{"id":2910,"date":"2025-08-12T08:54:19","date_gmt":"2025-08-12T08:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/incendios-consomem-da-agricultura-a-saude-fatura-ja-vai-em-700-milhoesutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-08-12T08:54:19","modified_gmt":"2025-08-12T08:54:19","slug":"incendios-consomem-da-agricultura-a-saude-fatura-ja-vai-em-700-milhoesutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/incendios-consomem-da-agricultura-a-saude-fatura-ja-vai-em-700-milhoesutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios consomem da agricultura \u00e0 sa\u00fade. Fatura j\u00e1 vai em"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_689af1f59ad65.jpg\" \/><br \/>O calor n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas e as not\u00edcias dos \u00faltimos dias mostram que os inc\u00eandios tamb\u00e9m n\u00e3o. Da agricultura ao turismo, passando pela sa\u00fade e pela restaura\u00e7\u00e3o, o impacto das chamas \u00e9 evidente em v\u00e1rios setores e a fatura do impacto econ\u00f3mico ascende j\u00e1 aos 700 milh\u00f5es de euros, adiantou o presidente da Dire\u00e7\u00e3o Regional Norte da Ordem dos Economistas, Carlos Brito, ao Not\u00edcias ao Minuto.  Como ainda h\u00e1 muitos inc\u00eandios ativos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o final, mas &#8220;tomando em considera\u00e7\u00e3o a \u00e1rea ardida e estudos anteriores sobre custos t\u00edpicos de inc\u00eandios em Portugal&#8221;, Carlos Brito estima que o &#8220;impacto econ\u00f3mico, at\u00e9 ao momento, seja cerca de 700 milh\u00f5es de euros&#8221;. Segundo o economista, os setores mais penalizados s\u00e3o a &#8220;agricultura e a explora\u00e7\u00e3o florestal (devido \u00e0 perda de culturas, gado e madeira), o turismo e a restaura\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios afetados, os transportes e a energia\/comunica\u00e7\u00f5es (em virtude das vias cortadas e da necessidade de repara\u00e7\u00e3o das redes) e a sa\u00fade decorrente dos impactos a n\u00edvel respirat\u00f3rio e n\u00e3o s\u00f3 (quer nas popula\u00e7\u00f5es quer naqueles que combatem ativamente os inc\u00eandios)&#8221;. Em declara\u00e7\u00f5es ao Not\u00edcias ao Minuto, Carlos Brito explica que os inc\u00eandios t\u00eam &#8220;custos diretos, indiretos e sist\u00e9micos&#8221; e aponta para o impacto nas contas p\u00fablicas, referindo que &#8220;num ano com v\u00e1rios epis\u00f3dios severos, o saldo or\u00e7amental tende a piorar, como aconteceu noutros anos de grandes inc\u00eandios&#8221;. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o sobre o impacto econ\u00f3mico dos inc\u00eandios que deflagraram em Portugal nos \u00faltimos dias? At\u00e9 ao dia de hoje, 11 de agosto de 2025, a \u00e1rea ardida em Portugal continental \u00e9 de cerca de 60 mil hectares de acordo com informa\u00e7\u00e3o prestada pelo Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas. Em termos econ\u00f3micos ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o final uma vez que ainda h\u00e1 inc\u00eandios ativos\/rec\u00e9m\u2011resolvidos e as perdas diretas e indiretas s\u00f3 se podem apurar com rigor depois de vistorias e cruzamento de dados respeitantes a v\u00e1rias \u00e1reas (agricultura, empresas, turismo, sa\u00fade\u2026). No entanto, com a informa\u00e7\u00e3o existente d\u00e1 para ter uma ordem de grandeza. Assim, tomando em considera\u00e7\u00e3o a \u00e1rea ardida e estudos anteriores sobre custos t\u00edpicos de inc\u00eandios em Portugal, estimo que o impacto econ\u00f3mico, at\u00e9 ao momento, seja cerca de 700 milh\u00f5es de euros. Despesas com preven\u00e7\u00e3o rondam os 300 milh\u00f5es de euros anuais, um valor que \u00e9 perto de 10 vezes superior \u00e0quilo que se gastou no ano dos grandes inc\u00eandios de 2017 Qual \u00e9 o custo direto e indireto dos inc\u00eandios? Os inc\u00eandios rurais t\u00eam custos diretos, indiretos e sist\u00e9micos. Os diretos s\u00e3o aqueles que decorrem das despesas com o combate aos inc\u00eandios bem como da perda de bens (habita\u00e7\u00f5es, armaz\u00e9ns e outras infraestruturas) e de recursos florestais, agr\u00edcolas e animais. Os custos indiretos, com impacto a m\u00e9dio prazo, s\u00e3o os que resultam da quebra da atividade econ\u00f3mica, incluindo o turismo, e da menor capacidade para atrair e fixar residentes nas \u00e1reas afetadas. A par dos custos diretos e indiretos, h\u00e1 ainda a considerar o impacto sist\u00e9mico resultante quer da degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas naturais quer da perda de confian\u00e7a por parte da opini\u00e3o p\u00fablica nas institui\u00e7\u00f5es (Governo, autarquias, corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros\u2026). Para al\u00e9m destas tr\u00eas categorias de custos, h\u00e1 tamb\u00e9m a considerar as despesas com a preven\u00e7\u00e3o que devem ser encaradas como um investimento e n\u00e3o propriamente como um custo. Atualmente, as despesas com preven\u00e7\u00e3o rondam os 300 milh\u00f5es de euros anuais, um valor que \u00e9 perto de 10 vezes superior \u00e0quilo que se gastou no ano dos grandes inc\u00eandios de 2017. Quais s\u00e3o os setores mais penalizados? Os setores mais penalizados s\u00e3o a agricultura e a explora\u00e7\u00e3o florestal (devido \u00e0 