{"id":2942,"date":"2025-08-12T14:22:29","date_gmt":"2025-08-12T14:22:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/simplificacao-de-despedimentos-cgtp-e-ugt-questionam-constitucionalidadeutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-08-12T14:22:29","modified_gmt":"2025-08-12T14:22:29","slug":"simplificacao-de-despedimentos-cgtp-e-ugt-questionam-constitucionalidadeutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/simplificacao-de-despedimentos-cgtp-e-ugt-questionam-constitucionalidadeutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Simplifica\u00e7\u00e3o de despedimentos? CGTP e UGT questionam"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_6874e293ab809.jpg\" \/><br \/>Os sindicatos contestam a simplifica\u00e7\u00e3o dos despedimentos por justa causa prevista no anteprojeto do Governo de revis\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o laboral, questionando a sua constitucionalidade e considerando tratar-se de uma &#8220;situa\u00e7\u00e3o extrema&#8221; de corte de direitos dos trabalhadores.  &#8220;Isto \u00e9 totalmente inaceit\u00e1vel&#8221;, afirmou Ana Pires, da Comiss\u00e3o Executiva da CGTP-IN, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 ag\u00eancia Lusa. Para a central sindical, &#8220;as entidades patronais j\u00e1 hoje t\u00eam grande facilidade em despedir, ao contr\u00e1rio daquilo que gostam de repetir at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, naquela estafada tese de que a legisla\u00e7\u00e3o laboral \u00e9 muito r\u00edgida&#8221;: &#8220;\u00c9 f\u00e1cil e barato despedir no nosso pa\u00eds e as sucessivas altera\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o t\u00eam vindo nesse sentido&#8221;, diz a dirigente sindical. Para Ana Pires, a agora pretendida dispensa de apresenta\u00e7\u00e3o de provas ou de audi\u00e7\u00e3o de testemunhas apresentadas pelo trabalhador num processo de despedimento desencadeado nas micro, pequenas e m\u00e9dias empresas &#8212; que representam 99,6% do tecido empresarial portugu\u00eas &#8212; \u00e9, mais do que uma simplifica\u00e7\u00e3o, uma &#8220;facilita\u00e7\u00e3o dos despedimentos&#8221;. &#8220;Porque \u00e9, mais ou menos, despedir um trabalhador e n\u00e3o ser obrigado a ouvir testemunhas, n\u00e3o ser obrigado a ter em conta o parecer de Comiss\u00e3o de Trabalhadores ou do sindicato em que o trabalhador \u00e9 sindicalizado. E pronto, ponto final. O trabalhador n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o para se defender, n\u00e3o se defende e \u00e9 despedido&#8221;, sustenta. Restando ao trabalhador o recurso \u00e0 via judicial, Ana Pires nota que tamb\u00e9m a este n\u00edvel h\u00e1 no pacote laboral do Governo &#8220;um conjunto de regras de assalto aos direitos que v\u00eam colocar mais limita\u00e7\u00f5es ainda&#8221;, nomeadamente no que respeita \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em caso de despedimento il\u00edcito. &#8220;O que est\u00e1 aqui em causa, quando se fala de um posto de trabalho e de um despedimento, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de o trabalhador fazer face \u00e0 sua vida. Tem a ver com uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, do sal\u00e1rio que ganha para conseguir sobreviver, pagar as suas contas e comer. N\u00e3o h\u00e1 c\u00e1 facilitismos. Quando h\u00e1 lugar a um procedimento disciplinar, tem que haver possibilidade da pessoa se defender. Isto \u00e9 da mais elementar justi\u00e7a e bom senso&#8221;, argumenta a dirigente sindical. Na mesma linha, a UGT rejeita o que diz ser um &#8220;aumento do poder discricion\u00e1rio&#8221; das empresas para, &#8220;de forma completamente gratuita, agir individualmente