{"id":96,"date":"2025-07-12T10:01:46","date_gmt":"2025-07-12T10:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/privatizacao-da-tap-especialistas-alertam-para-erros-a-nao-repetirutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/"},"modified":"2025-07-12T10:01:46","modified_gmt":"2025-07-12T10:01:46","slug":"privatizacao-da-tap-especialistas-alertam-para-erros-a-nao-repetirutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sabetudo.co.mz\/blog\/privatizacao-da-tap-especialistas-alertam-para-erros-a-nao-repetirutm_sourcerss-economiautm_mediumrssutm_campaignrssfeed\/","title":{"rendered":"Privatiza\u00e7\u00e3o da TAP? Especialistas alertam para erros a n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com\/1920\/naom_64ac083f2d459.jpg\" \/><br \/>Conduzida pelo governo de Passos Coelho em fim de mandato, a venda da TAP em 2015 ocorreu num contexto de press\u00e3o or\u00e7amental e aus\u00eancia de consenso pol\u00edtico. O cons\u00f3rcio Atlantic Gateway, liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa, adquiriu 61% da companhia, ficando o Estado com 34%.  Pouco depois, j\u00e1 com Ant\u00f3nio Costa no Governo, a arquitetura do neg\u00f3cio foi alterada e a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica refor\u00e7ada. Em 2020, com o impacto da pandemia, o Estado voltou a assumir o controlo da TAP, nacionalizando a empresa e injetando apoio financeiro de 3,2 mil milh\u00f5es de euros. Especialistas ouvidos pela Lusa consideram que o processo de 2015 foi marcado por erros estrat\u00e9gicos. &#8220;Foi uma privatiza\u00e7\u00e3o apressada, sem debate p\u00fablico alargado e sem mecanismos de salvaguarda eficazes&#8221;, afirmou Maria Baltazar, professora do ISEC Lisboa. Para o antigo gestor da Iberia e da PGA, Rui Quadros, o problema n\u00e3o foi privatizar, mas como tudo foi feito. &#8220;Faltou estrat\u00e9gia, vis\u00e3o de longo prazo e sobretudo estabilidade institucional&#8221;, afirmou, lembrando que o governo que avan\u00e7ou com a venda j\u00e1 estava em fim de mandato e sem consenso pol\u00edtico, o que fragilizou todo o processo. &#8220;Foi uma privatiza\u00e7\u00e3o feita em condi\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis, com pouca prote\u00e7\u00e3o e nenhuma blindagem contra revers\u00f5es futuras. E isso custou caro \u00e0 TAP e ao pa\u00eds&#8221;, acrescentou o professor especialista em aeron\u00e1utica. Do ponto de vista operacional, Rui Quadros reconhece avan\u00e7os com a opera\u00e7\u00e3o realizada em 2025. A frota foi parcialmente renovada e a TAP refor\u00e7ou as rotas para o Brasil e os EUA. Tamb\u00e9m houve algum esfor\u00e7o para melhorar o servi\u00e7o e a imagem da marca. No entanto, sublinha, &#8220;surgiram cr\u00edticas quanto \u00e0 gest\u00e3o interna e decis\u00f5es laborais que mais tarde foram consideradas ilegais&#8221;. E olhando para o modelo de reprivatiza\u00e7\u00e3o apresentado esta semana pelo executivo, o respons\u00e1vel destaca que o Governo &#8220;parece ter aprendido com esses erros, ao estruturar uma privatiza\u00e7\u00e3o mais faseada, com crit\u00e9rios de interesse estrat\u00e9gico nacional e salvaguardas contratuais expl\u00edcitas no caderno de encargos, mas com muitas mensagens pol\u00edticas&#8221;, apontou. Maria Baltazar considera que a entrada do cons\u00f3rcio Atlantic Gateway em 2015 trouxe mudan\u00e7as importantes, como a encomenda de novos Airbus e o refor\u00e7o da presen\u00e7a atl\u00e2ntica. &#8220;Ao n\u00edvel do servi\u00e7o, foram implementadas melhorias vis\u00edveis, num esfor\u00e7o de reposicionamento da marca&#8221;, nota a especialista em aeron\u00e1utica. Mas, tal como Rui Quadros, aponta erros estruturais no desenho pol\u00edtico do neg\u00f3cio. Para Maria Baltazar, o Estado perdeu controlo estrat\u00e9gico sem garantir direitos especiais de interven\u00e7\u00e3o e o plano de neg\u00f3cios dos privados era &#8220;demasiado otimista&#8221;. O fundador da SkyExpert, Pedro Castro, \u00e9 mais duro: &#8220;A forma como o Estado portugu\u00eas se comportou institucionalmente com o privado foi, no m\u00ednimo, vergonhosa&#8221;. Para o analista, o erro central foi a pressa. &#8220;Acredito ter sido uma pressa eleitoralista, associada ao momento da Troika&#8221;, defende. O respons\u00e1vel critica ainda a aus\u00eancia de uma vis\u00e3o de longo prazo: &#8220;O \u00fanico acionista da TAP n\u00e3o tem uma estrat\u00e9gia para a TAP. \u00c9 o pr\u00f3prio Estado, representado por governos que usam a companhia como bandeira eleitoral&#8221;. Pedro Castro destaca ainda que, num setor que exige investimento constante, a privatiza\u00e7\u00e3o desbloqueou capacidade financeira que o Estado, por via das regras europeias, n\u00e3o podia assegurar. Ainda assim, lamenta que o processo tenha sido conduzido sem tempo para garantir estabilidade acionista e regula\u00e7\u00e3o clara. Todos os especialistas ouvidos convergem numa conclus\u00e3o: a primeira privatiza\u00e7\u00e3o da TAP falhou por falta de estrat\u00e9gia, di\u00e1logo pol\u00edtico e garantias de continuidade e os erros de 2015 n\u00e3o podem repetir-se num novo processo que se quer mais transparente, robusto e alinhado com o interesse nacional. O Governo deu esta semana o pontap\u00e9 de sa\u00edda para a venda da companhia a\u00e9rea com a aprova\u00e7\u00e3o do decreto-lei correspondente em Conselho de Ministros, que ainda ter\u00e1 de ser promulgado pelo Presidente da Rep\u00fablica. Leia Tamb\u00e9m: PS quer &#8220;participa\u00e7\u00e3o do Estado&#8221; na TAP para assegurar &#8220;servi\u00e7o p\u00fablico&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conduzida pelo governo de Passos Coelho em fim de mandato, a venda da TAP em 2015 ocorreu num contexto de press\u00e3o or\u00e7amental e aus\u00eancia de consenso pol\u00edtico. 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