Mário Fortuna diz que os Açores “estão longe” de um resgate

Mário Fortuna diz que os Açores "estão longe" de um resgate

“Temos finanças públicas cada vez mais exigentes, cada vez mais desequilibradas, mas longe de qualquer situação que justificasse um resgate financeiro ou qualquer coisa drástica”, ressaltou o empresário, durante audiência parlamentar na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida nesta quinta-feira em Ponta Delgada. Mário Fortuna fez uma alusão às declarações de Francisco César que, em entrevista ao jornal Público, disse que “há uma probabilidade” de ser necessária “uma intervenção ou um financiamento permanente por parte do Estado português” naquela região autônoma, devido ao desequilíbrio das contas públicas regionais. O presidente do PS/Açores, maior partido de oposição na região, lembrou que as empresas públicas “têm dificuldade em pagar salários” por culpa do Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), que alegadamente não cumpre os contratos-programa, mas Mário Fortuna lembra que qualquer resgate financeiro implica sempre a perda da autonomia regional. “Não é que o assunto não nos preocupe. Antes precaver do que remediar, mas tenho dito sempre que, o que era preciso mesmo, era termos um quadro financeiro plurianual, bem feito e bem fundamentado, para percebermos onde é que estamos e para onde queremos ir, e sermos nós próprios a tomar as decisões. Quando entramos na fase do resgate, perdemos autonomia”, advertiu. O presidente do executivo açoriano, o social-democrata José Manuel Bolieiro, admitiu nesta quarta-feira que a situação financeira da região “é complexa”, mas afastou a ideia de que os Açores precisem de algum resgate financeiro, garantindo que o governo “está fazendo um esforço para controlar a situação”. Mário Fortuna foi ouvido pelos deputados, como representante da Universidade dos Açores, a propósito de uma proposta da bancada do Chega, sobre a sustentabilidade do setor público empresarial, que defende a extinção de vários institutos, observatórios e empresas públicas regionais. O ex-empresário admite que alguns órgãos podem desaparecer, como o Observatório de Turismo dos Açores, mas criticou, sobretudo, a falta de apoio dos governos regional e nacional à Universidade dos Açores, que considera estar sendo desprezada por sucessivos executivos. “A Universidade dos Açores tem sido muito maltratada entre governos. É inconcessível que a Universidade dos Açores não tenha enquadramento nos quadros comunitários nacionais, e não tenha enquadramento nos quadros comunitários regionais! Alguma coisa aqui está a falhar grosseiramente!”, lamentou Mário Fortuna. Segundo explicou, a falta de financiamento adequado à academia açoriana, tanto na região quanto no continente, faz com que a Universidade dos Açores esteja enfrentando graves problemas decorrentes da falta de manutenção de seus prédios. “Temos uma Universidade com instalações degradadas porque não consegue acessar os fundos comunitários, como todas as outras universidades acessam. E acho que é de uma irresponsabilidade total, tanto da região quanto da República, não resolver esse problema a tempo e horas”, apontou Mário Fortuna, lembrando que os quadros comunitários estão se esgotando “e ninguém resolve esse problema”. Leia Também: Governo nega saber necessidade de resgate financeiro aos Açores

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