sobre um trabalhador&#8221;. &#8220;Quando uma empresa quer reestruturar, n\u00e3o \u00e9 pelo aumento daquilo que \u00e9 o seu poder discricion\u00e1rio, de forma completamente gratuita, e de agir individualmente sobre um trabalhador que ela conseguir\u00e1, de facto, tornar-se mais competitiva ou mais produtiva. \u00c9 com instrumentos coletivos, negociados, que chegaremos um pouco mais longe&#8221;, considera o secret\u00e1rio executivo da central sindical, Carlos Alves, ouvido pela Lusa. Defendendo que esta proposta &#8220;\u00e9 algo mais ideol\u00f3gico do que propriamente necess\u00e1rio&#8221;, a UGT refor\u00e7a que, &#8220;quando uma empresa quer ter capacidade de reestrutura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem necessidade de estar a escolher os trabalhadores um a um para os despedir&#8221;, dispondo de &#8220;um processo pr\u00f3prio para o efeito&#8221; &#8211; o despedimento coletivo &#8212; &#8220;que em Portugal at\u00e9 \u00e9 mais flex\u00edvel do que na generalidade dos pa\u00edses&#8221;. &#8220;Esta proposta o que faz simplesmente \u00e9 novamente tentar desequilibrar a balan\u00e7a do poder, e desta vez indo a algo que \u00e9 extremamente central em todo o direito do trabalho e para a vida dos trabalhadores, que \u00e9 a seguran\u00e7a nos seus postos de trabalho&#8221;, acusa. E, embora ressalvando caber ao Tribunal Constitucional apreciar eventuais inconstitucionalidades, a UGT entende que esta e outras normas previstas no anteprojeto do Governo &#8220;se afiguram inconstitucionais ou a raiar a inconstitucionalidade&#8221;, numa posi\u00e7\u00e3o partilhada pela CGTP, que espera que estas medidas &#8220;andem para tr\u00e1s e caiam&#8221; ainda antes da quest\u00e3o da constitucionalidade se vir a colocar. &#8220;\u00c9 este trabalho que agora vamos fazer, n\u00e3o s\u00f3 na discuss\u00e3o que se avizinha no quadro da concerta\u00e7\u00e3o social, mas tamb\u00e9m mobilizando os trabalhadores, dando-lhes conhecimento e preparando-os para trazer para a rua tamb\u00e9m a luta contra estas medidas&#8221;, sustentou Ana Pires. Globalmente, as duas centrais sindicais encaram o pacote laboral do Governo como um &#8220;assalto aos direitos&#8221; dos trabalhadores em \u00e1reas que v\u00e3o desde os hor\u00e1rios de trabalho ao fomento da precariedade, bloqueio da contrata\u00e7\u00e3o coletiva, facilita\u00e7\u00e3o da caducidade dos contratos e ataque \u00e0 liberdade sindical e ao direito de greve. &#8220;No fundo, aquilo de que estamos a falar \u00e9 de uma desregula\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e da rela\u00e7\u00e3o entre empregador e trabalhador&#8221;, afirma o secret\u00e1rio executivo da UGT, para quem &#8220;desde os tempos da &#8216;troika&#8217; que n\u00e3o h\u00e1 um ataque t\u00e3o sistem\u00e1tico a um princ\u00edpio basilar do direito de trabalho e da Constitui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o princ\u00edpio da seguran\u00e7a no emprego&#8221;. Leia Tamb\u00e9m: Governo pede abertura de inqu\u00e9rito a caso de mulher que deu \u00e0 luz na rua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sindicatos contestam a simplifica\u00e7\u00e3o dos despedimentos por justa causa prevista no anteprojeto do Governo de revis\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o laboral, questionando a sua constitucionalidade e considerando tratar-se de uma &#8220;situa\u00e7\u00e3o extrema&#8221; de corte de direitos dos trabalhadores. &#8220;Isto \u00e9 totalmente inaceit\u00e1vel&#8221;, afirmou Ana Pires, da Comiss\u00e3o Executiva da CGTP-IN, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 ag\u00eancia Lusa. 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