Banco Mundial Defende Investimento Coordenado Para
advertisemen tO Banco Mundial defendeu a necessidade de um investimento coordenado e estruturado no setor de água em Moçambique, ressaltando que o recurso pode ser assumido como um verdadeiro motor de crescimento econômico, desde que seja gerido de forma integrada e sustentável. A posição foi apresentada nesta segunda-feira pelo representante da instituição em Moçambique, Fily Sissoko, durante uma mesa-redonda dedicada ao setor, na qual destacou que a segurança hídrica deve ser colocada no centro das políticas de desenvolvimento. “Globalmente, a água é reconhecida como uma questão econômica e de desenvolvimento”, disse, acrescentando que o investimento no setor pode “desbloquear o potencial econômico” do País. Segundo Fily Sissoko, Moçambique enfrenta desafios significativos, apesar de ter recursos hídricos abundantes. A limitada capacidade de armazenamento e a alta exposição a eventos climáticos extremos colocam o País em uma posição vulnerável. “Sem infraestruturas resilientes Moçambique continuará a absorver choques”, alertou. O Banco Mundial identificou quatro desafios estruturais: escassez de infraestrutura de armazenamento, baixo acesso a serviços de água e saneamento, alta vulnerabilidade climática e limitações no financiamento do setor. Dados apresentados indicam que o acesso à água potável está em cerca de 67%, enquanto o saneamento abrange apenas 39% da população, com fortes assimetrias entre áreas urbanas e rurais. No plano financeiro, a instituição estima que serão necessários cerca de 14 bilhões de dólares para alcançar os objetivos de segurança hídrica e acesso universal até 2030, o equivalente a aproximadamente 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse contexto, Fily Sissoko ressaltou que “nenhum ator pode fazer isso sozinho”, defendendo uma abordagem baseada em parcerias. O oficial pediu a mobilização conjunta do setor público, privado e parceiros de desenvolvimento, destacando a importância de melhorar a eficiência operacional e garantir a sustentabilidade financeira. “Há uma necessidade urgente de nos movermos em direção a atividades mais eficazes e mobilizar capital privado”, disse ele. O Banco Mundial destacou ainda que experiências internacionais demonstram que a água pode ser transformada em um ativo econômico estratégico quando integrada em políticas de longo prazo, apontando exemplos como Cingapura e Vietnã. Como parte de seu apoio ao País, a instituição anunciou o lançamento do Diagnóstico de Segurança da Água em Moçambique, instrumento que identifica desafios e oportunidades no setor, evidenciando que o investimento em água pode acelerar o crescimento econômico, reforçar o capital humano e aumentar a resiliência climática. A mesa-redonda sobre o tema “Acelerar o Investimento Para a Universalização do Acesso à Água e Saneamento” reuniu, em Maputo, representantes do Governo, parceiros de cooperação, instituições financeiras como o Banco Mundial, setor privado, academia, sociedade civil e órgãos de comunicação social, num encontro de alto nível destinado a discutir soluções para os desafios estruturais do sector das águas, com enfoque na mobilização de financiamento, expansão do acesso e reforço da resiliência face às mudanças climáticas. Texto: Felisberto Ruco



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