China retira liquidez do sistema financeiro pela primeira

Segundo cálculos realizados pela agência de notícias financeiras Bloomberg, o Banco do Povo da China retirou 890 bilhões de yuans (111,9 bilhões de euros) ao longo do mês por meio de operações de curto prazo em mercado aberto, e outros 250 bilhões de yuans (31,4 bilhões de euros) por meio de outros mecanismos, como acordos de recompra reversa ou facilidades de empréstimo de médio prazo. Essa postura marca uma “virada abrupta” após meses de acúmulo de liquidez, depois que as autoridades prometeram mais apoio diante do contexto de maior desaceleração desde que Pequim pôs fim à política nacional de ‘zero covid’, no fim de 2022. A mudança não responde apenas ao impacto do conflito no Oriente Médio, mas também ao fato de que os principais indicadores econômicos apontam para uma recuperação da atividade no início do ano, fatores que estariam afastando o fantasma da deflação que tem pairado sobre a segunda maior economia mundial nos últimos anos. Analistas consideram que o banco central chinês não tem tanta pressa quanto outros grandes bancos centrais em apertar a política monetária, mas veem cada vez mais difícil que ele opte por novos estímulos diante da incerteza. Alguns agora consideram menos prováveis os cortes nas taxas de juros e nos requisitos de reservas bancárias (percentual de fundos que um banco não pode emprestar) que haviam sido antecipados anteriormente. Segundo Lynn Song, do banco ING Bank, as autoridades buscam “guardar munição para quando mais injeções forem necessárias no futuro”, já que a liquidez no mercado interbancário é atualmente “bastante ampla”. A tendência será confirmada no meio do mês, quando o banco central divulgará dados oficiais sobre seu balanço, que incluem números relativos a empréstimos a bancos comerciais, que haviam crescido por nove meses consecutivos até fevereiro. “A postura do banco central continua sendo de prudência. O nível de juros é mais importante. Desde que as taxas interbancárias não registrem volatilidade excessiva, a redução do balanço não deve ser um problema”, acrescenta Michelle Lam, do banco Société Générale. Diante do bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 45% do petróleo que importa, a China registrou uma das maiores altas recentes nos preços dos combustíveis, o que levou os reguladores a intervir para limitar o impacto entre os cidadãos. Leia também: Bolsas chinesas caem até 1,15% após discurso de Trump



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