{"id":21825,"date":"2026-05-10T14:21:16","date_gmt":"2026-05-10T14:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/indice-da-fundec-revela-sector-privado-sob-forte-vulnerabilidade-economica\/"},"modified":"2026-05-10T14:21:16","modified_gmt":"2026-05-10T14:21:16","slug":"indice-da-fundec-revela-sector-privado-sob-forte-vulnerabilidade-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/indice-da-fundec-revela-sector-privado-sob-forte-vulnerabilidade-economica\/","title":{"rendered":"\u00cdndice da FUNDEC Revela Sector Privado Sob &#8220;Forte"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>a d v e r t i s e m e n tA Funda\u00e7\u00e3o para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) alertou que o sector privado continua a operar num ambiente de \u201celevada vulnerabilidade estrutural\u201d, marcado por baixa competitividade, fraco acesso ao cr\u00e9dito, desacelera\u00e7\u00e3o do investimento e elevados custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O alerta foi lan\u00e7ado esta sexta-feira (8), em Maputo, durante a apresenta\u00e7\u00e3o oficial do \u00cdndice de Competitividade Empresarial de Mo\u00e7ambique (ICEM) e do Rating Empresarial Financeiro (REF), conduzida pelo economista-chefe da institui\u00e7\u00e3o, Cl\u00e9sio Foia.<\/p>\n<p>Segundo o respons\u00e1vel, os indicadores revelam \u201cum quadro estruturalmente desafiante para o sector empresarial nacional, marcado por baixa competitividade sist\u00e9mica, fragilidade produtiva intersectorial e desacelera\u00e7\u00e3o do investimento produtivo\u201d. O ICEM registou 26,26 pontos no primeiro semestre de 2024, classifica\u00e7\u00e3o considerada cr\u00edtica pela FUNDEC. No segundo semestre do mesmo ano, o \u00edndice subiu para 30 pontos, mas continuou a reflectir \u201cfragilidades estruturais com n\u00edveis extremos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados posicionam-se para n\u00edveis extremos e cr\u00edticos, o que significa que o nosso tecido empresarial continua a operar em elevado n\u00edvel de vulnerabilidade estrutural, forte exposi\u00e7\u00e3o a choques macroecon\u00f3micos e limitada capacidade de expans\u00e3o sustentada\u201d, afirmou Cl\u00e9sio Foia. Os dados apresentados mostram que a agricultura, a ind\u00fastria transformadora e os transportes e log\u00edstica continuam entre os sectores mais afectados pela baixa produtividade e dificuldades de financiamento.<\/p>\n<p>Na agricultura, a produtividade por trabalhador caiu 45,6% entre o primeiro e o segundo semestre de 2024, passando de cerca de 8 mil meticais para 4 mil meticais por trabalhador. O investimento por trabalhador tamb\u00e9m recuou 28%. \u201cO sector agr\u00edcola continua marginalizado pelas diversas fontes de acesso ao financiamento\u201d, afirmou Foia, acrescentando que a matriz de risco dos bancos comerciais continua pouco ajustada \u00e0s necessidades do sector.<\/p>\n<p>A FUNDEC destacou igualmente que, apesar de empregar cerca de 70% da m\u00e3o-de-obra mo\u00e7ambicana, a agricultura enfrenta graves limita\u00e7\u00f5es estruturais, incluindo fraco acesso ao cr\u00e9dito, vulnerabilidade clim\u00e1tica, falta de infra-estruturas, baixa mecaniza\u00e7\u00e3o e dificuldades de uso da terra como garantia banc\u00e1ria. \u201cA agricultura \u00e9 a base do desenvolvimento de Mo\u00e7ambique, mas parece que est\u00e1 a ser marginalizada\u201d, declarou o economista.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio critica a forte depend\u00eancia da economia mo\u00e7ambicana em rela\u00e7\u00e3o aos megaprojectos extractivos<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria transformadora, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 considerado preocupante. Segundo a apresenta\u00e7\u00e3o, cada trabalhador do sector produz apenas cerca de 600 meticais por semestre, enquanto o investimento por trabalhador caiu 30% em 2024. \u201cA manufactura ainda \u00e9 um desafio estrutural da economia mo\u00e7ambicana\u201d, sublinhou Foia, defendendo maior aposta na agro-ind\u00fastria, energia, log\u00edstica e qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio critica ainda a forte depend\u00eancia da economia mo\u00e7ambicana em rela\u00e7\u00e3o aos megaprojectos extractivos, considerados pouco integrados no restante tecido produtivo nacional. \u201cA ind\u00fastria extractiva continua a funcionar como enclave econ\u00f3mico, com pouca liga\u00e7\u00e3o aos outros sectores da economia, promovendo uma economia de duas velocidades\u201d, afirmou. Segundo