Conselho Norueguês de Produtos do Mar investirá até

“Estamos investindo entre 700.000 e 800.000 euros em Portugal”, anunciou a diretora-geral do NSC em Portugal, Gudfina Traustadottir, em declarações aos jornalistas em Ålesund, na Noruega. Esse valor está em linha com o aplicado em 2025, mesmo diante de um corte na produção, por conta da queda das cotas, porque o NSC acredita que a demanda vai se recuperar, assim que o peixe puder “voltar aos pratos”. Em 2025, as exportações de bacalhau salgado seco da Noruega para Portugal atingiram 35.000 toneladas, uma diminuição de cerca de 1% em relação ao ano anterior. Para 2026, Gudfina Traustadottir antecipa nova queda, tendo em vista a diminuição desse peixe no mercado. “Quem define a quantidade pescada é um comitê científico, composto por Rússia e Noruega, que pescam no mesmo mar. (Esse grupo) faz uma avaliação do estado do bacalhau e uma estimativa do que é possível pescar”, explicou. A diminuição da disponibilidade de bacalhau no mar é justificada, em grande parte, pelas mudanças climáticas. Para suprir esse impacto, a aquicultura de bacalhau já é uma realidade na Noruega e também já chega a Portugal, nomeadamente para o consumo in natura. Portugal e Noruega estão comemorando 120 anos de relações diplomáticas, sustentadas pelo bacalhau, mas de olho no futuro. “Muitas vezes dizemos que nosso lema é ‘In cod we trust’ (no bacalhau nós confiamos). Temos mostrado que juntos podemos trabalhar em áreas como a economia azul, no reforço da competitividade das empresas portuguesas e para que o bacalhau esteja cada vez mais presente e faça parte da cultura de Portugal”, apontou o embaixador de Portugal na Noruega, Pedro Pessoa e Costa. O diplomata acredita que essa parceria sempre pode ser reforçada, destacando que nessa conexão os dois países ganham com o compartilhamento de experiências e saberes. “Podemo-nos mostrar mais na Noruega e mostrar a excelência das empresas portuguesas e dos portugueses”, insistiu, notando que o mesmo acontece com Oslo, uma vez que a “Noruega tem muito mais do que o bacalhau e os fjords” (entradas de mar entre montanhas rochosas). Por sua vez, a embaixadora da Noruega em Portugal, Hanne Brusletto, ressaltou que os dois países “têm muito em comum”, desde o início “uma história fantástica nos oceanos e a paixão pelo bacalhau”. A cooperação entre Noruega e Portugal, conforme apontou, acontece no setor público, com a ajuda de fundos europeus, mas também no setor privado. “Estou muito feliz ao ver que os portugueses amam o bacalhau da Noruega. Estou também invejosa porque vocês têm todas as receitas de bacalhau. Os portugueses têm me ensinado muito sobre o bacalhau, sobre o bacalhau à Brás e os pastéis, mas ainda tenho muitas receitas para aprender”, afirmou.



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