{"id":3091,"date":"2025-08-14T03:27:04","date_gmt":"2025-08-14T03:27:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/seguro-agricola-em-mocambique-como-torna-lo-funcional-para-os-pequenos-agricultores\/"},"modified":"2025-08-14T03:27:04","modified_gmt":"2025-08-14T03:27:04","slug":"seguro-agricola-em-mocambique-como-torna-lo-funcional-para-os-pequenos-agricultores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/seguro-agricola-em-mocambique-como-torna-lo-funcional-para-os-pequenos-agricultores\/","title":{"rendered":"Como Torn\u00e1-lo Funcional Para os Pequenos Agricultores \u2022"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>A agricultura \u00e9 a espinha dorsal da economia mo\u00e7ambicana, empregando mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o activa, sobretudo nas zonas rurais, onde escasseiam alternativas de rendimento. Em 2023, o sector representava mais de um ter\u00e7o do PIB. Este peso econ\u00f3mico e social torna a agricultura central para qualquer estrat\u00e9gia de desenvolvimento inclusivo. Contudo, o seu potencial \u00e9 sistematicamente comprometido por v\u00e1rios constrangimentos, incluindo falta de tecnologias agr\u00edcolas, acesso limitado ao financiamento e, cada vez mais, os impactos imprevis\u00edveis das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Neste contexto, o seguro agr\u00edcola \u2014 sobretudo o de riscos clim\u00e1ticos \u2014 deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade. Mas apesar do seu valor estrat\u00e9gico, continua a ser um instrumento pouco acess\u00edvel, mal compreendido e raramente utilizado pelos que mais dele precisariam: os pequenos agricultores. O desafio dos modelos convencionais Mais de 98% dos agricultores em Mo\u00e7ambique s\u00e3o pequenos produtores, frequentemente exclu\u00eddos das solu\u00e7\u00f5es convencionais de seguro baseadas em indemniza\u00e7\u00f5es ap\u00f3s avalia\u00e7\u00f5es de campo. Estes modelos, para al\u00e9m de morosos e dispendiosos, n\u00e3o s\u00e3o tecnicamente adaptados \u00e0s din\u00e2micas locais. Na Hollard Seguros, percebemos cedo que n\u00e3o bastava adaptar os produtos existentes \u2014 era necess\u00e1rio repensar por completo o conceito de seguro agr\u00edcola. A nossa abordagem partiu de uma ideia simples: o seguro s\u00f3 pode funcionar se estiver plenamente alinhado com as necessidades e realidades dos pequenos produtores. Inovar para incluir: seguro de \u00edndices clim\u00e1ticos Um dos nossos principais marcos foi a introdu\u00e7\u00e3o do seguro agr\u00edcola de \u00edndices clim\u00e1ticos, que utiliza indicadores objectivos \u2014 como n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o ou humidade do solo, medidos por sat\u00e9lite \u2014 para acionar compensa\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas. Este modelo reduz custos operacionais, elimina a subjectividade das avalia\u00e7\u00f5es e acelera os pagamentos, permitindo aos agricultores recuperar rapidamente ap\u00f3s choques clim\u00e1ticos como secas ou cheias. O futuro da agricultura mo\u00e7ambicana depende, em larga medida, da sua capacidade de gerir riscos e construir resili\u00eancia. E para isso, o seguro de \u00edndices clim\u00e1ticos pode ser mais do que uma rede de seguran\u00e7a Contudo, rapidamente percebemos que inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de adop\u00e7\u00e3o em massa. Em 2012, com o apoio do Banco Mundial e do Governo de Mo\u00e7ambique, lan\u00e7\u00e1mos na Hollard o nosso primeiro produto de seguro de \u00edndices clim\u00e1ticos. O piloto foi financeiramente eficaz: as compensa\u00e7\u00f5es pagas foram quase o triplo do valor dos pr\u00e9mios cobrados. Ainda assim, o mesmo seguro n\u00e3o foi renovado no ano seguinte. Nem mesmo os benefici\u00e1rios directos mostraram interesse em continuar o seguro no ano seguinte. Um momento de viragem: oportunidade na sementeira Foi numa situa\u00e7\u00e3o corriqueira \u2014 a compra de sementes para a minha pr\u00f3pria machamba \u2014 que a solu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a desenhar-se. O vendedor garantiu uma taxa de germina\u00e7\u00e3o de 85%, desde que certas condi\u00e7\u00f5es fossem cumpridas. Esta \u201cgarantia condicional\u201d soava, em muitos aspectos, como um contrato de seguro. E surgiu a pergunta: por que n\u00e3o integrar o seguro directamente no produto agr\u00edcola que o agricultor j\u00e1 est\u00e1 predisposto a comprar? Assim nasceu a nossa estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o do seguro agr\u00edcola na cadeia de insumos, especialmente nas sementes h\u00edbridas. Esta abordagem demonstrou ser eficaz tanto do ponto de vista da adop\u00e7\u00e3o como da sustentabilidade comercial. Para al\u00e9m do seguro: construir ecossistemas de resili\u00eancia \u00c9 fundamental reconhecer que nem todos os riscos s\u00e3o