{"id":16928,"date":"2026-03-13T03:57:24","date_gmt":"2026-03-13T03:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/analistas-alertam-mocambique-esta-vulneravel-a-turbulencia-energetica-causada-pela-guerra-no-medio-oriente\/"},"modified":"2026-03-13T03:57:24","modified_gmt":"2026-03-13T03:57:24","slug":"analistas-alertam-mocambique-esta-vulneravel-a-turbulencia-energetica-causada-pela-guerra-no-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/analistas-alertam-mocambique-esta-vulneravel-a-turbulencia-energetica-causada-pela-guerra-no-medio-oriente\/","title":{"rendered":"&#8220;Mo\u00e7ambique Est\u00e1 Vulner\u00e1vel \u00e0 Turbul\u00eancia Energ\u00e9tica\u201d"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>advertisemen tA escalada militar no Oriente M\u00e9dio est\u00e1 pressionando os mercados globais de energia e pode se sentir novamente, diretamente, no bolso das fam\u00edlias mo\u00e7ambicanas. Analistas ouvidos pelo Di\u00e1rio Econ\u00f3mico dizem que o Pa\u00eds, por ser importador l\u00edquido de combust\u00edveis, \u201cest\u00e1 infelizmente exposto\u201d a este novo ciclo de instabilidade, num contexto em que o Estreito de Ormuz \u2014 uma das rotas mar\u00edtimas mais estrat\u00e9gicas do mundo \u2014 tem sido apontado como epicentro do choque energ\u00e9tico. Orlando Mazuze, especialista em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, considera que o conflito \u201ctem muito potencial\u201d para agravar o cen\u00e1rio global, ressaltando que \u201cj\u00e1 est\u00e1, inclusive, causando ou desencadeando uma crise energ\u00e9tica no n\u00edvel sist\u00eamico\u201d. Em sua leitura, o risco nasce do fato de o palco da guerra coincidir com a regi\u00e3o onde est\u00e3o \u201cos maiores produtores de petr\u00f3leo em n\u00edvel global\u201d. \u201cO palco do conflito, que \u00e9 a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e a regi\u00e3o do Golfo, \u00e9 o mesmo local em que est\u00e3o pa\u00edses como Ar\u00e1bia Saudita, o pr\u00f3prio Ir\u00e3, Iraque e Emirados \u00c1rabes Unidos\u201d, disse, defendendo que a instabilidade tende a reduzir produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o. \u201cEsse conflito causa instabilidade na regi\u00e3o e reduz drasticamente a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, e reduzindo essa produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reduz a exporta\u00e7\u00e3o dele. Logo acaba afetando a oferta de petr\u00f3leo para o mundo.\u201d A l\u00f3gica do mercado, sustentada, \u00e9 imediata: \u201cQuando a oferta for baixa, a demanda ser\u00e1 maior e automaticamente o pre\u00e7o tamb\u00e9m subir\u00e1.\u201d E, por ser \u201cum bem essencial para todas as economias\u201d, Mazuze entende que o efeito se multiplica rapidamente para al\u00e9m do petr\u00f3leo e do g\u00e1s. Ormuz e o risco nas rotas mar\u00edtimas Na mesma an\u00e1lise, Mazuze d\u00e1 \u00eanfase especial ao Estreito de Ormuz, por onde passa parte relevante do com\u00e9rcio mundial de energia. \u201cNa regi\u00e3o do Golfo encontramos um estreito extremamente relevante, o Estreito de Ormuz, que \u00e9 respons\u00e1vel pelo transporte de 20% de todo o petr\u00f3leo que \u00e9 produzido mundialmente\u201d, disse. Para o especialista, o impacto da guerra n\u00e3o \u00e9 medido apenas pela produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela inseguran\u00e7a nas rotas. \u201cO mar \u00e9 uma plataforma importante e indispens\u00e1vel no com\u00e9rcio internacional, cerca de 80% do com\u00e9rcio internacional acontece pelo mar. Portanto, o mar acaba sendo a maior rodovia do mundo em termos comerciais\u201d, disse, defendendo que qualquer perturba\u00e7\u00e3o mar\u00edtima tem reflexo nos custos e prazos de entrega. No mesmo sentido, Wilker Dias, analista pol\u00edtico nacional e internacional e professor da Universidade Alberto Chipande, avalia que a instabilidade nas rotas \u201cpode comprometer a economia do Pa\u00eds\u201d, porque obriga empresas a buscar alternativas mais longas