{"id":23832,"date":"2026-06-03T03:55:46","date_gmt":"2026-06-03T03:55:46","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/mercado-financas-escassez-de-divisas-trava-economia-e-turismo\/"},"modified":"2026-06-03T03:55:46","modified_gmt":"2026-06-03T03:55:46","slug":"mercado-financas-escassez-de-divisas-trava-economia-e-turismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/mercado-financas-escassez-de-divisas-trava-economia-e-turismo\/","title":{"rendered":"Escassez de Divisas Trava Economia e Turismo \u2022 Di\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>advertisemen tEmpresas sem capacidade de pagar no exterior, companhias a\u00e9reas recuando e hot\u00e9is sob press\u00e3o: crise cambial exp\u00f5e fragilidades estruturais e afeta competitividade do Pa\u00eds. A escassez de divisas em Mo\u00e7ambique \u00e9 um problema inevit\u00e1vel. Empresas enfrentam dificuldades para importar, turismo perde f\u00f4lego e confian\u00e7a no mercado d\u00e1 sinais de eros\u00e3o. Para o economista da Confedera\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Econ\u00f4micas (CTA), Eduardo Sengo, o diagn\u00f3stico \u00e9 claro: \u201c\u00c9 um problema grave e que afeta o desempenho da economia\u201d. Apesar de o Pa\u00eds apresentar reservas internacionais consider\u00e1veis, o acesso \u00e0 moeda estrangeira segue limitado, revelando falhas estruturais na economia e na gest\u00e3o das receitas externas. Os n\u00fameros ajudam a entender parte do problema. Em 2023, a receita estimada com a exporta\u00e7\u00e3o de castanha de caju \u201cfoi de cerca de 200,9 milh\u00f5es de d\u00f3lares, mas apenas 57,3 milh\u00f5es foram reportados ao Banco de Mo\u00e7ambique\u201d, explica o economista, apontando para uma subavalia\u00e7\u00e3o de aproximadamente 143,6 milh\u00f5es. No n\u00edvel da balan\u00e7a comercial, houve melhorias aparentes. A cobertura das importa\u00e7\u00f5es pelas exporta\u00e7\u00f5es subiu para 87% em 2024. Mas o n\u00famero esconde fraquezas. \u201cA economia fora dos grandes projetos continua vulner\u00e1vel e altamente dependente de importa\u00e7\u00f5es\u201d, diz o especialista, lembrando que, sem o setor extrativo, a cobertura cai para apenas 22%. A depend\u00eancia de combust\u00edveis, que respondem por mais da metade das importa\u00e7\u00f5es, agrava ainda mais o quadro, expondo o Pa\u00eds a choques externos e \u00e0 volatilidade dos pre\u00e7os internacionais. Esse desequil\u00edbrio ajuda a explicar o d\u00e9ficit cr\u00f4nico da conta corrente, com importa\u00e7\u00f5es consistentemente maiores que as exporta\u00e7\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada. No mercado de c\u00e2mbio, a situa\u00e7\u00e3o piorou entre 2024 e 2025. A disponibilidade de moeda caiu, e as empresas passaram a enfrentar dificuldades reais para pagar fornecedores externos. Ao mesmo tempo, os bancos comerciais inverteram seu papel. Deixaram de injetar divisas e passaram a absorv\u00ea-las, retirando cerca de US$ 4,8 milh\u00f5es por dia do mercado. Apesar de alguma estabilidade no c\u00e2mbio oficial, os sinais de press\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis. \u201cNo mercado informal os pre\u00e7os sobem diariamente\u201d, e \u201calguns produtos foram descontinuados das prateleiras, por falta de divisas\u201d, ressalta Sengo. Falta de divisas condiciona turismo A escassez de divisas est\u00e1 tendo um impacto cada vez mais vis\u00edvel no turismo em Mo\u00e7ambique e pode comprometer a competitividade do Pa\u00eds como destino. Segundo operadores do setor, o problema, para o qual economistas alertam, \u00e9 que h\u00e1 empresas com dificuldades para fazer pagamentos no exterior. