Ruanda Garante “Empenho” Nas Operações, Apesar Das
advertisemen tO embaixador de Ruanda em Moçambique, Donat Ndamage, garantiu que as tropas continuam engajadas nas operações de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, mesmo diante das incertezas sobre o financiamento da União Europeia (UE). Citado pelo jornal O País, o diplomata assegurou que não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre o fim do apoio financeiro e mantém abertura para continuar a missão contra a insurgência na região Norte, ressaltando que a ajuda de seu país não começou com o financiamento europeu e pode ir além. Donat Ndamage reconheceu, no entanto, os desafios da operação militar e as realizações conjuntas. “Esperamos que as pessoas entendam que estamos fazendo muitos sacrifícios, mas estamos prontos para ajudar. Não temos recursos ilimitados, perdemos pessoas, mas pelo menos a paz está garantida.” O embaixador lembrou que a presença ruandesa em Cabo Delgado é resultado de um convite do Governo moçambicano, em espírito de solidariedade entre as nações, e considerou que “o futuro da missão deve ser decidido em coordenação entre os dois Estados”. No início de março, o ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, alertou que o destacamento militar ruandês que combate o terrorismo em Cabo Delgado poderia ser retirado do norte de Moçambique se não houver garantias de “financiamento sustentável” para a operação. “Não se trata de ‘Ruanda poder se retirar’, mas sim de ‘Ruanda retirará’ suas tropas de Moçambique, caso não seja garantido financiamento sustentável para suas operações antiterroristas em Cabo Delgado”, disse Nduhungirehe, em mensagem publicada em sua conta oficial na rede social X. A posição de Ruanda vem em um momento em que se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, previsto para maio, após 36 meses de financiamento que totalizou 40 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos da América (EUA), que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL), liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado, aplicaram sanções às Forças de Defesa de Ruanda (RDF) devido ao conflito na República Democrática do Congo. A UE faz um balanço das medidas adotadas quanto ao conflito armado, lembrando que o bloco organizou uma missão de treinamento militar Por sua vez, o Governo moçambicano manifestou “preocupação” e “choque” com o anúncio do fim do apoio da UE, garantindo que busca alternativas e que as sanções dos EUA não afetam a operação de Ruanda em Cabo Delgado. “Antes mesmo de chegar a Maio, teremos de ter uma clara evidência sobre o que é que efectivamente deverá acontecer sobre isto. Mas também, uma vez anunciado, foi um choque”, declarou o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, num briefing com jornalistas em Maputo. Recentemente, a Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros afirmou estar em “diálogo contínuo” com o Governo de Moçambique para definir eventuais apoios em termos de medidas de segurança em Cabo Delgado, esclarecendo que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser tomadas entre os dois países africanos. Citado pela Lusa, o responsável ressaltou que a UE reconhece a contribuição muito importante feita por Ruanda nos esforços para controlar o terrorismo na região, ressaltando que as autoridades moçambicanas também têm valorizado a presença das forças ruandesas. O apoio da UE consiste em 20 milhões de euros previstos desde novembro de 2024, que se somam a outro apoio idêntico de 20 milhões concedido em 2022, totalizando 36 meses de assistência. Esse financiamento foi destinado, entre outros, à aquisição de equipamentos pessoais e transporte aéreo estratégico. A verba adicional complementou a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas anteriormente formadas pela Missão de Formação da UE Moçambique. Desde outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já causou milhares de mortos e levou a uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em abril de 2025, os ataques também se espalharam pela vizinha província de Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva Niassa e no Centro Ambiental Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram propriedades, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Esses atos resultaram na morte de pelo menos duas pessoas, e levaram ao deslocamento de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.advertisement



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