e caras. \u201cAs empresas precisam usar vias alternativas, rotas mais longas, custos mais altos e demora na entrega dos produtos\u201d, ressaltou. Estreito de Ormuz segue no centro das aten\u00e7\u00f5es do mercado de energia Combust\u00edveis, alimentos e infla\u00e7\u00e3o: \u201cefeito domin\u00f3\u201d Para Mazuze, a alta do petr\u00f3leo se traduz rapidamente no aumento do custo de vida. \u201cSe o petr\u00f3leo sobe automaticamente, os combust\u00edveis ficam mais caros. Ficando os combust\u00edveis mais caros, entramos numa situa\u00e7\u00e3o em que o transporte e os alimentos tamb\u00e9m aumentam de pre\u00e7o. E a infla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ir\u00e1 subir. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um efeito domin\u00f3\u201d, declarou. O especialista ressalta que o encarecimento dos transportes (mar\u00edtimo, a\u00e9reo e terrestre) tende a se refletir no pre\u00e7o final dos produtos: \u201c\u00c9 atrav\u00e9s dos combust\u00edveis que os bens s\u00e3o transportados, e quanto mais caro o combust\u00edvel for tamb\u00e9m ser\u00e1 o pre\u00e7o do produto final.\u201d Wilker Dias concorda com o risco de piora do custo de vida, principalmente em um contexto de eventual escassez. \u201cSeremos obrigados diante de uma escassez de combust\u00edvel, obrigados a subir os custos\u201d, afirmou, acrescentando que a press\u00e3o se sente tamb\u00e9m nos transportes p\u00fablicos: \u201cOs cidad\u00e3os que n\u00e3o t\u00eam carro particular v\u00e3o sofrer com o custo do transporte.\u201d Quanto \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, deixou o aviso: \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o pode ser afetada e o setor industrial que depende de combust\u00edveis tamb\u00e9m pode vir a sofrer.\u201d Metical sob press\u00e3o e investidores mais cautelosos Wilker Dias tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o impacto cambial. Em sua leitura, uma alta nos pre\u00e7os internacionais pode aumentar a demanda por divisas para importa\u00e7\u00e3o, com efeitos no metical. \u201cSe os pre\u00e7os sobem haver\u00e1 necessidade de se tirar mais o metical para comprar d\u00f3lares, o que pode causar press\u00e3o e at\u00e9 desvaloriza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel cambial\u201d, disse. O analista acrescenta que a infla\u00e7\u00e3o pode ganhar for\u00e7a em um cen\u00e1rio de choque energ\u00e9tico: \u201cIsso tamb\u00e9m pode gerar infla\u00e7\u00e3o e a infla\u00e7\u00e3o acaba causando custos altos na carteira dos cidad\u00e3os.\u201d Do lado do investimento, Wilker Dias prev\u00ea maior prud\u00eancia. \u201cEsse conflito pode afetar o investimento internacional, porque pode existir maior cautela por parte dos investidores\u201d, disse. E detalhou onde pode causar mais dano: \u201cOs grandes projetos econ\u00f4micos dependem muito das importa\u00e7\u00f5es, e se as importa\u00e7\u00f5es tenderem a demorar v\u00e3o estender o prazo do investimento.\u201d Al\u00e9m do tempo, ele aponta o custo: \u201c\u00c9 o aumento do custo dos equipamentos por conta da importa\u00e7\u00e3o \u2013 se falta combust\u00edvel, os pre\u00e7os tamb\u00e9m sobem.\u201d Mazuze, por sua vez, enquadra a situa\u00e7\u00e3o como t\u00edpica de um sistema de \u201cinterdepend\u00eancia\u201d entre Estados: \u201cA rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre os Estados e o sistema internacional \u00e9 de interdepend\u00eancia, e quando um conflito eclode, o outro Estado acaba sentindo um impacto importante.\u201d Para Mo\u00e7ambique, arremata, o risco \u00e9 estrutural: \u201cMo\u00e7ambique est\u00e1 infelizmente exposto, exatamente porque depende da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e tamb\u00e9m do pr\u00f3prio g\u00e1s natural para a manuten\u00e7\u00e3o de sua economia.