segur\u00e1veis. Como parte dos efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, em quase todas as campanhas existe quase sempre o risco ligeiro a moderado de secas. O seguro \u00e9 solu\u00e7\u00e3o mais custo-efectivo para riscos severos e extremos. A melhor forma de gerir os riscos ligeiros e moderados \u00e9 o melhoramento da resili\u00eancia do agricultor com a aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas melhoradas de agricultura de conserva\u00e7\u00e3o e o uso da tecnologia como as sementes resilientes. Por isso, o seguro n\u00e3o deve ser visto como solu\u00e7\u00e3o isolada, mas como parte de um ecossistema agr\u00edcola robusto, capaz de gerar valor e mitigar riscos de forma integrada. Fazer os mercados funcionarem Uma das grandes li\u00e7\u00f5es que tir\u00e1mos foi a import\u00e2ncia de fortalecer, e n\u00e3o substituir, os mercados formais de fornecimento de insumos. Programas de doa\u00e7\u00e3o de insumos, embora bem-intencionados, podem ter efeitos perversos sobre o desenvolvimento de mercados formais \u2014 desincentivando a produ\u00e7\u00e3o local, distorcendo pre\u00e7os e afastando investidores privados. A nossa estrat\u00e9gia foi inversa: trabalh\u00e1mos com os fornecedores privados de sementes como parceiros estrat\u00e9gicos. Mesmo ap\u00f3s o fim do financiamento externo, estes actores mantiveram-se no mercado, sinalizando que \u00e9 poss\u00edvel construir resili\u00eancia com dignidade e sustentabilidade, e n\u00e3o com depend\u00eancia. A pergunta certa: Quem deve tomar as decis\u00f5es? Muitos f\u00f3runs internacionais continuam a perguntar: \u201cComo convencer os pequenos agricultores a comprar seguros?\u201d Mas talvez dev\u00eassemos reformular a pergunta: quem tem poder e responsabilidade para fazer o sistema funcionar? A resposta n\u00e3o est\u00e1 apenas no agricultor. Est\u00e1 em todo o ecossistema \u2014 fornecedores de sementes, agregadores, reguladores, institui\u00e7\u00f5es financeiras \u2014 que deve ser mobilizado e capacitado para criar um mercado funcional e inclusivo. Um exemplo promissor \u00e9 o nosso modelo de transfer\u00eancia de risco embutido nas sementes, com potencial de escala para atingir milh\u00f5es de produtores em Mo\u00e7ambique. Seguro agr\u00edcola em Mo\u00e7ambique visa proteger quem alimenta o Pa\u00eds Uma nova vis\u00e3o para o seguro agr\u00edcola No fim de contas, o seguro agr\u00edcola inclusivo n\u00e3o \u00e9 apenas uma inova\u00e7\u00e3o financeira. \u00c9 uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento. \u00c9 um mecanismo para proteger meios de vida, aumentar a produtividade e garantir seguran\u00e7a alimentar. N\u00e3o deve ser visto como um benef\u00edcio de elite urbana, mas como um direito econ\u00f3mico dos produtores rurais. Para isso, \u00e9 essencial mudar a forma como olhamos para os agricultores: de receptores passivos para co-criadores da sua pr\u00f3pria resili\u00eancia. Com pol\u00edticas certas, tecnologia adequada e vontade colectiva, o seguro agr\u00edcola pode ser o catalisador de uma nova era na agricultura africana. O futuro semeia-se hoje A experi\u00eancia da Hollard Seguros prova que o fracasso inicial do seguro agr\u00edcola n\u00e3o foi do produto, mas da forma como este era apresentado e distribu\u00eddo. Ao integr\u00e1-lo na cadeia de valor \u2014 sobretudo das sementes \u2014 conseguimos aumentar a relev\u00e2ncia, a confian\u00e7a e a ades\u00e3o. O futuro da agricultura mo\u00e7ambicana depende, em larga medida, da sua capacidade de gerir riscos e construir resili\u00eancia. E para isso, o seguro de \u00edndices clim\u00e1ticos pode ser mais do que uma rede de seguran\u00e7a: pode ser o fertilizante invis\u00edvel que transforma o risco em oportunidade. Porque quando se semeia confian\u00e7a, colhe-se seguran\u00e7a! E nenhum agricultor deveria enfrentar a pr\u00f3xima campanha sem isso. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura \u00e9 a espinha dorsal da economia mo\u00e7ambicana, empregando mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o activa, sobretudo nas zonas rurais, onde escasseiam alternativas de rendimento. Em 2023, o sector representava mais de um ter\u00e7o do PIB. Este peso econ\u00f3mico e social torna a agricultura central para qualquer estrat\u00e9gia de desenvolvimento inclusivo. Contudo, o seu potencial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3092,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,536,1332,1333,18,538,420],"tags":[164,531,1330,1331,11,533],"class_list":["post-3091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura","category-em","category-hollard","category-israel-muchena","category-mocambique","category-powered-by","category-seguros","tag-agricultura","tag-em","tag-hollard","tag-israel-muchena","tag-mocambique","tag-powered-by"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}