Easyjet admite redução da operação na Madeira com alterações

Easyjet admite redução da operação na Madeira com alterações

“Essa retirada do limite superior vai fazer com que os preços subam artificialmente”, declarou José Lopes, acrescentando que a medida terá “zero benefícios” para os moradores e contribuirá para afastar os visitantes, que constituem a maioria dos passageiros nas rotas domésticas. O responsável da Easyjet falava numa conferência de imprensa, no Funchal, organizada em conjunto com a Secretaria Regional do Turismo, para abordar a atividade e os compromissos de longo prazo da empresa no arquipélago madeirense. José Lopes destacou que a Easyjet é a companhia aérea que lidera as operações aéreas na Madeira, tendo registrado uma evolução de mais de seis vezes no que diz respeito à capacidade total oferecida entre 2007 — ano em que começou a operar na região — e o ano passado. Neste verão IATA (sigla em inglês da Associação Internacional de Transporte Aéreo), que começou no final de março e termina em 24 de outubro, 5.700 voos serão operados pela companhia aérea no aeroporto da Madeira, um aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, com mais de um milhão de assentos (4% a mais que no ano passado) e 15 rotas para seis países, uma a mais que no ano anterior, para Nice (França). Já no aeroporto de Porto Santo, serão mantidas as duas rotas que já existiam, para Lisboa e Porto, embora com redução para a capital portuguesa devido a constrangimentos naquele aeroporto, indicou. Questionado pelos jornalistas, José Lopes disse que o plano de operação foi feito com base nos cenários que existem atualmente, alertando que, se for aplicada a medida de alteração do regime de subsídio social de mobilidade que retira os tetos máximos das viagens aéreas para residentes da Madeira e dos Açores, haverá implicações na atividade da Easyjet. “Espero que seja feita uma análise e seja encontrada uma forma de ser mais racional e menos emocional no tratamento do assunto”, apelou. Interrogado sobre a possibilidade de abandonar a rota, o dirigente descartou essa hipótese, mas apontou a possibilidade de “haver redução de capacidade no mercado”. José Lopes deu o exemplo dos Açores, por exemplo, para onde a Easyjet não opera mais, que no passado não tinha um teto máximo para os beneficiários do subsídio de mobilidade e os preços eram mais altos, o número de passageiros menor e os encargos por parte do Orçamento do Estado eram maiores. Por sua vez, o secretário regional de Turismo, Eduardo Jesus, ressaltou que nenhuma das propostas da Madeira visava acabar com o fim dos custos elegíveis, apontando que essa era uma reivindicação dos Açores. Eduardo Jesus acusou o responsável pela proposta, o socialista Carlos Pereira, embora sem citar seu nome, de ser uma “barriga de aluguel” da agenda açoriana e disse que, quando foi deputado na Madeira, não defendia a falta de teto máximo. O governante assinalou ainda que “94% das passagens aéreas não chegam a 400 euros” e defendeu que os residentes devem ser responsabilizados quando escolhem e planeiam a sua viagem, salientando que a despesa do erário público aumentará exponencialmente sem a existência deste valor máximo reembolsável. Essas mudanças foram aprovadas na sexta-feira, na Assembleia da República, mas ainda não entraram em vigor. As mudanças são resultado de duas iniciativas de apreciação do diploma apresentadas pelo PS e pelo Chega, e o acesso ao subsídio social de mobilidade passa a ser chamado de mecanismo de continuidade territorial (MCT), deixa de ser dependente da situação contributiva dos beneficiários e da apresentação de recibo, caindo também o teto máximo do custo elegível da passagem. O valor do reembolso atribuído a residentes e estudantes de regiões autônomas resulta da diferença entre o custo elegível da passagem e a tarifa máxima suportada pelo residente. Se o custo da passagem for maior que o teto máximo, o passageiro deve arcar com esse valor adicional. O subsídio social de mobilidade estabelece uma tarifa máxima para residentes de 79 euros e para estudantes de 59 euros nas ligações entre a Madeira e o continente (ida e volta), com um teto máximo de 400 euros. Nos Açores, a tarifa máxima suportada pelos residentes nas viagens para o continente é de 119 euros e a suportada pelos estudantes é de 89 euros, tendo sido aplicado recentemente um teto máximo de 600 euros. Leia Também: EasyJet garante situação normalizada após voos cancelados na Madeira

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