\u201d \u201cTer reservas n\u00e3o \u00e9 ter seguran\u00e7a energ\u00e9tica\u201d Questionado sobre oportunidades para pa\u00edses com recursos energ\u00e9ticos, Mazuze diz que o contexto pode mudar pap\u00e9is estrat\u00e9gicos, mas distingue reservas de capacidade real. \u201cH\u00e1 aqui uma disson\u00e2ncia entre a abund\u00e2ncia desses recursos e a capacidade produtiva\u201d, disse. E disse que Mo\u00e7ambique, apesar de estar bem colocado em reservas de g\u00e1s, continua vulner\u00e1vel: \u201cTer abund\u00e2ncia de recursos naturais n\u00e3o significa ter soberania ou seguran\u00e7a energ\u00e9tica.\u201d Para o especialista, a resposta \u00e9 construir capacidade interna e priorizar o mercado dom\u00e9stico: \u201cPensar na possibilidade de, antes de exportar, abastecer o mercado dom\u00e9stico e exportar o excedente.\u201d Wilker Dias, por sua vez, evitou previs\u00f5es fechadas sobre aumentos imediatos no mercado interno, mas associou o risco ao fator tempo e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o. \u201cTudo depender\u00e1 do n\u00edvel de reservas existentes e tamb\u00e9m sobre como estar\u00e1 a retomada da circula\u00e7\u00e3o no Estreito de Ormuz\u201d, afirmou, acrescentando: \u201cSe isso n\u00e3o for resolvido em menos de um m\u00eas poder\u00e1 trazer grandes complica\u00e7\u00f5es em nosso sistema de combust\u00edveis e em outras \u00e1reas.\u201d Contexto do conflito e impactos j\u00e1 observados nos mercados Nos \u00faltimos dias, a guerra no Oriente M\u00e9dio entrou em uma fase de escalada que afetou diretamente a navega\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de energia. Segundo informa\u00e7\u00f5es noticiadas por ag\u00eancias internacionais, o atual conflito entre Estados Unidos, Israel e Ir\u00e3 teria come\u00e7ado em 28 de fevereiro de 2026, e a tens\u00e3o se intensificou com incidentes e ataques ligados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, incluindo relatos de minas e ataques a embarca\u00e7\u00f5es no Estreito de Ormuz. Essa instabilidade causou forte volatilidade nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, com relatos de altas acentuadas e momentos em que os pre\u00e7os tocaram n\u00edveis n\u00e3o vistos desde 2022, em um ambiente de temor quanto ao prolongamento das disrup\u00e7\u00f5es na oferta e no transporte. A crise tamb\u00e9m levou a uma resposta coordenada de emerg\u00eancia: a Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA) anunciou uma libera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de reservas estrat\u00e9gicas, com refer\u00eancia a um grande pacote para tentar estabilizar o mercado. Al\u00e9m do petr\u00f3leo, h\u00e1 sinais de disrup\u00e7\u00f5es em cadeias de suprimentos e outros mercados de commodities, com empresas reorientando fluxos log\u00edsticos diante de restri\u00e7\u00f5es no corredor do Golfo. \u00c9 nesse ambiente \u2014 de disrup\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e custos log\u00edsticos em alta \u2014 que analistas mo\u00e7ambicanos ouvidos por nossa reportagem colocam Mo\u00e7ambique entre os pa\u00edses mais expostos, alertando para press\u00f5es no pre\u00e7o dos combust\u00edveis, no custo de vida, no c\u00e2mbio e no investimento. O governo garantiu que os pre\u00e7os dos combust\u00edveis no mercado nacional devem permanecer inalterados pelo menos at\u00e9 o final de abril, garantindo que as reservas atualmente dispon\u00edveis sejam suficientes para garantir o funcionamento normal da economia at\u00e9 o in\u00edcio de maio. Segundo o secret\u00e1rio estadual de Tesouro e Or\u00e7amento, Am\u00edlcar Tivane, o Pa\u00eds tem cerca de 75 mil toneladas de combust\u00edveis no mercado e aproximadamente 85 mil toneladas armazenadas nos terminais oce\u00e2nicos, volumes que permitem assegurar o abastecimento interno no curto prazo. Texto: Cleusia Chirindza &#038; Felisberto Rucoa dvertisement <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>advertisemen tA escalada militar no Oriente M\u00e9dio est\u00e1 pressionando os mercados globais de energia e pode se sentir novamente, diretamente, no bolso das fam\u00edlias mo\u00e7ambicanas. 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