{"id":18440,"date":"2026-03-28T12:53:35","date_gmt":"2026-03-28T12:53:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/servicos-de-apoio-domiciliario-sofrem-com-falta-de-profissionais-e-baixos-salariosutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-03-28T12:53:35","modified_gmt":"2026-03-28T12:53:35","slug":"servicos-de-apoio-domiciliario-sofrem-com-falta-de-profissionais-e-baixos-salariosutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/servicos-de-apoio-domiciliario-sofrem-com-falta-de-profissionais-e-baixos-salariosutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Servi\u00e7os de apoio domicili\u00e1rio sofrem com falta de"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_6988a225cfbb1.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjoyNDA5LCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxMzU1LCJjcm9wWCI6ODUsImNyb3BZIjoyMzh9fQ==\" \/><\/p>\n<p>                                                    O estudo &#8220;(Re)Imaginar os Cuidados no Domic\u00edlio em Portugal&#8221;, realizado por Maria Irene Carvalho e Carla Ribeirinho, do Instituto Superior de Ci\u00eancias Sociais e Pol\u00edticas da Universidade de Lisboa, analisou 510 Servi\u00e7os de Apoio Domicili\u00e1rio (SAD), onde trabalham 9.134 profissionais, uma m\u00e9dia de 7,36 por organiza\u00e7\u00e3o. A maioria s\u00e3o ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta (41%) e ajudantes familiares (17,8%), com contratos efetivos em 85,5% dos casos. Os sal\u00e1rios m\u00e9dios variam de R$ 871 a R$ 899 e a carga hor\u00e1ria semanal \u00e9 majoritariamente de 31 a 40 horas para 76,5% dos profissionais. A forma\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 adquirida principalmente na pr\u00e1tica (43,9% frequentemente, 25,3% muito frequentemente) e por meio de forma\u00e7\u00e3o continuada promovida pelas organiza\u00e7\u00f5es (40,4%), segundo o estudo desenvolvido no \u00e2mbito do programa Science4Policy, financiado pelo PLANAPP &#8211; Centro de Planejamento e de Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia. As dificuldades de contrata\u00e7\u00e3o de ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta e familiares s\u00e3o frequentes em todos os setores e territ\u00f3rios, ocorrendo regularmente em 54,7% das organiza\u00e7\u00f5es e de forma pontual em 31,2%. A carreira profissional \u00e9 definida em 51,2% dos SAD, especialmente no setor sem fins lucrativos e em territ\u00f3rios mistos ou rurais, enquanto nos SAD lucrativos, a inexist\u00eancia de carreira afeta 6,5% das organiza\u00e7\u00f5es, diz o estudo, que destaca a necessidade de regulamentar a profiss\u00e3o de ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta e familiar. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, Carla Ribeirinho afirmou que o estudo evidencia &#8220;uma fragilidade imensa de enquadramento, de forma\u00e7\u00e3o, de capacita\u00e7\u00e3o de profissionais&#8221;. &#8220;\u00c9 como se fosse uma \u00e1rea, \u00e0s vezes, pantanosa, em que n\u00e3o tem carreira profissional, n\u00e3o tem reconhecimento, n\u00e3o tem valoriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o, um abuso claro&#8221;, criticou. Para Carla Ribeirinho, &#8220;\u00e9 uma \u00e1rea pantanosa&#8221; que n\u00e3o basta financiar, ainda que o financiamento seja uma das grandes recomenda\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 preciso regular, \u00e9 preciso capacitar as organiza\u00e7\u00f5es, os profissionais&#8221;, garantindo que &#8220;as pessoas s\u00e3o o centro do processo&#8221;. &#8220;A gente sempre demoniza que as pessoas est\u00e3o trancadas em institui\u00e7\u00f5es e que n\u00e3o vivem. Mas o que estamos fazendo com as pessoas idosas no domic\u00edlio, quando vamos l\u00e1 no toca e foge duas vezes por dia, ou tr\u00eas no m\u00e1ximo, levar a marmita, trocar uma fralda? Isso para mim n\u00e3o \u00e9 envelhecer com dignidade&#8221;, observou. Contudo, disse que n\u00e3o se pode exigir das organiza\u00e7\u00f5es &#8220;que fa\u00e7am mais, que fa\u00e7am melhor e que o fa\u00e7am em dignidade de quem cuida e de quem \u00e9 cuidado&#8221;, quando s\u00e3o &#8220;completamente desprovidas&#8221; de um acompanhamento t\u00e9cnico e de um modelo de cuidados de longa dura\u00e7\u00e3o mais integrado e diferenciador. Dos 510 SAD analisados, 85,9% s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, 8,6% lucrativas e 5,5% mistas. Sua popula\u00e7\u00e3o-alvo inclui pessoas com 65 anos ou mais (96%), pessoas com dem\u00eancia (67,3%), dependentes permanentes (62,3%) ou tempor\u00e1rios (59,9%), pessoas com defici\u00eancia (53,3%), com doen\u00e7a mental (36,5%) e cuidadores informais (10,2%). O estudo indica ainda que apenas 44,1% dos SAD atingem a capacidade m\u00e1xima. Entre os que n\u00e3o atingem, 38% apontam falta de demanda para determinados servi\u00e7os e 15,9% falta de profissionais. Estudos de casos revelam que o SAD \u00e9 essencial para a perman\u00eancia no domic\u00edlio e para combater a solid\u00e3o, mas, apesar desse reconhecimento, h\u00e1 v\u00e1rios desafios, entre eles escassez de profissionais qualificados, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho no setor lucrativo, especialmente entre trabalhadoras estrangeiras, e a dificuldade de recrutamento em \u00e1reas rurais ou insulares. O financiamento atual n\u00e3o acompanha a complexidade das situa\u00e7\u00f5es, nem os custos log\u00edsticos de \u00e1reas rurais, urbanas ou das Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas. O estudo tamb\u00e9m sublinha a invisibilidade dos cuidadores informais, o baixo uso de tecnologias como teleassist\u00eancia e sistemas de avalia\u00e7\u00e3o formal da qualidade, e a necessidade de modelos integrados de cuidados de longa dura\u00e7\u00e3o que garantam dignidade e reduzam desigualdades no acesso aos SAD. Leia Tamb\u00e9m: Home Care. Usu\u00e1rios com menos recursos s\u00f3 recebem atendimento 1h\/dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo &#8220;(Re)Imaginar os Cuidados no Domic\u00edlio em Portugal&#8221;, realizado por Maria Irene Carvalho e Carla Ribeirinho, do Instituto Superior de Ci\u00eancias Sociais e Pol\u00edticas da Universidade de Lisboa, analisou 510 Servi\u00e7os de Apoio Domicili\u00e1rio (SAD), onde trabalham 9.134 profissionais, uma m\u00e9dia de 7,36 por organiza\u00e7\u00e3o. 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