Alívio durou pouco: Preço do petróleo já está a subir outra

Um pouco antes da abertura do mercado dos EUA, o preço do petróleo voltou a subir, sendo que o Brent, referência na Europa, avançava 3,46%, para 103,34 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 4,55 %, para 92,15 dólares.
A subida dos preços do petróleo acontece num momento em que os mercados estão céticos em relação a um fim próximo do conflito no Irão, mesmo depois da desvalorização da matéria-prima nos mercados internacionais na segunda-feira.
Petróleo caiu 10% na segunda-feira
As cotações do petróleo caíram na última sessão mais de 10%, em reação brutal à reviravolta de Donald Trump sobre o Irão, que garantiu ter tido “muito boas” discussões com os dirigentes de Teerão, para acabar com a guerra.
Apesar de terem sido desmentidas pelos iranianos, as afirmações de Trump ofereceram a esperança de um alívio no mercado dos hidrocarbonetos, cujos preços não param de subir desde o início dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão.
O Brent, referência internacional, desde logo para a Europa, valorizou mais de 40% desde o início dos ataques. O gás europeu, estruturalmente mais volátil, viu a sua cotação subir mais de 75%.
As exportações de hidrocarbonetos dos Estados do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Iraque ou Qatar, são em grande parte travadas pela quase paralisia do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás liquefeito.
Segundo o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Briol, isto implica “menos de 11 milhões de barris” de petróleo todos os dias, o que representa “mais do que as duas crises petrolíferas (nos anos 1970) reunidas”. Birol realçou, a propósito, uma “ameaça relevante” para a economia mundial.
Mas, desde que Trump falou em desanuviamento, os investidores apressaram-se a vender os seus barris, para embolsar o ganho, provocando uma quebra acentuada das cotações e um alívio do “prémio de guerra”.
Depois de ter chegado a cair mais de 14%, o Brent acabou as transações no mercado internacional de futuros de Londres em baixa de 10,92%, para 99,94 dólares. Por sua vez, o norte-americano WTI caiu 10,28%, para os 88,13 dólares.
Para procurar reabrir o Estreito de Ormuz, Trump, no sábado, fez um ultimato ao Irão, dando-lhe dois dias, para aquela reabertura, sob pena de atacar as suas centrais elétricas. Mas hoje fez ‘marcha-atrás’, evocando um avanço de “cinco dias” da data-limite.
“A impressão que isto dá é que ele está próximo da sua linha vermelha”, disse John Plassard, do Cité Gestion Private Bank, em declarações à AFP.
Na sua opinião, esta eventual escalada, com o risco de represálias iranianas sobre as infraestruturas dos Estados do Golfo Pérsico, levaria o petróleo “aos 150 dólares por barril, o que teria implicações catastróficas” para a economia e os cidadãos dos EUA, quando se está a poucos meses das eleições do meio do mandato.
A forte queda das cotações hoje ocorrida ilustra o profundo alívio dos investidores, por verem afastar-se este cenário catastrófico: uma crise ligada ao transporte marítimo pode resolver-se se a guerra acabar, ao contrário de uma outra causada pela destruição das infraestruturas energéticas no Médio Oriente, cujas repercussões durariam anos.
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