Procura interna continua a ser principal fragilidade da

Procura interna continua a ser principal fragilidade da

“A fraqueza do consumo interno é o principal problema que está afetando a saúde financeira da economia chinesa como um todo”, diz em relatório publicado na quinta-feira a agência de classificação financeira, alertando que o conflito no Irã pode funcionar como um “choque externo de curto prazo” que amplifica fraquezas existentes. A agência ressalta que o aumento dos custos das matérias-primas e as interrupções nas cadeias de suprimentos já estão afetando a economia, ao mesmo tempo em que elevam os riscos para a demanda externa. A alta integração da China no comércio global torna o país particularmente sensível a essas dinâmicas, principalmente devido à dependência energética: cerca de 40% a 50% das importações marítimas de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz, expondo Pequim à volatilidade dos preços e aos atrasos logísticos. Internamente, a Fitch destaca que a demanda estruturalmente fraca afeta simultaneamente empresas, famílias e setor público, criando um efeito em cadeia sobre o crescimento econômico. “A demanda interna estruturalmente fraca é o principal ponto de pressão transversal, porque enfraquece simultaneamente os fluxos de caixa das empresas, a capacidade de pagamento das famílias e as receitas do Estado”, indica a agência. A situação é agravada por pressões deflacionárias e intensa competição de preços, que comprimem margens e reduzem lucros, em um contexto de excesso de capacidade produtiva. Segundo a Fitch, esse cenário está se traduzindo em um aumento das dificuldades no mercado de trabalho, com impacto direto no consumo. “O mercado de trabalho é o principal canal pelo qual a menor rentabilidade das empresas afeta o desempenho do crédito das famílias”, diz. Apesar de Pequim apostar na indústria de alta tecnologia como motor de crescimento, a agência alerta que essa estratégia pode não gerar ganhos generalizados de renda ou um aumento significativo no consumo. No plano externo, o conflito no Oriente Médio tende a agravar os custos de energia, mas com impacto limitado sobre os consumidores. “Os custos mais altos de energia são mais propensos a aumentar os custos dos produtores do que os preços ao consumidor”, aponta a Fitch. A agência ressalta, no entanto, que a China tem algumas almofadas para absorver choques, como reservas estratégicas de petróleo e reservas cambiais, o que coloca o país em uma posição mais favorável do que outros países asiáticos. Leia também: Fitch faz as contas: Gasto com apoio deve levar a déficit já neste ano

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