Manguezais Entre Sobrevivência e Desenvolvimento Econômico
advertisemen tNa província da Zambézia, o projeto “MozBlue”, implementado pela Blue Forest, organização internacional dedicada à conservação e restauração de ecossistemas naturais, com autorização do Governo moçambicano, surge como uma aposta de longo prazo para o reflorestamento dos manguezais, aliando a conservação ambiental à criação de soluções econômicas sustentáveis. Ao longo da costa da Zambézia, muitas comunidades enfrentam um dilema diariamente: proteger os manguezais ou garantir renda imediata. Para diversas famílias, esses ecossistemas representam, simultaneamente, uma fonte de sustento e uma ameaça ao futuro quando explorados de forma insustentável. Durante anos, a degradação dos manguezais foi atribuída exclusivamente às populações locais. No entanto, especialistas argumentam que essa visão ignora fatores estruturais, enfatizando que “a conservação é impossível sem alternativas econômicas viáveis”. Moçambique possui cerca de 2700 quilômetros de manguezais, que protegem aproximadamente 12 milhões de pessoas. Esses ecossistemas desempenham um papel fundamental na preservação da biodiversidade e no suporte à economia; ainda assim, o País continua perdendo milhares de hectares todos os anos. É nesse contexto que surge o “MozBlue”, um projeto de conservação e desenvolvimento sustentável com uma visão de 60 anos, que busca transformar o manguezal em um ativo econômico para as comunidades locais. Com o apoio da COAST Facility — mecanismo financiado pelo Governo do Reino Unido para promover a economia azul e apoiar países costeiros na gestão sustentável dos recursos marinhos — e da DAI Global UK — organização internacional de desenvolvimento que implementa projetos nas áreas econômica, ambiental e social —, foram criadas três cadeias de valor na Zambézia. A iniciativa aposta na apicultura, por meio da produção de “mel azul”, no uso do bambu como alternativa à madeira e na aquicultura de caranguejo, em parceria com a Universidade Eduardo Mondlane, voltada para a pesquisa científica e a formação acadêmica. Abrangendo mais de 155 mil hectares, o projeto demonstra que o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental podem avançar em uníssono. Como conclui um dos representantes da iniciativa, “o futuro de nossas comunidades depende das decisões que tomarmos hoje sobre nossos recursos naturais”. Fonte: Jornal O País



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