Imparidades “Castigam” Resultados do Absa • Diário Económico

Absa Bank Moçambique Reforça Eficiência e Consolida

Os lucros do Absa Bank Moçambique recuaram 62,9% em 2025, para 9,1 milhões de euros, em um ano marcado pelo aumento das imparidades, deterioração do ambiente econômico e maior pressão sobre o setor bancário. Segundo a Lusa, os resultados constam do relatório e contas do banco e representam uma queda significativa em relação aos 24,6 milhões de euros registrados em 2024, ano em que a instituição havia alcançado um crescimento de 14,1%, após os resultados terem aumentado 58,7% em 2023. Na mensagem que acompanha o relatório, o diretor-geral do Absa Moçambique, Pedro Carvalho, descreve 2025 como um período particularmente desafiador para a economia nacional e para a atividade bancária. “A recessão técnica, a queda das taxas de juros, a escassez de divisas e o agravamento da percepção de risco soberano criaram um contexto de forte pressão sobre a atividade bancária, afetando a geração de receita e aumentando o custo do risco”, disse. Segundo explicou, o principal fator que condicionou o desempenho financeiro do banco foi o aumento das imparidades, associado ao reforço prudencial da cobertura de risco soberano. “O fator mais marcante do exercício foi o aumento significativo das imparidades, principalmente como resultado do reforço prudencial da cobertura do risco soberano. Essa decisão reflete uma abordagem conservadora e responsável em relação ao agravamento do ambiente de risco e demonstra a prioridade dada pelo Banco à solidez do balanço e à proteção de sua posição financeira”, disse. Ainda assim, o banco sustenta que os indicadores de 2025 devem ser analisados ​​levando em conta o caráter extraordinário desses ajustes prudenciais e não como sinal de fragilidade estrutural da operação. “Os indicadores de 2025 foram fortemente condicionados pelo aumento extraordinário das imparidades e devem, portanto, ser lidos à luz de um exercício marcado por ajustes prudenciais relevantes, mais do que por fragilidade da operação de base”, acrescentou. De acordo com o relatório, o produto bancário aumentou 0,8%, para 115 milhões de euros, enquanto os custos operacionais cresceram apenas 0,6%. “A evolução da receita evidencia a capacidade do banco de sustentar seu desempenho operacional em um ambiente adverso. Os custos operacionais permaneceram sob controle, o que reflete disciplina na gestão da base de custos e foco contínuo na eficiência”, acrescentou Pedro Carvalho. Apesar da queda nos resultados líquidos, o Absa reforçou alguns indicadores de atividade no mercado moçambicano. No final de 2025, a participação de mercado no crédito aumentou para 10,6% e o crédito líquido a clientes cresceu 1,3%, para 381,9 milhões de euros. Em depósitos, a instituição registrou crescimento anual de 11,7%, atingindo R$ 1 bilhão, elevando a participação de mercado para 9,8%. O banco igualmente fechou o ano com melhora nos índices de inadimplência, que reduziram de 5,5% para 3,1%, manteve 48 locais de atendimento e aumentou o número de trabalhadores para 720. O ativo total cresceu para R$ 1,3 bilhão, enquanto o passivo aumentou para R$ 1,1 bilhão. O índice de solvência caiu para 17,1% e o índice de eficiência ficou em 60%. Na classificação atualizada pelo Banco de Moçambique, o Absa segue entre as instituições consideradas “quase sistêmicas”, mantendo-se entre os maiores bancos em operação no País. O capital social do Absa Bank Moçambique é detido em 98,6% pelo grupo sul-africano Absa, com os 1,4% restantes distribuídos por acionistas minoritários, incluindo funcionários e outros investidores.

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