OMC prevê uma forte desaceleração do comércio mundial de

OMC prevê uma forte desaceleração do comércio mundial de

“O aumento sustentado dos preços da energia poderá agravar os riscos que pesam sobre o comércio mundial, com potenciais repercussões na segurança alimentar e pressões sobre os custos para os consumidores e as empresas”, alertou hoje a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo Iweala, citada pela AFP.

A apresentação anual das previsões de crescimento do comércio da OMC para este ano ocorre num contexto particular, com a guerra no Médio Oriente, que está a provocar uma subida acentuada dos preços da energia, reacendendo os receios de uma crise económica grave após quase três semanas de guerra.
Neste contexto, o relatório hoje apresentado pela organização baseia-se em dois cenários principais, refletindo o elevado grau de incerteza em torno da duração do conflito.
De acordo com um primeiro cenário que exclui os choques relacionados com os preços da energia, o crescimento em volume do comércio mundial de mercadorias deverá, ainda assim, abrandar este ano, situando-se em 1,9%, contra 4,6% em 2025.
Este cenário baseia-se num crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial que deverá abrandar ligeiramente, passando de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026 e em 2027.
Segundo a OMC, o comércio de mercadorias deverá assim “normalizar-se” este ano — com ou sem guerra no Médio Oriente —, após um crescimento mais forte do que o previsto em 2025, impulsionado nomeadamente pelo aumento do comércio de produtos relacionados com a inteligência artificial (IA).
O volume do comércio mundial de mercadorias deverá, em seguida, crescer 2,6% em 2027, de acordo com este cenário. Quanto ao volume dos serviços, este deverá crescer 4,8% em 2026 e 5,1% em 2027.
No segundo cenário, a OMC explica, que se os preços do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) se mantiverem elevados ao longo do ano, a previsão de crescimento do PIB mundial para 2026 “seria reduzida em 0,3 pontos percentuais”.
Esta situação reduziria, consequentemente, em 0,5 pontos percentuais a previsão do comércio para este ano. Neste contexto de preços elevados da energia, o volume do comércio de mercadorias cresceria apenas 1,4%.
O comércio de serviços, por sua vez, registaria também um crescimento mais moderado de 4,1% em 2026.
“No entanto, os membros da OMC podem contribuir para atenuar o impacto” da guerra “e aliviar o fardo económico que pesa sobre as populações de todo o mundo, mantendo políticas comerciais previsíveis e reforçando a resiliência das cadeias de abastecimento”, assegura a diretora-geral da organização.
Os economistas da OMC observam que existe também a possibilidade de o crescimento do comércio de mercadorias ser mais forte do que o previsto, caso a guerra no Médio Oriente seja de curta duração e o comércio relacionado com a IA se mantenha em níveis significativos em 2026 e 2027. Nesse caso, poderia atingir um crescimento de 2,4% este ano e de 2,7% em 2027.
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