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 companhias a\u00e9reas reduzindo opera\u00e7\u00f5es e hot\u00e9is sob press\u00e3o para manter padr\u00f5es de qualidade. No mercado de c\u00e2mbio, a situa\u00e7\u00e3o piorou entre 2024 e 2025. A disponibilidade de moeda caiu, e as empresas passaram a enfrentar dificuldades reais para pagar fornecedores externos O l\u00edder da ag\u00eancia de viagens Cotur, Noor Momade, descreve uma situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o crescente: \u201cO impacto \u00e9 sentido diretamente na aquisi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os internacionais, em nossas rela\u00e7\u00f5es com companhias a\u00e9reas, plataformas globais e outros fornecedores no exterior\u201d. Companhias a\u00e9reas e hot\u00e9is j\u00e1 sentem o impacto Dados da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Transporte A\u00e9reo (IATA, sigla em ingl\u00eas) revelam que, em abril de 2025, Mo\u00e7ambique havia acumulado 205 milh\u00f5es de d\u00f3lares em receitas de companhias a\u00e9reas bloqueadas para repatria\u00e7\u00e3o \u2014 um aumento em rela\u00e7\u00e3o aos 127 milh\u00f5es de d\u00f3lares registrados seis meses antes. Mesmo ap\u00f3s alguma redu\u00e7\u00e3o, o valor ainda estava em cerca de US$ 91 milh\u00f5es, em outubro. No terreno, as consequ\u00eancias j\u00e1 s\u00e3o evidentes. Momade relata que algumas companhias a\u00e9reas come\u00e7aram a ajustar suas opera\u00e7\u00f5es. A Airlink admite suspender a venda de passagens em n\u00edvel local, enquanto a Emirates impediu que as ag\u00eancias mo\u00e7ambicanas emitam passagens. Outras, como Qatar Airways e Ethiopian Airlines, continuam operando, mas com restri\u00e7\u00f5es. \u201cH\u00e1 sinais cada vez mais evidentes de press\u00e3o sobre a pr\u00f3pria sustentabilidade das opera\u00e7\u00f5es das companhias a\u00e9reas\u201d, diz o diretor da Cotur. No setor hoteleiro, os problemas tamb\u00e9m se avolumam. O empres\u00e1rio Dado Gulamhussen, que foi diretor-geral de opera\u00e7\u00f5es do grupo VIP, em Mo\u00e7ambique, afirma que essas dificuldades j\u00e1 fazem parte do cotidiano. \u201cA escassez de divisas tem um impacto direto e profundo nas opera\u00e7\u00f5es do setor hoteleiro, particularmente na sua capacidade de honrar os compromissos assumidos com fornecedores internacionais e garantir a continuidade dos servi\u00e7os essenciais\u201d. Segundo ele, em um setor que depende de importa\u00e7\u00f5es, o impacto \u00e9 imediato. \u201cEssas restri\u00e7\u00f5es obrigam os operadores a adotar uma abordagem mais rigorosa e cautelosa na gest\u00e3o\u201d. A situa\u00e7\u00e3o afeta a qualidade do servi\u00e7o. \u201cCome\u00e7am a surgir sinais evidentes de press\u00e3o sobre os padr\u00f5es de qualidade, decorrentes da dificuldade de acesso a bens e servi\u00e7os importados\u201d, diz o empres\u00e1rio. Outra quest\u00e3o sens\u00edvel s\u00e3o as plataformas internacionais usadas para gest\u00e3o de servi\u00e7os tur\u00edsticos. \u201cQuaisquer restri\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 moeda estrangeira podem comprometer a visibilidade e a competitividade do destino no mercado global. Quando h\u00e1 problemas de pagamento, a incerteza e as dificuldades no planejamento operacional aumentam\u201d, explica Gulamhussen. Risco para competitividade e confian\u00e7a no investimento Os alertas tamb\u00e9m v\u00eam de fora. