Gestão dos orçamentos? Famílias devem adotar abordagem mais

"Varia consoante o valor". Quanto duram as notas que tem na

Com o mote do conflito na região do Oriente Médio, marcado pela volatilidade dos preços da energia, alta de juros e consequente aumento do custo de vida generalizado, o podcast “Lusa Extra”, da Agência Lusa, esteve à conversa com a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. Natália Nunes, autora de um guia financeiro da Deco, defende que o contexto internacional exige das famílias uma abordagem diferente na gestão do orçamento doméstico. “É fundamental adotarmos um conjunto de comportamentos agora, com os desafios que se nos afiguram, (…) medidas que nos permitam ter capacidade de resiliência, de resistir aos obstáculos”, afirmou, acrescentando que medidas, como anotar despesas e receitas são importantes, mas insuficientes se não forem acompanhadas de uma reflexão sobre as prioridades financeiras da família. O objetivo vai além do olhar para as receitas e despesas, é preciso identificar despesas essenciais, ver como evitar desperdícios, envolvendo todos os membros do agregado na gestão de um orçamento que fique blindado para momentos de desafio e imprevistos. “Nesta década, as famílias ainda não pararam de ser confrontadas por obstáculos e desafios. Quando começávamos a respirar da pandemia, tivemos a inflação e a alta dos juros. Agora, quando parecia que a inflação estava estável, os juros estáveis, eis que temos uma crise”, disse, numa alusão aos impactos que se anteveem do ataque dos EUA e Israel ao Irã, que desde logo empolaram o preço do petróleo e isso criará um efeito dominó nos vários setores econômicos. Questionada na área de energia e combustíveis, ela anuiu que os consumidores devem comparar preços entre postos e aproveitar promoções e descontos disponíveis, além de adotar hábitos de direção que reduzam o consumo. “O objetivo é não desperdiçar dinheiro. Todos nós passamos um mês inteiro trabalhando para ter nossa renda e (…) esse dinheiro não pode ser desperdiçado”, ressaltou. A chefe da associação de consumidores também alertou para a possibilidade de nova pressão sobre o crédito imobiliário, em um contexto em que os mercados já antecipam uma eventual alta de juros pelo Banco Central Europeu, a fim de combater uma taxa de inflação que se espera mais alta. Sobre as taxas Selic, Natália Nunes lembrou que esses juros de três, seis e um ano vêm subindo desde o início de março, o que pode refletir nas parcelas da casa para contratos com taxa variável já em abril. “Os consumidores devem acompanhar a evolução (das Euribor)”, defendeu, acrescentando que é essencial conhecer-se “muito bem as condições dos empréstimos”, como o indexante, o ‘spread’ ou a periodicidade da revisão, para que cada consumidor perceba “até se as condições que têm estão ajustadas ao que o mercado oferece, (…) se a prestação está ajustada ao orçamento familiar”, aconselhou. Entre as opções disponíveis estão a renegociação das condições do crédito, a transferência para outro banco ou a adoção de soluções como a taxa mista, com período inicial de taxa prefixada. Outra área sensível para os orçamentos familiares é a alimentação, que também deve ver os preços subirem. “É sempre uma rubrica (dentro do orçamento) que me deixa alguma angústia porque (…) é muito constrangedor ver que uma das rubricas onde mais se corta é na alimentação (…) muitas vezes para pagar a prestação ou o aluguel da casa”, disse. Ainda assim, ele defendeu que há espaço para reduzir custos nessa área por meio de um bom planejamento, nomeadamente definindo as refeições da semana com antecedência, fazendo listas de compras ou comparando preços entre supermercados. Leia Também: Vem piorando por aí? Como a Euribor pode influenciar a prestação da casa

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