{"id":19526,"date":"2026-04-10T04:02:30","date_gmt":"2026-04-10T04:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ceo-talks-mocambique-tem-potencial-para-dar-um-salto-mas-precisa-de-transformar-confianca-em-investimento-nuno-saraiva-pinto-deloitte\/"},"modified":"2026-04-10T04:02:30","modified_gmt":"2026-04-10T04:02:30","slug":"ceo-talks-mocambique-tem-potencial-para-dar-um-salto-mas-precisa-de-transformar-confianca-em-investimento-nuno-saraiva-pinto-deloitte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ceo-talks-mocambique-tem-potencial-para-dar-um-salto-mas-precisa-de-transformar-confianca-em-investimento-nuno-saraiva-pinto-deloitte\/","title":{"rendered":"\u201cMo\u00e7ambique Tem Potencial Para Dar um Salto, Mas Precisa de"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>Em seus primeiros 100 dias como Country Managing Partner da Deloitte em Mo\u00e7ambique, Nuno Saraiva Pinto, defende uma agenda baseada em proximidade, robustez t\u00e9cnica, talento local e inova\u00e7\u00e3o. Nesta conversa com a revista E&#038;M, ele tra\u00e7a uma leitura pragm\u00e1tica do momento econ\u00f4mico do Pa\u00eds, fala do papel dos grandes projetos na reconfigura\u00e7\u00e3o do ambiente de neg\u00f3cios e explica por que a tecnologia s\u00f3 cria valor verdadeiro quando baseada em processos bem desenhados, procedimentos claros e dados de qualidade. Como voc\u00ea olha para o momento que Mo\u00e7ambique atravessa e os caminhos de desenvolvimento que est\u00e3o se desenhando para os pr\u00f3ximos anos? Mo\u00e7ambique \u00e9 um Pa\u00eds extraordin\u00e1rio, com um potencial muito significativo. Tem escala, recursos naturais, uma longa costa, capacidade de crescimento e uma popula\u00e7\u00e3o que pode constituir uma base importante de m\u00e3o-de-obra para sustentar a economia. Mas esse potencial s\u00f3 se converte verdadeiramente em desenvolvimento se o Pa\u00eds conseguir atrair capital de forma consistente e em escala. A atra\u00e7\u00e3o de investimento depende muito da percep\u00e7\u00e3o de estabilidade e de previsibilidade. O investidor valoriza contextos claros, confian\u00e7a institucional e um quadro que reduza incertezas. Naturalmente, Mo\u00e7ambique enfrenta hoje restri\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micos relevantes, da escassez de divisas \u00e0 press\u00e3o sobre a balan\u00e7a de pagamentos, passando pelo desafio de criar empregos para uma popula\u00e7\u00e3o jovem que entra todos os anos no mercado de trabalho. Mas, ao mesmo tempo, h\u00e1 raz\u00f5es muito fortes para olhar para o futuro com otimismo. Grandes projetos, em particular na \u00e1rea de g\u00e1s, podem representar um ponto de viragem. N\u00e3o apenas pelo impacto direto que ter\u00e3o mais adiante, mas sobretudo pelo efeito de arrasto que podem gerar no emprego, nas cadeias de valor, na confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos e no ambiente geral de neg\u00f3cios. Esse impulso pode se estender a setores como energia, agricultura, turismo, log\u00edstica e infraestrutura. Um dos temas centrais em Mo\u00e7ambique continua sendo o da atra\u00e7\u00e3o de investimentos. Onde voc\u00ea identifica hoje os maiores bloqueios e as maiores oportunidades? H\u00e1 setores com potencial muito evidente. A agricultura \u00e9 um deles. Emprega uma parcela muito significativa da popula\u00e7\u00e3o, mas continua a apresentar n\u00edveis de produtividade relativamente baixos. Com mais investimento, mais mecaniza\u00e7\u00e3o, melhor uso de fertilizantes e maior organiza\u00e7\u00e3o, pode ter um impacto muito mais expressivo na economia. \u201cA tecnologia tem que ser uma alavanca de efici\u00eancia. N\u00e3o substitui a necessidade de processos otimizados, dados de qualidade e arquitetura bem estruturada\u201d O turismo \u00e9 outro exemplo claro. O Pa\u00eds tem ativos naturais \u00fanicos, da costa \u00e0s praias, passando pelo