{"id":3802,"date":"2025-08-23T12:00:58","date_gmt":"2025-08-23T12:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/transportes-publicos-gratuitos-sao-solucao-de-eficacia-limitadautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-08-23T12:00:58","modified_gmt":"2025-08-23T12:00:58","slug":"transportes-publicos-gratuitos-sao-solucao-de-eficacia-limitadautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/transportes-publicos-gratuitos-sao-solucao-de-eficacia-limitadautm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Transportes p\u00fablicos gratuitos s\u00e3o &#8220;solu\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_60ab934ee44ae.jpg\" \/><br \/>&#8220;N\u00e3o lhe chamaria uma solu\u00e7\u00e3o pregui\u00e7osa, porque se fosse, \u00e9 uma pregui\u00e7osa que tem um pre\u00e7o muito alto. Mas \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o com efic\u00e1cia limitada e temos que ter no\u00e7\u00e3o disso&#8221;, disse Cec\u00edlia Silva em entrevista \u00e0 Lusa a prop\u00f3sito das elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas de 12 de outubro, quando questionada se a gratuitidade dos transportes p\u00fablicos \u00e9 uma medida &#8216;pregui\u00e7osa&#8217; de incentivo ao uso do transporte p\u00fablico.  A professora universit\u00e1ria e investigadora do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio, Transportes e Ambiente (CITTA) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) falava \u00e0 Lusa numa altura em que tanto candidaturas aut\u00e1rquicas prop\u00f5em essa medida, como a mesma j\u00e1 foi implementada nalgumas regi\u00f5es do pa\u00eds. Cec\u00edlia Silva diz que a gratuitidade &#8220;j\u00e1 foi testada em m\u00faltiplos contextos diferentes e pode ter um efeito sobre o n\u00famero de utilizadores do autocarro e n\u00e3o ter um efeito sobre a reparti\u00e7\u00e3o modal, que \u00e9 uma coisa diferente&#8221;. &#8220;Pode aumentar o n\u00famero de pessoas que andam de transporte p\u00fablico, mas esses n\u00e3o virem de nenhum outro modo. S\u00e3o utilizadores que passam a utilizar aquele sistema que n\u00e3o utilizavam antes&#8221;, explica, observando-se um fen\u00f3meno de procura induzida, que &#8220;n\u00e3o est\u00e1 a dar resposta a uma procura que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 presente no terreno&#8221; vinda, por exemplo, do autom\u00f3vel. Segundo Cec\u00edlia Silva, medidas deste tipo tendem, &#8220;a ir buscar pessoas que fazem viagens de lazer ou que at\u00e9 nem t\u00eam raz\u00e3o nenhuma para fazer aquela viagem, mas v\u00e3o dar um passeio&#8221;, pelo que n\u00e3o &#8220;est\u00e3o a contribuir para balancear a quest\u00e3o da mobilidade sustent\u00e1vel&#8221;, apesar de reconhecer que a gratuitidade &#8220;tamb\u00e9m tem um papel&#8221;, por exemplo, no combate \u00e0 exclus\u00e3o. &#8220;Esse papel \u00e9 limitado e a partir de um certo ponto j\u00e1 n\u00e3o consegue resolver o resto dos problemas e tem uma quest\u00e3o que \u00e9 potencialmente nefasta: quando n\u00f3s reduzimos o pre\u00e7o do transporte p\u00fablico ou o tornamos gratuito, estamos diretamente a aumentar o pre\u00e7o que ele vai custar aos impostos, portanto, a todo o pa\u00eds&#8221;, aponta. Tal cen\u00e1rio pode &#8220;levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da qualidade do servi\u00e7o prestado&#8221;, pois uma ordem superior pode, para cortar custos e n\u00e3o tirar a gratuitidade, levar a &#8220;reduzir a oferta&#8221; do servi\u00e7o, o que &#8220;seria um &#8216;tiro no p\u00e9'&#8221;. A investigadora abordou ainda a