Serviços de apoio domiciliário sofrem com falta de

Serviços de apoio domiciliário sofrem com falta de

O estudo “(Re)Imaginar os Cuidados no Domicílio em Portugal”, realizado por Maria Irene Carvalho e Carla Ribeirinho, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, analisou 510 Serviços de Apoio Domiciliário (SAD), onde trabalham 9.134 profissionais, uma média de 7,36 por organização. A maioria são ajudantes de ação direta (41%) e ajudantes familiares (17,8%), com contratos efetivos em 85,5% dos casos. Os salários médios variam de R$ 871 a R$ 899 e a carga horária semanal é majoritariamente de 31 a 40 horas para 76,5% dos profissionais. A formação profissional é adquirida principalmente na prática (43,9% frequentemente, 25,3% muito frequentemente) e por meio de formação continuada promovida pelas organizações (40,4%), segundo o estudo desenvolvido no âmbito do programa Science4Policy, financiado pelo PLANAPP – Centro de Planejamento e de Avaliação de Políticas Públicas, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia. As dificuldades de contratação de ajudantes de ação direta e familiares são frequentes em todos os setores e territórios, ocorrendo regularmente em 54,7% das organizações e de forma pontual em 31,2%. A carreira profissional é definida em 51,2% dos SAD, especialmente no setor sem fins lucrativos e em territórios mistos ou rurais, enquanto nos SAD lucrativos, a inexistência de carreira afeta 6,5% das organizações, diz o estudo, que destaca a necessidade de regulamentar a profissão de ajudantes de ação direta e familiar. Em declarações à Lusa, Carla Ribeirinho afirmou que o estudo evidencia “uma fragilidade imensa de enquadramento, de formação, de capacitação de profissionais”. “É como se fosse uma área, às vezes, pantanosa, em que não tem carreira profissional, não tem reconhecimento, não tem valorização, não tem formação, um abuso claro”, criticou. Para Carla Ribeirinho, “é uma área pantanosa” que não basta financiar, ainda que o financiamento seja uma das grandes recomendações. “É preciso regular, é preciso capacitar as organizações, os profissionais”, garantindo que “as pessoas são o centro do processo”. “A gente sempre demoniza que as pessoas estão trancadas em instituições e que não vivem. Mas o que estamos fazendo com as pessoas idosas no domicílio, quando vamos lá no toca e foge duas vezes por dia, ou três no máximo, levar a marmita, trocar uma fralda? Isso para mim não é envelhecer com dignidade”, observou. Contudo, disse que não se pode exigir das organizações “que façam mais, que façam melhor e que o façam em dignidade de quem cuida e de quem é cuidado”, quando são “completamente desprovidas” de um acompanhamento técnico e de um modelo de cuidados de longa duração mais integrado e diferenciador. Dos 510 SAD analisados, 85,9% são organizações sem fins lucrativos, 8,6% lucrativas e 5,5% mistas. Sua população-alvo inclui pessoas com 65 anos ou mais (96%), pessoas com demência (67,3%), dependentes permanentes (62,3%) ou temporários (59,9%), pessoas com deficiência (53,3%), com doença mental (36,5%) e cuidadores informais (10,2%). O estudo indica ainda que apenas 44,1% dos SAD atingem a capacidade máxima. Entre os que não atingem, 38% apontam falta de demanda para determinados serviços e 15,9% falta de profissionais. Estudos de casos revelam que o SAD é essencial para a permanência no domicílio e para combater a solidão, mas, apesar desse reconhecimento, há vários desafios, entre eles escassez de profissionais qualificados, precarização do trabalho no setor lucrativo, especialmente entre trabalhadoras estrangeiras, e a dificuldade de recrutamento em áreas rurais ou insulares. O financiamento atual não acompanha a complexidade das situações, nem os custos logísticos de áreas rurais, urbanas ou das Regiões Autónomas. O estudo também sublinha a invisibilidade dos cuidadores informais, o baixo uso de tecnologias como teleassistência e sistemas de avaliação formal da qualidade, e a necessidade de modelos integrados de cuidados de longa duração que garantam dignidade e reduzam desigualdades no acesso aos SAD. Leia Também: Home Care. Usuários com menos recursos só recebem atendimento 1h/dia

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