cen\u00e1rio Pa\u00edsag\u00edstico. Mas precisa melhorar fatores como a percep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, a conectividade a\u00e9rea, a qualidade das estradas e a capacita\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra. Em muitos casos, o potencial existe; o que falta \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es para que esse potencial se transforme em neg\u00f3cio. E depois h\u00e1 um aspecto muito importante: muitos investidores n\u00e3o abandonam a ideia de entrar em Mo\u00e7ambique. O que fazem, frequentemente, \u00e9 esperar o momento certo. Quando grandes grupos avan\u00e7am com investimentos em grande escala, isso funciona como um sinal para o mercado. \u00c9 quase uma valida\u00e7\u00e3o externa da oportunidade. E isso pode dar confian\u00e7a adicional a outros investidores para tomar suas decis\u00f5es. Como a Deloitte se posiciona diante desse novo ciclo de investimentos que o Pa\u00eds busca construir? Temos buscado posicionar a Deloitte como um parceiro capaz de acompanhar o investidor em todas as etapas do ciclo de investimento. Desde a an\u00e1lise inicial da oportunidade at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o, passando por auditoria, tributa\u00e7\u00e3o, contabilidade, risco, estrat\u00e9gia, estrutura\u00e7\u00e3o e tecnologia. Essa vis\u00e3o integrada \u00e9 importante porque muitos investidores precisam, mais do que nunca, de um parceiro que os ajude a navegar no contexto local com clareza e confian\u00e7a. Nossa ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 funcionar como um verdadeiro one stop shop, no sentido de podermos apoiar os clientes de forma transversal, ajudando-os a entender o mercado, enquadrar o investimento e executar com seguran\u00e7a. Essa capacidade se torna ainda mais relevante em um contexto em que Mo\u00e7ambique pode estar \u00e0 entrada de um novo ciclo econ\u00f4mico e de investimento. A tecnologia est\u00e1 mudando profundamente o setor de consultoria. Como essa transforma\u00e7\u00e3o j\u00e1 se reflete hoje na opera\u00e7\u00e3o da Deloitte em Mo\u00e7ambique? A tecnologia j\u00e1 est\u00e1 incorporada em praticamente todas as \u00e1reas de nossa atua\u00e7\u00e3o. Na auditoria, por exemplo, tem um peso crescente na execu\u00e7\u00e3o dos projetos. Nas \u00e1reas de compliance fiscal e cont\u00e1bil, tamb\u00e9m permite tornar processos mais eficientes, mais robustos e mais rigorosos. E, naturalmente, na consultoria, assume um papel ainda mais central. Mas h\u00e1 um ponto que considero essencial: a tecnologia n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. H\u00e1 setores, como o Banco, que, pelo grau de maturidade tecnol\u00f3gica, est\u00e3o mais preparados para incorporar IA em seus processos Antes de introduzir tecnologia, \u00e9 preciso garantir que os processos fa\u00e7am sentido e que os dados tenham qualidade. S\u00f3 a partir da\u00ed a tecnologia funciona verdadeiramente como alavanca de produtividade, efici\u00eancia e rigor. Essa \u00e9 a l\u00f3gica que tamb\u00e9m levamos aos clientes: primeiro otimizar, depois escalar com tecnologia. A Deloitte em Mo\u00e7ambique tamb\u00e9m se beneficia de sua integra\u00e7\u00e3o no cluster lus\u00f3fono da Deloitte, que \u00e9 uma plataforma muito robusta em termos de tecnologia. Isso nos permite trazer para o mercado local habilidades, oferta e capacidade de execu\u00e7\u00e3o que refor\u00e7am muito o que conseguimos fornecer aos clientes em Mo\u00e7ambique. Quando se fala em IA, que hoje \u00e9 um tema incontorn\u00e1vel, que leitura voc\u00ea faz do grau de maturidade do mercado mo\u00e7ambicano? Mo\u00e7ambique tem apetite por tecnologia. As organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam, os profissionais t\u00eam e os quadros jovens que recrutamos tamb\u00e9m demonstram essa abertura. Mas a conversa sobre intelig\u00eancia artificial precisa ser feita