Fitch deve manter ‘rating’ de Portugal mas perspectiva pode

Em setembro de 2025, a Fitch elevou o ‘rating’ de Portugal para ‘A’ com perspectiva (‘outlook’) estável, o que “refletiu, sobretudo, a consolidação orçamental e a redução consistente do rácio da dívida pública”, salientou João Cruz, analista de mercados da XTB, à Lusa. “Desde então, o quadro macroeconômico evoluiu de forma coerente com essa avaliação”, apontou o analista, destacando que em 2024, a dívida pública diminuiu para 93,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o saldo fiscal registrou superávit próximo a 0,5% do PIB e o crescimento econômico ficou em torno de 1,9% em 2024 e 2025. Nesse contexto, e “reconhecendo que nos mercados não há certezas, o cenário que reúne maior probabilidade nesta revisão é o de manutenção do ‘rating’ em A e da perspectiva estável”, antecipou o analista, considerando que a mudança recente por parte da Fitch “reduz, em termos históricos, a probabilidade de um novo ‘upgrade’ (melhoria) em um horizonte tão curto, dado que as agências tendem a privilegiar a consolidação das tendências antes de novas revisões para cima”. Para uma melhora adicional seria necessário “sinais claros de redução estrutural da dívida, nomeadamente uma aproximação sustentada em níveis inferiores a 90% do PIB, e manutenção de superávits em um quadro externo favorável”. Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também sinalizou, à Lusa, que o cenário-base para a próxima revisão da Fitch é o de manutenção do mesmo e, “caso os indicadores continuem a confirmar uma melhoria sustentada, uma eventual revisão do ‘outlook’ para positivo”. “A trajetória favorável dos últimos anos, refletida em sucessivas revisões para cima, dependerá da capacidade de Portugal manter superávits fiscais que sustentem a redução da dívida em um contexto de desaceleração econômica, de conter os custos de financiamento em um cenário de juros mais altos do que no período pré-2022, e de assegurar estabilidade e previsibilidade das políticas públicas, em um ambiente internacional em que o risco geopolítico tem ganhado protagonismo e contribuído para maior volatilidade nos mercados”, disse o analista. O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de classificação financeira, com grande impacto para o financiamento de países e empresas, uma vez que avalia o risco de crédito. Esta é a terceira avaliação da dívida soberana portuguesa este ano. A DBRS, em janeiro, manteve o ‘rating’ de Portugal com a perspectiva estável, enquanto a S&P deixou a classificação inalterada mas melhorou o outlook de estável para positivo. Leia Também: Lucro da farmacêutica alemã Merck cai 6% em 2025



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