Nairóbi: “África Deve Falar a Uma só Voz Para Promover Desenvolvimento” – Joaquim Chissano
Oantigo Presidente da República Joaquim Chissano questionou nesta quarta-feira, 29 de Maio, em Nairóbi, no Quénia, se África fala a uma só “voz” para promover o desenvolvimento do continente, defendendo que essa é a única forma de o conseguir.
Escrita Por: Administração |
Publicado: 1 year ago |
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Categoria: Economia
“É uma pergunta que temos de colocar a nós próprios em todos os momentos: estamos a falar a uma só voz? Existem aqui ministros das Finanças que tentam falar na mesma voz, mas quando vão para outros fóruns será que continuam a falar a mesma voz? Quando vamos às Nações Unidas e à Europa?”, questionou.
Intervindo durante um painel à margem dos encontros anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o antigo estadista moçambicano avançou que a maior instituição financeira africana precisa de apoio, para que se saiba o que pode fazer e que parcerias pode atrair para cada país.
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“O BAD não vai fazer nada com sucesso se continuarmos a ter muitas vozes em África. Dizemos que queremos ter uma voz na arena internacional, mas essa voz está em África? Não se deve sentir envergonhado em ir a cada um dos países e ajudar a fazer as coisas da forma correcta”, assinalou.
Chissano explicou ser importante que os países tenham uma boa governação e uma boa economia, secundando que deve haver maximização das riquezas.
O Banco Africano de Desenvolvimento é a principal instituição africana de financiamento do desenvolvimento e reúne-se em Nairóbi por um período de cinco dias (27 a 31 de Maio) para debater “A Transformação de África, o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento e a Reforma da Arquitectura Financeira Global”, reunindo mais de três mil participantes, entre políticos, governantes, economistas e especialistas de várias áreas de todo o mundo.
Os encontros deste ano incluem a realização da 59.ª Reunião Anual do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento e a 50.ª Reunião do Conselho de Governadores do Fundo Africano de Desenvolvimento.
“O BAD não vai fazer nada com sucesso se continuarmos a ter muitas vozes em África. Dizemos que queremos ter uma voz na arena internacional, mas essa voz está em África? Não se deve sentir envergonhado em ir a cada um dos países e ajudar a fazer as coisas da forma correcta”
Segundo informação do BAD, apesar de um “crescimento económico sustentado ao longo das duas últimas décadas, a transformação económica de África continua incompleta. O Produto Interno Bruto (PIB) real do continente cresceu 4,3% por ano entre 2000-22, em comparação com a média mundial de 2,9%, e muitas das dez economias de crescimento mais rápido do mundo situavam-se em África”.
“Apesar deste sólido desempenho em termos de crescimento, a estrutura das economias africanas não se alterou significativamente nas últimas duas décadas, com os sectores da agricultura, da indústria e dos serviços a representarem, em média, 16%, 33% e 51%, respectivamente, do PIB global de África”, recordou a instituição.
O BAD conta com 81 Estados-membros, entre 53 países africanos e 28 países fora do continente, incluindo Portugal e Brasil.