{"id":3812,"date":"2025-08-24T12:32:50","date_gmt":"2025-08-24T12:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/mudar-contratos-a-prazo-flexibiliza-mas-vai-aumentar-contratos-a-termoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-08-24T12:32:50","modified_gmt":"2025-08-24T12:32:50","slug":"mudar-contratos-a-prazo-flexibiliza-mas-vai-aumentar-contratos-a-termoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/mudar-contratos-a-prazo-flexibiliza-mas-vai-aumentar-contratos-a-termoutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Mudar contratos a prazo? Flexibiliza, mas vai aumentar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_68aad9172fd40.jpg\" \/><br \/>&#8220;\u00c9 inequ\u00edvoco que as altera\u00e7\u00f5es propostas pelo anteprojeto introduzem uma maior flexibilidade na contrata\u00e7\u00e3o a termo por parte das entidades empregadoras, facilitando a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s din\u00e2micas do mercado de trabalho e \u00e0s necessidades empresariais&#8221;, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Madalena Caldeira, s\u00f3cia coordenadora de Direito do Trabalho do escrit\u00f3rio de Lisboa da G\u00f3mez-Acebo &#038; Pombo (GA-P).  \u00c9 por isso &#8220;expect\u00e1vel que a implementa\u00e7\u00e3o desta proposta resulte numa prolifera\u00e7\u00e3o significativa de v\u00ednculos contratuais a termo&#8221;, admite. Joana Carneiro, s\u00f3cia da Jos\u00e9 Pedro Aguiar-Branco Advogados (JPAB), sustenta que o anteprojeto de lei da reforma da legisla\u00e7\u00e3o laboral, conhecido como &#8216;Trabalho XXI&#8217;, &#8220;prop\u00f5e uma revis\u00e3o profunda do C\u00f3digo do Trabalho, com impacto significativo nos contratos a prazo e nas condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores&#8221;. Considerando que com as novas regras &#8220;os jovens e rec\u00e9m-licenciados poder\u00e3o ter mais oportunidades de entrada no mercado de trabalho, mas com v\u00ednculos prec\u00e1rios&#8221;, a advogada da JPAB aponta ainda um &#8220;maior risco de rotatividade e menor estabilidade, j\u00e1 que o contrato a termo n\u00e3o garante continuidade&#8221;. E alerta: &#8220;As empresas poder\u00e3o usar esta nova justifica\u00e7\u00e3o para evitar v\u00ednculos permanentes, mesmo em fun\u00e7\u00f5es que poderiam justificar contrato sem termo&#8221;. Mais concretamente, Madalena Caldeira aponta as &#8220;altera\u00e7\u00f5es significativas&#8221; no anteprojeto no que diz respeito \u00e0 admissibilidade, dura\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o dos contratos a termo, cuja &#8220;especial relev\u00e2ncia pr\u00e1tica&#8221; destaca. Entre elas, refere o alargamento \u00e0s empresas com 250 ou mais funcion\u00e1rios da possibilidade de contratar trabalhadores a termo com fundamento no in\u00edcio de atividade de dura\u00e7\u00e3o incerta ou de funcionamento de empresa ou estabelecimento. J\u00e1 ao n\u00edvel da dura\u00e7\u00e3o dos contratos, o anteprojeto prop\u00f5e um aumento da dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos contratos a termo certo de dois para tr\u00eas anos e dos contratos a termo incerto de quatro para cinco anos. Para Joana Carneiro, da JPAB, &#8220;esta medida visa dar mais flexibilidade \u00e0s empresas, mas pode prolongar situa\u00e7\u00f5es de precariedade para os trabalhadores&#8221;. Adicionalmente, \u00e9 alargado o \u00e2mbito de admissibilidade da contrata\u00e7\u00e3o a termo aos trabalhadores que nunca tenham exercido fun\u00e7\u00f5es ao abrigo de contrato de trabalho por tempo indeterminado. Algo que, admite a advogada da GA-P, &#8220;em termos pr\u00e1ticos e em \u00faltima inst\u00e2ncia, poder\u00e1 permitir uma