Executivo Lança Plano Estratégico 2026-35 Para o Sector
a d v e r t i s e m e n tO Governo lançou, esta quinta-feira (23), em Maputo, o plano estratégico da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma) para o período 2026-35, defendendo que os operadores florestais devem assumir um papel central no combate à exploração ilegal de madeira.
Na ocasião, o director nacional de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume, considerou os operadores como os “melhores aliados” para travar práticas ilegais, apelando à denúncia de ilícitos e à promoção da transparência em todo o sector.
“Vocês queixam-se da produção desregrada de carvão, da serragem manual e do corte de estacas de mecrusse abaixo do diâmetro legal. Têm toda a razão, mas o Estado não pode estar presente em cada hectare de floresta. Acredito que podem ser os nossos melhores aliados”, afirmou Imede Falume.
O responsável reforçou a necessidade de maior envolvimento dos operadores, defendendo que estes devem desempenhar um papel activo tanto na denúncia de práticas ilegais como na valorização da legalidade.
“Imaginem uma Fedemoma que forma os seus próprios fiscais ajuramentados, que denuncia formalmente os infractores e que publica, no seu portal, uma lista mensal de operadores ilegais”, acrescentou, sublinhando que o cumprimento da lei é essencial para valorizar quem actua dentro da legalidade.
Imede Falume destacou ainda a importância da união entre os membros do sector, alertando que a fragmentação reduz a capacidade de negociação, dificulta o acesso ao crédito e limita a certificação da madeira.
“Cada operador, isoladamente, tem pouca força para negociar preços, obter financiamento ou certificar a madeira. Em conjunto, podem ganhar escala e relevância”, afirmou, referindo que o plano prevê a criação de entrepostos comerciais, a padronização de produtos e a definição de preços de referência.
“O sector florestal deve evoluir de um modelo predominantemente extractivo para um modelo integrado”Amâncio Gume
O dirigente defendeu igualmente uma maior aproximação às comunidades locais, incentivando acções de responsabilidade social e a criação de comités mistos com líderes comunitários. Segundo disse, “uma comunidade que beneficia da floresta tende a protegê-la”.
Por sua vez, o presidente da Fedemoma, Jorge Chacate, explicou que o plano resulta de um processo de reorganização iniciado nas províncias de Manica, Sofala e Niassa, posteriormente alargado a Cabo Delgado, com o objectivo de estruturar o sector, reforçar a sua representação e criar associações provinciais.
“Queremos romper com o ciclo de exportação de matéria-prima em bruto”, afirmou Jorge Chacate, acrescentando que o plano prevê ainda a criação de três centros de formação tecnológica, distribuídos pelas regiões sul, centro e norte, para capacitar os operadores.
Já o representante da Confederação das Associações Económicas (CTA), Amâncio Gume, defendeu a transição para um modelo integrado, orientado para a criação de valor, industrialização e sustentabilidade.
“O sector florestal deve evoluir de um modelo predominantemente extractivo para um modelo integrado”, afirmou Amâncio Gume, destacando o potencial ainda subaproveitado do País e a necessidade de reforçar a fiscalização, simplificar procedimentos e atrair investimento privado.
Fonte: Lusa



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