Milhares de trabalhadores protestam no Porto contra o pacote

“Os trabalhadores percebem que se este pacote laboral for aprovado e avançar suas vidas vão se tornar ainda mais difíceis do que aquelas que neste momento já temos”, disse o dirigente da União dos Sindicatos do Porto Filipe Pereira. Esse protesto, que começou na Praça da República e seguiu em desfile até a Avenida dos Aliados, faz parte da manifestação nacional convocada pela central sindical CGTP, sob o mote “Abaixo o pacote laboral”. Em Lisboa, o protesto está marcado para às 14h30, começando no Cais do Sodré e terminando no Rossio. Esta é “a primeira manifestação nacional descentralizada após a greve geral contra o pacote laboral, mas é preciso não esquecer que neste interregno, a CGTP, no dia 13 de janeiro, entregou mais de 190 mil assinaturas ao primeiro-ministro, contra este projeto”, disse Filipe Pereira. Segundo o dirigente sindical, “é uma luta que está crescendo, porque cada trabalhador que conhece o conteúdo do pacote trabalhista reconhece a dimensão do ataque que está sendo perpetrado ali entre Governo e patrões, claramente se associa a essa luta e mostra disponibilidade para continuar essa luta”. “A greve geral já teve o poder de derrotar o pacote trabalhista. Os trabalhadores derrotaram o pacote trabalhista, porque foi uma greve geral que teve uma expressão de mais de três milhões de trabalhadores, tendo em mente que temos cinco milhões de trabalhadores na ativa em nosso país”, sustentou. No entanto, frisou, “estamos perante um Governo intransigente, com uma postura arrogante, claramente com a intenção de levar a cabo os interesses dos patrões, do grande capital e mantém-se com esta intransigência. Por isso, a CGTP, desde o início deste processo, sempre disse que nenhuma forma de luta estaria posta de parte”. “Este é mais um passo no sentido de que o Governo retire de vez esta intenção de alterar a legislação laboral, mas caso não faça, a CGTP cá estará para dar os passos seguintes e uma nova greve geral, como é óbvio, nunca está posta de parte”, acrescentou. Albino Morais, um dos participantes do protesto, ressaltou os malefícios do pacote trabalhista para “todos os trabalhadores, mas principalmente para os jovens, que são a promessa do futuro. Todos nós seremos prejudicados, porque entre os mais de 100 itens, não há um que seja de benefício, nem para os jovens nem para os trabalhadores que estão na ativa no momento”. “Estou aqui, na luta, para que esse pacote caia, por mim, pelos meus filhos, pelos meus netos, por todos os jovens de Portugal e por todos os trabalhadores que estão aqui e estarei, sempre que houver uma luta pela defesa dos trabalhadores”, disse. Maria Pereira também se manifestou contra “a injustiça que querem impor aos trabalhadores”, nomeadamente, contra “a demissão fácil, quase sem justa causa”. Essa professora de físico-química considerou ainda que “quando as leis gerais sofrem um retrocesso como esse que eles querem implantar, obviamente todas as profissões, todos os trabalhadores serão afetados”. Carina Silva, jovem trabalhadora do setor de hotelaria, também quis manifestar seu descontentamento “contra as medidas do Governo em relação aos trabalhadores e às condições de trabalho. O Governo está irredutível e não volta atrás. É por isso que estamos aqui hoje, para conseguir melhores condições de trabalho”. O anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data. As mudanças propostas pelo governo em julho mereceram um ‘não’ das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores. As confederações empresariais aplaudiram a reforma, mesmo que digam que há espaço para melhorias. Uma plenária de Concertação Social está prevista para a próxima terça-feira. Leia Também: Hoje tem manifestação nacional. CGTP espera “muitos milhares” nas ruas



Publicar comentário