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) j\u00e1 indicou que a escassez de divisas est\u00e1 prejudicando a atividade econ\u00f4mica, enquanto o Banco Mundial apontou impactos negativos no com\u00e9rcio e no investimento. Para os operadores, o risco \u00e9 evidente. \u201cSe um turista se deparar com um destino com conex\u00f5es a\u00e9reas limitadas, ele pode simplesmente optar por outro\u201d, alerta Noor Momade. No que diz respeito ao investimento, o efeito \u00e9 semelhante: \u201cAs dificuldades em repatriar receitas e acessar moeda estrangeira minam a confian\u00e7a dos investidores em potencial\u201d. O presidente da Cotur ainda aponta um eventual ponto positivo: \u201cPode ser uma oportunidade para fortalecer a produ\u00e7\u00e3o local e repensar o modelo econ\u00f4mico\u201d. Quais as necessidades urgentes? Para Noor Momade, a prioridade \u00e9 \u201cmelhorar urgentemente a previsibilidade dos pagamentos no exterior\u201d, diz, pedindo uma \u201ccoordena\u00e7\u00e3o entre o Governo, o Banco de Mo\u00e7ambique, o setor banc\u00e1rio e os operadores de mercado para reduzir os estrangulamentos e dar confian\u00e7a ao mercado tur\u00edstico\u201d. Em um setor identificado pelo Banco Mundial como estrat\u00e9gico para o emprego e o crescimento, a crise cambial se torna um teste para a capacidade do Pa\u00eds de sustentar seu pr\u00f3prio desenvolvimento. Do lado das solu\u00e7\u00f5es, o Banco de Mo\u00e7ambique aumentou a taxa m\u00ednima de convers\u00e3o de receita de exporta\u00e7\u00e3o para 50%, na tentativa de injetar mais liquidez. A medida teve algum efeito, mas n\u00e3o resolve o problema central. Para Eduardo Sengo, a quest\u00e3o est\u00e1 na repatria\u00e7\u00e3o de receitas, principalmente de grandes projetos. \u201cCom uma taxa de cobertura de exporta\u00e7\u00e3o de cerca de 87%, Mo\u00e7ambique n\u00e3o deveria ter essas dificuldades\u201d, argumenta, sendo direto: \u201cO Banco de Mo\u00e7ambique deve instar os grandes projetos a repatriar receitas de exporta\u00e7\u00e3o\u201d. Atualmente, 66% das exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o concentradas no setor extrativo, o que refor\u00e7a a necessidade de controle e coordena\u00e7\u00e3o institucional. \u201cOs Minist\u00e9rios devem analisar, caso a caso, como est\u00e1 sendo tratada a receita de exporta\u00e7\u00e3o. Em casos de prevarica\u00e7\u00e3o, devem ser instados a repatriar os recursos\u201d, sustenta. Enquanto isso n\u00e3o acontece, a escassez de divisas continuar\u00e1 condicionando setores estrat\u00e9gicos como o turismo e limitando o crescimento econ\u00f4mico. Texto Germano Ndlovo \u2022 Fotografia DR <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>advertisemen tEmpresas sem capacidade de pagar no exterior, companhias a\u00e9reas recuando e hot\u00e9is sob press\u00e3o: crise cambial exp\u00f5e fragilidades estruturais e afeta competitividade do Pa\u00eds. A escassez de divisas em Mo\u00e7ambique \u00e9 um problema inevit\u00e1vel. Empresas enfrentam dificuldades para importar, turismo perde f\u00f4lego e confian\u00e7a no mercado d\u00e1 sinais de eros\u00e3o. Para o economista da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[396,536,29,288,16,5125,5126],"tags":[393,531,285,9,5123,5124],"class_list":["post-23832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divisas","category-em","category-financas","category-fmi","category-headline","category-iata","category-no-mercado-cambial","tag-divisas","tag-em","tag-fmi","tag-headline","tag-iata","tag-no-mercado-de-cambio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23832\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}