{"id":9459,"date":"2025-12-08T03:49:31","date_gmt":"2025-12-08T03:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/as-ideias-do-nobel-2025-podem-ajudar-mocambique\/"},"modified":"2025-12-08T03:49:31","modified_gmt":"2025-12-08T03:49:31","slug":"as-ideias-do-nobel-2025-podem-ajudar-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/as-ideias-do-nobel-2025-podem-ajudar-mocambique\/","title":{"rendered":"As Ideias do Nobel 2025 Podem Ajudar Mo\u00e7ambique? \u2022 Di\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>advertisemen tO Pr\u00e9mio Nobel de Economia de 2025 foi atribu\u00eddo a tr\u00eas nomes que h\u00e1 d\u00e9cadas estudam o crescimento econ\u00f3mico: Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt. Quais seriam os resultados se as suas conclus\u00f5es fossem aplicadas em Mo\u00e7ambique? O mais recente Pr\u00e9mio Nobel de Economia reconhece os contributos decisivos de tr\u00eas economistas para explicar como a inova\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o apenas a acumula\u00e7\u00e3o de capital) se tornou no motor essencial do desenvolvimento. Mais do que uma homenagem acad\u00e9mica, o galard\u00e3o abre uma oportunidade de reflex\u00e3o para pa\u00edses como Mo\u00e7ambique, onde o crescimento econ\u00f3mico ainda depende, em grande medida, de recursos naturais, da ajuda externa e de um tecido produtivo limitado. Joel Mokyr recebeu metade do pr\u00e9mio \u201cpelas suas an\u00e1lises sobre as condi\u00e7\u00f5es culturais e institucionais que tornaram poss\u00edvel o progresso tecnol\u00f3gico sustentado.\u201d Aghion e Howitt partilharam a outra metade \u201cpela formula\u00e7\u00e3o da teoria do crescimento impulsionado pela destrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d, que mostra como a concorr\u00eancia e o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, ao substitu\u00edrem velhas ind\u00fastrias e m\u00e9todos, geram novos ciclos de prosperidade.advertisement Em conjunto, as ideias ajudam a perceber como sociedades abertas ao conhecimento, \u00e0 ci\u00eancia e ao empreendedorismo constroem riqueza duradoura, ao contr\u00e1rio das que se fecham ao risco e \u00e0 mudan\u00e7a. O poder da inova\u00e7\u00e3o No caso de Joel Mokyr, o foco recai sobre a dimens\u00e3o cultural da inova\u00e7\u00e3o. O economista israelita-americano argumenta que o crescimento da Europa ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial n\u00e3o se deveu apenas a inven\u00e7\u00f5es isoladas, mas a uma verdadeira \u201crep\u00fablica do saber\u201d, onde cientistas, artes\u00e3os e comerciantes partilhavam ideias e aprendiam uns com os outros. A curiosidade cient\u00edfica e a confian\u00e7a na raz\u00e3o criaram um ambiente prop\u00edcio \u00e0 descoberta e ao aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo das t\u00e9cnicas. Mo\u00e7ambique precisa de um sistema de investiga\u00e7\u00e3o capaz de gerar solu\u00e7\u00f5es locais na agricultura, energias renov\u00e1veis, gest\u00e3o ambiental e tecnologias digitais Para Mokyr, o desenvolvimento depende de uma cultura que valorize o conhecimento e que permita contestar o estabelecido. Esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o crucial para Mo\u00e7ambique, onde a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica ainda ocupa um espa\u00e7o reduzido na economia e na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Refor\u00e7ar o ensino cient\u00edfico, promover a pesquisa aplicada e criar pontes entre universidades, empresas e Governo seriam passos decisivos para transformar o conhecimento em crescimento sustent\u00e1vel. A for\u00e7a da \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d J\u00e1 Philippe Aghion e Peter Howitt, cujas obras se tornaram refer\u00eancias desde a d\u00e9cada de 1990, explicam que o crescimento moderno resulta de um processo din\u00e2mico de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d, conceito inicialmente proposto por