{"id":22846,"date":"2026-05-19T23:48:18","date_gmt":"2026-05-19T23:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ignorar-pobreza-infantil-tem-impactos-a-longo-prazoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2026-05-19T23:48:18","modified_gmt":"2026-05-19T23:48:18","slug":"ignorar-pobreza-infantil-tem-impactos-a-longo-prazoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/ignorar-pobreza-infantil-tem-impactos-a-longo-prazoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Ignorar pobreza infantil &#8220;tem impactos a longo prazo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/640\/naom_53106c1388a95.webp\" \/><\/p>\n<p>                                                    Segundo o relat\u00f3rio &#8220;Portugal Balan\u00e7o Social 2025&#8221;, que tem por base dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), a taxa de risco de pobreza infantil baixou de 22,8% em 2008 para 17,8% em 2024, registando-se uma &#8220;tend\u00eancia global de redu\u00e7\u00e3o da pobreza infantil, embora persistam desafios espec\u00edficos na primeira inf\u00e2ncia, que poder\u00e1 exigir interven\u00e7\u00f5es direcionadas&#8221;. Por outro lado, no mesmo ano, 14,9% das crian\u00e7as pobres estavam em situa\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o material e social severa, um valor &#8220;quase seis vezes&#8221; maior que os 2,6% de crian\u00e7as n\u00e3o pobres afetadas. A taxa de priva\u00e7\u00e3o material e social afetava quase 30% das crian\u00e7as pobres, um percentual &#8220;quase quatro vezes maior do que nas crian\u00e7as n\u00e3o pobres (7,6%)&#8221;. Susana Peralta destacou algumas dimens\u00f5es da priva\u00e7\u00e3o material e social infantil, como por exemplo o fato de 22,6% das crian\u00e7as pobres n\u00e3o poderem convidar amigos de vez em quando para brincar e comer juntos ou 22,7% que n\u00e3o conseguem participar de viagens ou atividades escolares que n\u00e3o sejam gratuitas. &#8220;Isso quer dizer que metade das crian\u00e7as pobres n\u00e3o participa de uma atividade extracurricular ou de lazer de forma regular&#8221;, ressaltou. Ele ressaltou que isso demonstra &#8220;a quantidade de coisas que h\u00e1 para fazer junto \u00e0s fam\u00edlias pobres com crian\u00e7as&#8221;. &#8220;\u00c9 um mundo de pol\u00edticas p\u00fablicas e sabemos o que essas priva\u00e7\u00f5es nas crian\u00e7as fazem. Elas fazem adultos que v\u00e3o crescer com maior preval\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas ou com mais dificuldade de ter sucesso no mercado de trabalho&#8221;, alertou. Segundo Susana Peralta, as consequ\u00eancias da pobreza infantil s\u00e3o &#8220;uma das coisas mais bem documentadas da ci\u00eancia econ\u00f4mica&#8221;. A pobreza infantil &#8220;tem impactos de longo prazo nas habilidades cognitivas&#8221; e est\u00e1 relacionada a comportamentos de risco ou preval\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. &#8220;Devemos estar tendo muito mais aten\u00e7\u00e3o com o problema da pobreza infantil&#8221;, defendeu, acrescentando que &#8220;s\u00f3 se resolve com transfer\u00eancias sociais, dando dinheiro para as fam\u00edlias&#8221;. A economista e pesquisadora explicou que &#8220;a renda dos pais por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 suficiente, do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas, para resolver o problema da pobreza nas crian\u00e7as&#8221;. &#8220;\u00c9 perfeitamente imagin\u00e1vel e poss\u00edvel que uma fam\u00edlia que n\u00e3o \u00e9 pobre, quando nasce uma crian\u00e7a, se torne pobre, porque a\u00ed tem mais uma pessoa para alimentar e a renda n\u00e3o aumentou, porque crian\u00e7a n\u00e3o traz renda, s\u00f3 traz despesa&#8221;, exemplificou. Defendeu, portanto, que nunca ser\u00e1 poss\u00edvel resolver esse problema, &#8220;mesmo no pa\u00eds mais rico do mundo&#8221;, sem dar dinheiro para fam\u00edlias que t\u00eam crian\u00e7as. Em rela\u00e7\u00e3o aos dados globais do relat\u00f3rio, Susana Peralta destacou que &#8220;o pa\u00eds tem feito progressos not\u00e1veis \u200b\u200bnos \u00faltimos 20 anos&#8221;, apesar de &#8220;15,4% de pobres ainda ser muita gente vivendo na pobreza&#8221; e de continuarem a persistir &#8220;nichos de pobreza que s\u00e3o preocupantes&#8221;. Ele destacou que o poder de compra das fam\u00edlias aumentou em m\u00e9dia 25% nos \u00faltimos 10 anos, com &#8220;uma distribui\u00e7\u00e3o bastante inclusiva&#8221;, mas defendeu &#8220;que a maior parte disso deve ser explicada pelo bom desempenho da economia&#8221;. Apesar da evolu\u00e7\u00e3o positiva, persistem desigualdades, nomeadamente os &#8220;25% mais ricos (que) vivem com quase cinco vezes mais renda que os 10% mais pobres&#8221;. Segundo a pesquisadora, &#8220;um dos grandes problemas da pobreza \u00e9 sua transmiss\u00e3o&#8221;, justificando, portanto, uma &#8220;an\u00e1lise cuidadosa da priva\u00e7\u00e3o infantil&#8221;, j\u00e1 que &#8220;uma em cada seis crian\u00e7as com menos de cinco anos vive na pobreza&#8221;. Susana Peralta disse ainda que 1.500 mil pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza s\u00e3o muitas, com persistentes car\u00eancias habitacionais, de acesso a cuidados de sa\u00fade ou sem bem-estar emocional, o que demonstra que ainda &#8220;h\u00e1 imensas falhas&#8221; e &#8220;muito espa\u00e7o para pol\u00edticas p\u00fablicas intervirem para melhorar a sua qualidade de vida&#8221;. Leia Tamb\u00e9m: Pobreza baixa para 15,4%, mas desigualdades persistem em Portugal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o relat\u00f3rio &#8220;Portugal Balan\u00e7o Social 2025&#8221;, que tem por base dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), a taxa de risco de pobreza infantil baixou de 22,8% em 2008 para 17,8% em 2024, registando-se uma &#8220;tend\u00eancia global de redu\u00e7\u00e3o da pobreza infantil, embora persistam desafios espec\u00edficos na primeira inf\u00e2ncia, que poder\u00e1 exigir interven\u00e7\u00f5es direcionadas&#8221;. 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