perda de culturas, gado e madeira), o turismo e a restaura\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios afetados, os transportes e a energia\/comunica\u00e7\u00f5es (em virtude das vias cortadas e da necessidade de repara\u00e7\u00e3o das redes) e a sa\u00fade decorrente dos impactos a n\u00edvel respirat\u00f3rio e n\u00e3o s\u00f3 (quer nas popula\u00e7\u00f5es quer naqueles que combatem ativamente os inc\u00eandios). Num ano com v\u00e1rios epis\u00f3dios severos, o saldo or\u00e7amental tende a piorar, como aconteceu noutros anos de grandes inc\u00eandios Por consequ\u00eancia, qual \u00e9 o impacto nas contas p\u00fablicas? Como referido anteriormente, os custos diretos, indiretos e sist\u00e9micos t\u00eam um impacto ao n\u00edvel da atividade privada e p\u00fablica. No que diz respeito \u00e0s contas p\u00fablicas, os inc\u00eandios florestais implicam um aumento da despesa corrente dos meios de combate, do realojamento\/apoios de emerg\u00eancia, das indemniza\u00e7\u00f5es e programas de recupera\u00e7\u00e3o, de uma eventual diminui\u00e7\u00e3o das receitas em virtude da menor atividade econ\u00f3mica, incluindo o turismo, e ainda de poss\u00edveis benef\u00edcios fiscais tempor\u00e1rios que venham a ser concedidos. Num ano com v\u00e1rios epis\u00f3dios severos, o saldo or\u00e7amental tende a piorar, como aconteceu noutros anos de grandes inc\u00eandios. Para 2025, o efeito final depender\u00e1 da intensidade dos inc\u00eandios e da execu\u00e7\u00e3o or\u00e7amental dos apoios agora anunciados pelo que ainda \u00e9 muito cedo para se fazerem contas. A situa\u00e7\u00e3o de alerta implica uma travagem da atividade econ\u00f3mica A pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de alerta tem impacto na economia? Qual? Sim. Desde logo porque a preven\u00e7\u00e3o \u2013 que, neste \u00e2mbito, deve ser encarada como um investimento \u2013 implica despesa. Como salientado anteriormente, Portugal gasta atualmente cerca de 300 milh\u00f5es de euros em preven\u00e7\u00e3o. E depois porque a situa\u00e7\u00e3o de alerta implica uma travagem da atividade econ\u00f3mica decorrente da proibi\u00e7\u00e3o de trabalhos com maquinaria em espa\u00e7os florestais e nos demais espa\u00e7os rurais, da suspens\u00e3o de queimas e queimadas, da restri\u00e7\u00e3o de acesso a \u00e1reas florestais, do cancelamento de eventos pirot\u00e9cnicos bem como de outras atividades de risco ao ar livre. De que forma as pol\u00edticas p\u00fablicas podem ajudar a mitigar esses preju\u00edzos? As pol\u00edticas p\u00fablicas podem ser orientadas tanto para o curto como para o m\u00e9dio e longo prazo. No imediato elas podem traduzir-se em indemniza\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e simples para pequenos preju\u00edzos, linhas de cr\u00e9dito e adiantamentos para empresas e apoios espec\u00edficos ao turismo nas zonas afetadas. A n\u00edvel mais estrutural, as pol\u00edticas p\u00fablicas dever\u00e3o traduzir-se na valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da biomassa e do pastoreio, no reordenamento do territ\u00f3rio, na consolida\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e em incentivos \u00e0 atividade agroflorestal assente em esp\u00e9cies menos inflam\u00e1veis. O Governo j\u00e1 prometeu um apoio aos agricultores com preju\u00edzos at\u00e9 10 mil euros, sem comprovativos: como v\u00ea esta medida? \u00c9, sem d\u00favida, uma medida que deve ser saudada. As vantagens s\u00e3o \u00f3bvias: rapidez do apoio num momento cr\u00edtico e redu\u00e7\u00e3o das dificuldades ao n\u00edvel da tesouraria. Claro que h\u00e1 sempre o risco de haver comportamentos oportunistas que devem ser minimizados com valida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via por entidades p\u00fablicas (autarquias e comiss\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o e desenvolvimento regional), auditorias a posteriori, limite do montante dos apoios, cruzamento com sistemas de informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica para consist\u00eancia e processos r\u00e1pidos com coimas e eventual restitui\u00e7\u00e3o em caso de abusos. A regi\u00e3o Norte tem sido, por norma, mais afetada pelos inc\u00eandios: porqu\u00ea? Que pol\u00edticas deveriam ser adotadas para contrariar esta tend\u00eancia? S\u00e3o v\u00e1rios os fatores que explicam por que raz\u00e3o a regi\u00e3o Norte, em especial o seu interior, \u00e9 tendencialmente mais afetada: estrutura fundi\u00e1ria caracterizada por parcelas de menor dimens\u00e3o, muitas das quais em situa\u00e7\u00e3o de abandono, composi\u00e7\u00e3o florestal com predomin\u00e2ncia de eucalipto e pinheiro em mosaicos descont\u00ednuos, topografia acidentada e condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas de ver\u00e3o que favorecem a propaga\u00e7\u00e3o, isto sem esquecer um maior n\u00famero de igni\u00e7\u00f5es humanas, quer por neglig\u00eancia quer premeditadas. Leia Tamb\u00e9m: Mais de 1.700 operacionais combatiam os fogos mais preocupantes \u00e0s 4h15<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O calor n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas e as not\u00edcias dos \u00faltimos dias mostram que os inc\u00eandios tamb\u00e9m n\u00e3o. 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