7a dos investidores\u201d, ressaltou. Os especialistas tamb\u00e9m argumentaram que \u00e9 importante implementar pol\u00edticas econ\u00f4micas previs\u00edveis que garantam estabilidade cambial, controle da infla\u00e7\u00e3o e sustentabilidade fiscal. \u201cA gest\u00e3o transparente das receitas do g\u00e1s natural pode transformar esses recursos em investimentos produtivos, promovendo diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e crescimento sustent\u00e1vel\u201d, conclu\u00edram. Recentemente, a consultoria brit\u00e2nica revisou para baixo a previs\u00e3o de crescimento da economia mo\u00e7ambicana para 0,3% este ano, abaixo dos 2,5% estimados anteriormente. Apesar da expans\u00e3o de 4,67% registrada no \u00faltimo trimestre de 2025, a institui\u00e7\u00e3o antecipa agora um crescimento quase nulo em 2026. \u201cInfelizmente, prevemos que a economia de Mo\u00e7ambique enfrentar\u00e1 mais um ano dif\u00edcil em 2026\u201d, escreveram analistas da consultoria em coment\u00e1rio divulgado na segunda-feira, 2 de mar\u00e7o, sobre os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao \u00faltimo trimestre de 2025. Texto: Cleusia Chirindzaa dvertisement <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>advertisemen tA recente classifica\u00e7\u00e3o da consultoria internacional Oxford Economics, que coloca Mo\u00e7ambique entre as economias mais arriscadas da \u00c1frica, reacendeu o debate sobre a sustentabilidade macroecon\u00f4mica do Pa\u00eds e os desafios estruturais que seguem influenciando a confian\u00e7a dos investidores internacionais. 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