com realismo e com m\u00e9todo. Para aproveitar tecnologias como a IA, por exemplo, \u00e9 indispens\u00e1vel ter dados confi\u00e1veis, processos consistentes e uma arquitetura que fa\u00e7a sentido diante dos objetivos do neg\u00f3cio. Por isso, mais do que perguntar qual setor est\u00e1 mais avan\u00e7ado, \u00e9 importante entender em que est\u00e1gio de maturidade cada organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1. H\u00e1 setores, como o Banco, que j\u00e1 t\u00eam uma base tecnol\u00f3gica muito s\u00f3lida e podem usar IA em \u00e1reas como fraude ou controle de risco, mesmo que isso nem sempre seja vis\u00edvel para o cliente final. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 \u00e1reas como a sa\u00fade, onde certas solu\u00e7\u00f5es podem ter um impacto transformador, mesmo partindo de bases diferentes. No fim, a tecnologia vai impactar todos os setores. Em alguns casos, esse impacto ser\u00e1 muito vis\u00edvel; em outros, ser\u00e1 mais silencioso, mas n\u00e3o menos importante. O essencial \u00e9 garantir que sua introdu\u00e7\u00e3o responda a necessidades concretas e gere valor efetivo. Est\u00e1 completando os primeiros 100 dias \u00e0 frente da Deloitte em Mo\u00e7ambique. Qual o balan\u00e7o que voc\u00ea faz desse in\u00edcio e quais s\u00e3o as prioridades estrat\u00e9gicas para os pr\u00f3ximos anos? Se eu tivesse que resumir esses primeiros 100 dias em uma palavra, escolheria \u201cproximidade\u201d. Proximidade com as equipes, para alinhar vis\u00e3o, mobilizar pessoas e construir uma estrat\u00e9gia comum. E proximidade com os clientes, para transmitir a eles com clareza nossa vis\u00e3o para o futuro da Deloitte em Mo\u00e7ambique. Essa vis\u00e3o se baseia em quatro \u00e1reas fortes. A primeira \u00e9 a auditoria, com foco em rigor e credibilidade das organiza\u00e7\u00f5es. A segunda \u00e9 a tributa\u00e7\u00e3o, combinando compliance com um componente de advisory capaz de apoiar novos investimentos. A terceira est\u00e1 ligada a investimentos, finan\u00e7as corporativas, risco e estrat\u00e9gia. E a quarta \u00e9 a consultoria, onde a tecnologia assume um peso muito relevante. Queremos ter uma Deloitte robusta e equilibrada nessas quatro frentes. Isso \u00e9 decisivo porque os projetos de hoje est\u00e3o cada vez menos estanques. Muitos exigem equipes multidisciplinares, nas quais diferentes habilidades trabalham juntas para entregar uma solu\u00e7\u00e3o integrada, projetada sob medida para a necessidade do cliente. Essa estrat\u00e9gia tamb\u00e9m passa por uma aposta clara no talento local? Sem d\u00favida. Essa \u00e9 uma prioridade estrat\u00e9gica. Queremos continuar recrutando localmente, treinar quadros mo\u00e7ambicanos e construir uma base de talentos cada vez mais forte dentro da firma. Temos implementado programas de treinamento que n\u00e3o se limitam ao componente t\u00e9cnico. Elas tamb\u00e9m incluem \u00e9tica \u2014 que, para n\u00f3s, \u00e9 absolutamente inegoci\u00e1vel \u2014 e soft skills, como lideran\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de reuni\u00f5es. Al\u00e9m disso, quando os profissionais atingem certos marcos na carreira, eles passam a ter acesso a plataformas internacionais de treinamento da Deloitte, nomeadamente a Deloitte University EMEA, na Fran\u00e7a. Isso refor\u00e7a habilidades, acelera rotas e cria uma exposi\u00e7\u00e3o muito valiosa. A combina\u00e7\u00e3o entre aposta local e liga\u00e7\u00e3o internacional ser\u00e1 uma parte essencial do nosso crescimento emMo\u00e7ambique. Texto Pedro Cativelos \u2022 Fotografia Mariano Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seus primeiros 100 dias como Country Managing Partner da Deloitte em Mo\u00e7ambique, Nuno Saraiva Pinto, defende uma agenda baseada em proximidade, robustez t\u00e9cnica, talento local e inova\u00e7\u00e3o. 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