a FUNDEC, esta depend\u00eancia limita a cria\u00e7\u00e3o de emprego, reduz o efeito multiplicador interno e fragiliza a diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>O economista-chefe da institui\u00e7\u00e3o alertou ainda para os impactos dos elevados custos log\u00edsticos e de energia sobre a competitividade empresarial. \u201cCerca de 40% a 60% dos custos dos produtos est\u00e3o ligados \u00e0s infra-estruturas\u201d, referiu. O relat\u00f3rio destaca igualmente a forte informalidade da economia, citando dados segundo os quais 95% dos empregos formais continuam ausentes no Pa\u00eds. No sector financeiro, o Rating Empresarial Financeiro mostrou deteriora\u00e7\u00e3o ao longo de 2025. O indicador caiu de 46,64 pontos no primeiro trimestre para 39,8 pontos no quarto trimestre.<\/p>\n<p>Segundo a FUNDEC, o comportamento do \u00edndice reflecte menor dinamismo econ\u00f3mico, redu\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a empresarial e restri\u00e7\u00f5es de liquidez. \u201cAs empresas mo\u00e7ambicanas sentiram forte retrac\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito interno e permanecem vulner\u00e1veis a choques externos e internos\u201d, afirmou Foia.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o associou igualmente a deteriora\u00e7\u00e3o do ambiente empresarial \u00e0s tens\u00f5es p\u00f3s-eleitorais de 2024 e \u00e0 recess\u00e3o registada em 2025. \u201cTivemos tr\u00eas trimestres sucessivos de recess\u00e3o econ\u00f3mica e apenas um trimestre de alguma expans\u00e3o\u201d, explicou. O relat\u00f3rio aponta ainda que os sectores mais eleg\u00edveis ao cr\u00e9dito, como com\u00e9rcio e log\u00edstica, apresentam n\u00edveis elevados de incumprimento banc\u00e1rio, acima do limite de 5% recomendado pelo Banco de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Em contraste, sectores como agricultura e ind\u00fastria transformadora registam n\u00edveis de incumprimento relativamente baixos, mas continuam com acesso reduzido ao financiamento. \u201cOs sectores essenciais t\u00eam sido marginalizados do ponto de vista de acesso ao financiamento e n\u00e3o h\u00e1 uma matriz capaz de garantir sustentabilidade e transforma\u00e7\u00e3o dos sectores estruturantes da economia\u201d, afirmou o economista.<\/p>\n<p>Entre as principais recomenda\u00e7\u00f5es, a FUNDEC defende reformas regulat\u00f3rias e tribut\u00e1rias, expans\u00e3o dos fundos de garantia, refor\u00e7o das linhas de cr\u00e9dito produtivo, moderniza\u00e7\u00e3o das infra-estruturas, promo\u00e7\u00e3o da agro-ind\u00fastria, aprofundamento da inclus\u00e3o financeira e desenvolvimento do mercado de capitais. A institui\u00e7\u00e3o recomendou ainda a institucionaliza\u00e7\u00e3o dos indicadores ICEM e REF como instrumentos permanentes de monitoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e apoio \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancias.<\/p>\n<p>Durante o evento, a FUNDEC anunciou igualmente o lan\u00e7amento de concursos de Jovem Empreendedor e Jornalismo Investigativo, iniciativas destinadas a estimular inova\u00e7\u00e3o empresarial juvenil e aprofundar a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados econ\u00f3micos especializados. \u201cO sector privado enfrenta custos de capital extremamente elevados, energia, log\u00edstica, mat\u00e9ria-prima e falta de confian\u00e7a no mercado interno\u201d, concluiu Cl\u00e9sio Foia.<\/p>\n<p>Texto: Felisberto Rucoa d v e r t i s e m e n t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>a d v e r t i s e m e n tA Funda\u00e7\u00e3o para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) alertou que o sector privado continua a operar num ambiente de \u201celevada vulnerabilidade estrutural\u201d, marcado por baixa competitividade, fraco acesso ao cr\u00e9dito, desacelera\u00e7\u00e3o do investimento e elevados custos de produ\u00e7\u00e3o. O alerta foi lan\u00e7ado esta sexta-feira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18135,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,4545,16,18,794,4661],"tags":[4543,9,11,793,4660],"class_list":["post-21825","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-fundec","category-headline","category-mocambique","category-sector-privado","category-vulnerabilidade-econmica","tag-fundec","tag-headline","tag-mocambique","tag-sector-privado","tag-vulnerabilidade-econmica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21825\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}