Joseph Schumpeter. Em cada ciclo econ\u00f3mico, novas empresas ou tecnologias substituem as antigas, aumentando a produtividade global. A inova\u00e7\u00e3o destr\u00f3i empregos e modelos de neg\u00f3cio obsoletos, mas cria outros, mais eficientes e competitivos. A chave, para ambos, est\u00e1 em garantir que os incentivos \u00e0 inova\u00e7\u00e3o (como protec\u00e7\u00e3o de patentes, acesso ao cr\u00e9dito, regula\u00e7\u00e3o justa e educa\u00e7\u00e3o de qualidade) sejam suficientemente fortes para superar as for\u00e7as de in\u00e9rcia e resist\u00eancia dos grupos estabelecidos. Em Mo\u00e7ambique, o modelo de Aghion e Howitt pode ajudar a compreender porque \u00e9 que o Pa\u00eds cresce sem, necessariamente, transformar a estrutura produtiva. Apesar de haver sectores din\u00e2micos, como a energia, minera\u00e7\u00e3o ou telecomunica\u00e7\u00f5es, grande parte da economia continua dependente de pequenas actividades informais e de baixa produtividade. A aus\u00eancia de um ecossistema competitivo e de pol\u00edticas de inova\u00e7\u00e3o coerentes impede a renova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a cria\u00e7\u00e3o de valor. A \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d, neste contexto, \u00e9 limitada, porque h\u00e1 pouca cria\u00e7\u00e3o e porque a destrui\u00e7\u00e3o sem alternativas sustent\u00e1veis \u200b\u200bapenas acentua a exclus\u00e3o social. O desafio \u00e9 encontrar o equil\u00edbrio que consiste em promover a concorr\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o sem deixar para tr\u00e1s os que n\u00e3o t\u00eam meios de adapta\u00e7\u00e3o. Que posi\u00e7\u00e3o Mo\u00e7ambique deve(ria) assumir? A aplica\u00e7\u00e3o dos estudos destes laureados exige pol\u00edticas de longo prazo. \u00c0 luz das suas li\u00e7\u00f5es, Mo\u00e7ambique precisa de um sistema robusto de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, capaz de gerar solu\u00e7\u00f5es locais na agricultura, energias renov\u00e1veis, gest\u00e3o ambiental e tecnologias digitais. \u00c9 fundamental criar condi\u00e7\u00f5es institucionais que encorajem a experimenta\u00e7\u00e3o e a liberdade acad\u00e9mica. Tamb\u00e9m se exige um ambiente regulat\u00f3rio previs\u00edvel e justo, que premeie o m\u00e9rito e desincentive monop\u00f3lios ou favoritismos. No plano social, o Pa\u00eds deve investir em capital humano, desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica at\u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica, para preparar uma for\u00e7a de trabalho capaz de inovar e adaptar-se \u00e0s mudan\u00e7as do mercado. A teoria da destrui\u00e7\u00e3o criativa tamb\u00e9m alerta para os riscos de uma moderniza\u00e7\u00e3o desequilibrada. A inova\u00e7\u00e3o pode gerar desigualdade se concentrar oportunidades nas zonas urbanas ou entre elites com acesso \u00e0 tecnologia. Por isso, as pol\u00edticas de crescimento devem incluir mecanismos de protec\u00e7\u00e3o profissional, programas de requalifica\u00e7\u00e3o e apoio a micro e pequenas empresas, de modo a facilitar a transi\u00e7\u00e3o para uma economia inovadora. O legado intelectual de Mokyr, Aghion e Howitt oferece, assim, um gui\u00e3o claro: o progresso n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de capital ou recursos, mas de ideias e institui\u00e7\u00f5es. As economias que valorizam o conhecimento, estimulam a concorr\u00eancia e apostam na criatividade dos seus cidad\u00e3os s\u00e3o as que mais prosperam a longo prazo. Texto: Celso Chambisso \u2022 Fotografia: D.Ra dvertisement <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>advertisemen tO Pr\u00e9mio Nobel de Economia de 2025 foi atribu\u00eddo a tr\u00eas nomes que h\u00e1 d\u00e9cadas estudam o crescimento econ\u00f3mico: Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt. Quais seriam os resultados se as suas conclus\u00f5es fossem aplicadas em Mo\u00e7ambique? 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