Costa promete apoios da UE à energia em “momento dramático e

“Esta crise representa um momento dramático e desafiador para a ordem internacional baseada em regras e, evidentemente, tem um enorme impacto nos custos da energia. Por isso, apelamos à Comissão Europeia para que apresente um conjunto de medidas temporárias e específicas destinadas a fazer face a este aumento dos custos da energia”, afirmou António Costa. Em entrevista à Lusa e a outras agências de notícias no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) às vésperas de uma cúpula europeia marcada para quinta e sexta-feira sobre competitividade econômica, inclusive na energia, o presidente do Conselho Europeu ressaltou: “Sem dúvida, temos que tomar decisões. É por isso que precisamos nos reunir (pois) é na reunião que vamos tomar decisões”. O encontro europeu de alto nível ocorre cerca de três semanas após o início da ofensiva militar realizada por Israel e os Estados Unidos contra o Irã e consequente resposta iraniana. “Essa situação nos lembra que estamos no caminho certo ao investir na transição energética porque não podemos depender da energia importada e precisamos desenvolver energia produzida internamente, seja a partir de fontes renováveis ou nucleares, mas precisamos ser independentes e fortalecer nossa autonomia estratégica”, acrescentou. Segundo o ex-primeiro-ministro português, antes mesmo da atual crise energética causada pela situação no Oriente Médio, o Conselho Europeu já havia “identificado que é preciso reduzir o custo da energia” na UE. “A melhor maneira de fazer isso é investir cada vez mais em energia produzida internamente. Quando você olha para o mapa de custos de energia na Europa, fica claro que as regiões com preços mais baixos são aquelas onde a energia produzida internamente é mais intensa, a Península Ibérica e os países nórdicos”, exemplificou. Além disso, a longo prazo, será preciso “analisar os diferentes componentes dos custos de energia e tentar resolver essa questão”, concluiu Antonio Costa. As declarações do líder europeu vêm em um momento em que os preços da energia (gás e luz) sobem acentuadamente no espaço comunitário. Entre as opções em discussão na UE estão a possibilidade de limitar temporariamente o preço do gás, reduzir impostos e encargos nas contas de energia e permitir apoio estatal a empresas e setores industriais mais afetados pelos altos custos de energia. Bruxelas também avalia quaisquer ajustes no mercado europeu de carbono e o uso de reservas estratégicas de energia para ajudar a estabilizar os preços. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia defende medidas de proteção aos consumidores e insiste que a resposta estrutural é acelerar o investimento em energias renováveis, redes elétricas e eficiência energética, mantendo o atual modelo do mercado europeu de eletricidade. Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar em grande escala contra o Irã. Teerã respondeu fechando o Estreito de Ormuz e lançando ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases dos EUA e outras infraestruturas em países da região. Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia – especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – tende a gerar choques nos mercados internacionais de energia e a elevar os preços. Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente. Leia também: Objetivo de Estados Unidos e Israel com guerra contra Irã “não está claro”



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