implementa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias redes de autocarros por todo o pa\u00eds ao abrigo do Regime Jur\u00eddico do Servi\u00e7o P\u00fablico de Transporte de Passageiros (RJSPTP), e que j\u00e1 levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de redes como a Carris Metropolitana na \u00c1rea Metropolitana de Lisboa (AML), a Unir na \u00c1rea Metropolitana do Porto (AMP), ou outras nas Comunidades Intermunicipais (CIM). Para Cec\u00edlia Silva, \u00e9 &#8220;um processo que vai demorar algum tempo e que necessariamente precisa de algumas fases&#8221;, passando de um cen\u00e1rio de &#8220;desorganiza\u00e7\u00e3o total do sistema de transporte p\u00fablico&#8221; para uma desej\u00e1vel &#8220;situa\u00e7\u00e3o de maior organiza\u00e7\u00e3o&#8221; e, depois, &#8220;de um pensamento mais estrat\u00e9gico&#8221;. Face aos problemas na implementa\u00e7\u00e3o de algumas das novas redes, Cec\u00edlia Silva n\u00e3o se admira que &#8220;algumas fases sejam confusas, at\u00e9 porque existe tamb\u00e9m alguma falta de conhecimento t\u00e9cnico&#8221;, considerando que, apesar de tudo, se est\u00e1 &#8220;a seguir uma linha que \u00e9 positiva, de racionalizar o servi\u00e7o de transporte p\u00fablico para ele poder passar a ser pensado com estrat\u00e9gia em vez de pela l\u00f3gica da opera\u00e7\u00e3o, porque quando havia m\u00faltiplos operadores, cada um pensava na l\u00f3gica da opera\u00e7\u00e3o, que era maximizar a receita do servi\u00e7o&#8221;. J\u00e1 nas zonas onde h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es de transporte flex\u00edvel ou a pedido, como as rurais, de baixa ou muito baixa densidade, onde h\u00e1 &#8220;necessidades muito espec\u00edficas porque (os utilizadores) s\u00e3o idosos&#8221;, a acad\u00e9mica sugere &#8220;quase uma solu\u00e7\u00e3o individualizada, porque muitas vezes a utiliza\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos maiores ou dos motoristas fixos \u00e9 financeiramente muito cara&#8221;, sendo o transporte flex\u00edvel uma &#8220;parte do pacote das solu\u00e7\u00f5es&#8221; de mobilidade. A acad\u00e9mica alerta, por\u00e9m, para o &#8220;perigo das modas&#8221; de se &#8220;ir buscar a solu\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio ao lado&#8221; ou de anunciar uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8221;. &#8220;N\u00f3s temos que perceber que nenhuma destas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 revolucion\u00e1ria. E \u00e9 mais importante a solu\u00e7\u00e3o realmente responder \u00e0 necessidade da meia d\u00fazia de pessoas que precisam dela, do que tentar trazer para aqui uma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, super avan\u00e7ada, com pedido no telem\u00f3vel e depois as pessoas que realmente a utilizam, mal o telefone conseguem utilizar&#8221;, vinca. Cec\u00edlia Silva nota ainda diferen\u00e7a na facilidade de obten\u00e7\u00e3o de financiamentos entre solu\u00e7\u00f5es mais humanizadas e outras mais vistosas &#8220;em que se desenvolveu uma aplica\u00e7\u00e3o nova, se trouxe um autocarro el\u00e9trico&#8221;, alertando que &#8220;\u00e0s vezes as solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam pela tecnologia&#8221;. Leia Tamb\u00e9m: Transporte p\u00fablico n\u00e3o se fomenta com &#8220;autocarros presos no tr\u00e2nsito&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o lhe chamaria uma solu\u00e7\u00e3o pregui\u00e7osa, porque se fosse, \u00e9 uma pregui\u00e7osa que tem um pre\u00e7o muito alto. 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