{"id":2148,"date":"2025-08-02T02:49:04","date_gmt":"2025-08-02T02:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/maternidade-e-trabalho-fazer-a-sopa-ou-responder-so-a-mais-um-e-mailutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-08-02T02:49:04","modified_gmt":"2025-08-02T02:49:04","slug":"maternidade-e-trabalho-fazer-a-sopa-ou-responder-so-a-mais-um-e-mailutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/maternidade-e-trabalho-fazer-a-sopa-ou-responder-so-a-mais-um-e-mailutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Fazer a sopa ou responder s\u00f3 a mais um e-mail?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_6889ead602ce4.jpg\" \/><br \/>&#8220;Todos os dias, muitas mulheres enfrentam esta escolha aparentemente banal, mas carregada de significado. Parece simples, mas por detr\u00e1s dessa pergunta moram anos de micro-decis\u00f5es que moldam carreiras, esgotam corpos e alimentam culpas.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nA maternidade e o trabalho continuam, muitas vezes, em tens\u00e3o.<br \/>\nO equil\u00edbrio aparece nas pol\u00edticas das empresas, nas brochuras dos RH, nos discursos p\u00fablicos. Mas no dia a dia, a realidade nem sempre acompanha a teoria: hor\u00e1rios reduzidos que s\u00e3o acompanhados de olhares enviesados, reuni\u00f5es marcadas \u00e0s 18h00, press\u00e3o subtil para estar sempre dispon\u00edvel. E a d\u00favida constante entre estar presente na vida dos filhos ou mostrar compromisso com o trabalho.<br \/>\nA pandemia trouxe, de forma inesperada, uma mudan\u00e7a abrupta nas rotinas profissionais.<br \/>\nMostrou que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com flexibilidade, autonomia e foco em resultados. Em muitos contextos, funcionou bem &#8211; at\u00e9 melhor do que o esperado. Novos h\u00e1bitos ganharam espa\u00e7o, como a comunica\u00e7\u00e3o ass\u00edncrona e a gest\u00e3o mais personalizada do tempo. Por um momento, pareceu que est\u00e1vamos a caminhar para modelos mais adaptados \u00e0 diversidade de vidas que existem dentro das empresas.<br \/>\nHoje, no entanto, por todo o mundo, observa-se um movimento de regresso \u00e0 presen\u00e7a f\u00edsica nos escrit\u00f3rios. Muitas empresas t\u00eam decidido voltar a este modelo, invocando raz\u00f5es como o refor\u00e7o da colabora\u00e7\u00e3o, o fortalecimento da cultura organizacional, a mentoria de talento j\u00fanior &#8211; os jovens s\u00e3o a faixa et\u00e1ria que precisa de mais acompanhamento e \u00e0 dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil que sintam as mais-valias da aprendizagem, gerando total confian\u00e7a &#8211; ou a coes\u00e3o de equipas que, em modelos remotos, por vezes se fragmentam.<br \/>\nMas h\u00e1 tamb\u00e9m motivos mais simples &#8211; e igualmente humanos &#8211; que justificam esse regresso: o reencontro com colegas, o conv\u00edvio, a amizade e a partilha informal espont\u00e2nea que se perde nas videochamadas, a facilidade das conversas de corredor que resolvem d\u00favidas em segundos, a energia de uma sala cheia quando uma ideia entusiasmante surge, a constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es com clientes que, presencialmente, ganham outra proximidade.<br \/>\nS\u00e3o elementos que o remoto, por mais eficiente que seja, nem sempre consegue replicar. S\u00e3o argumentos v\u00e1lidos e consistentes com os desafios reais que muitas organiza\u00e7\u00f5es enfrentam. Ainda assim, a produtividade continua a medir-se por resultados concretos, n\u00e3o pelo tempo passado no computador. E talvez seja nesse equil\u00edbrio &#8211; entre presen\u00e7a e autonomia &#8211; que resida a chave para um futuro mais funcional e humano.<br \/>\nH\u00e1 tempos li uma reportagem que espelha algumas das tens\u00f5es associadas a este tema. Homens que optam por usufruir da licen\u00e7a parental, por exemplo, continuam a relatar consequ\u00eancias significativas: o \u201cJorge\u201d foi despedido no dia em que pediu hor\u00e1rio reduzido para cuidar da filha. Outro pai, \u201cArtur\u201d, regressou da licen\u00e7a com a sensa\u00e7\u00e3o de j\u00e1 n\u00e3o ser bem-vindo. Se estes casos levantam quest\u00f5es relevantes quando falamos de paternidade, imaginemos o que acontece com a maternidade, historicamente associada ao papel de cuidadora.<br \/>\nO mundo do trabalho tem vindo a experimentar novos formatos, procurando respostas para realidades cada vez mais diversas. Modelos como a semana de quatro dias, a comunica\u00e7\u00e3o ass\u00edncrona ou estruturas mais flex\u00edveis de gest\u00e3o de tempo t\u00eam sido testados em diferentes contextos, com resultados variados. Nem todas as experi\u00eancias se mant\u00eam, mas todas contribuem para um entendimento mais rico sobre o que funciona &#8211; e para quem funciona.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio olhar muito longe para encontrar quem esteja a tentar fazer diferente. \u00c0s vezes, essas hist\u00f3rias est\u00e3o mesmo ao nosso lado &#8211; nos colegas, nos l\u00edderes, nas equipas que ousam desafiar o formato tradicional e experimentar outra forma de estar. E talvez seja ouvindo estas experi\u00eancias, e reconhecendo a complexidade de cada uma, que conseguimos imaginar um futuro onde trabalhar e cuidar deixem de ser escolhas mutuamente exclusivas.&#8221;**Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa de 1990 em vigor desde 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Todos os dias, muitas mulheres enfrentam esta escolha aparentemente banal, mas carregada de significado. Parece simples, mas por detr\u00e1s dessa pergunta moram anos de micro-decis\u00f5es que moldam carreiras, esgotam corpos e alimentam culpas. \u00a0 A maternidade e o trabalho continuam, muitas vezes, em tens\u00e3o. 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