situa\u00e7\u00e3o em que um trabalhador que nunca tenha sido contratado por tempo indeterminado seja sucessivamente contratado a termo por diferentes empregadores, sem que estes estejam obrigados a justificar a sua contrata\u00e7\u00e3o com base em necessidades tempor\u00e1rias&#8221;. J\u00e1 Joana Carneiro nota que esta medida &#8220;visa facilitar a integra\u00e7\u00e3o de jovens no mercado de trabalho e estimular o primeiro emprego, permitindo \u00e0s empresas contratar com maior flexibilidade em situa\u00e7\u00f5es onde o trabalhador ainda n\u00e3o tem hist\u00f3rico de v\u00ednculo permanente&#8221;. Relativamente ao &#8220;risco de que um trabalhador que nunca tenha tido contrato sem termo possa ser sucessivamente contratado a termo por diferentes empresas&#8221;, diz existir de facto, mas acredita que apenas &#8220;em situa\u00e7\u00f5es limite&#8221;. &#8220;Sinceramente, parece-me que este risco de &#8216;precariedade prolongada&#8217; s\u00f3 ocorrer\u00e1 em situa\u00e7\u00f5es limite, pois implica que um determinado trabalhador nunca logre candidatar-se ou ser contratado para um contrato permanente e implica ainda que o trabalhador em todos esses v\u00ednculos a prazo seja sempre dispensado por todas as diferentes entidades por onde passa ao longo da sua carreira no final\/limite das renova\u00e7\u00f5es e dura\u00e7\u00f5es legais dos respetivos contratos a prazo (ie, ao fim de tr\u00eas anos ou cinco anos, consoante o termo seja certo ou incerto)&#8221;, explica. &#8220;Assim, acho pouco prov\u00e1vel que (&#8230;) tal altera\u00e7\u00e3o possa levar a que o trabalhador nunca consiga aceder a um v\u00ednculo permanente, sendo sucessivamente contratado a termo ao longo da carreira&#8221;, acrescenta a s\u00f3cia da JPAB. Enfatizando que &#8220;o contrato a termo deve ser excecional e justificado por necessidades tempor\u00e1rias, e n\u00e3o pode tornar-se regra para certos perfis de trabalhadores, contrariando o esp\u00edrito do C\u00f3digo do Trabalho&#8221;, Joana Carneiro defende que deve haver &#8220;um refor\u00e7o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, para que a cria\u00e7\u00e3o destes &#8216;perfis excecionais&#8217;, que passam a justificar novamente a contrata\u00e7\u00e3o a termo, n\u00e3o seja usada de forma abusiva por empresas ou grupos de empresas&#8221;. Na mesma linha, a consultora s\u00e9nior da PLMJ Advogados Mariana Paiva admite que, &#8220;numa situa\u00e7\u00e3o limite, um trabalhador pode passar a vida a ser contratado a termo, para suprir necessidades permanentes das empresas&#8221;, mas salienta que, &#8220;tratando-se de um anteprojeto, \u00e9 poss\u00edvel que venham a ser discutidos pelos parceiros sociais conceitos diferentes&#8221;. Como exemplo, avan\u00e7a a eventual introdu\u00e7\u00e3o de um limite da idade &#8211; &#8220;trabalhador com at\u00e9 X anos que nunca tenha sido contratado por tempo indeterminado&#8221; -, salientando que &#8220;est\u00e1 ainda tudo em aberto&#8221;. Leia Tamb\u00e9m: Contrata\u00e7\u00e3o a termo de reformados \u00e9 &#8220;oportunidade&#8221;, mas preocupa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 inequ\u00edvoco que as altera\u00e7\u00f5es propostas pelo anteprojeto introduzem uma maior flexibilidade na contrata\u00e7\u00e3o a termo por parte das entidades empregadoras, facilitando a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s din\u00e2micas do mercado de trabalho e \u00e0s necessidades empresariais&#8221;, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Madalena Caldeira, s\u00f3cia coordenadora de Direito do Trabalho do escrit\u00f3rio de Lisboa da G\u00f3mez-Acebo &#038; Pombo (GA-P). 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