S&P Alerta Que Moçambique Está Entre os Mais Vulneráveis ao
a d v e r t i s e m e n tA agência de notação financeira S&P Global Ratings alertou que os riscos para as classificações de crédito soberano em países africanos irão, provavelmente, piorar quanto mais tempo durar a guerra no Médio Oriente.
Citada pela Reuters, a instituição afirmou que o aumento dos custos de importação de combustíveis e fertilizantes elevará a inflação e as dificuldades fiscais dos países, podendo levá-los a uma pressão sobre as suas classificações de risco.
“O Egipto, Moçambique e o Ruanda estão entre os países mais expostos, embora os mercados de capitais internos robustos do Egipto e os elevados níveis de dívida concessional do Ruanda ofereçam alguma compensação”, esclarece a agência.
Segundo a publicação, os menos expostos são os exportadores líquidos de petróleo, nomeadamente a Nigéria, Angola e Congo-Brazzaville, bem como Marrocos, devido às suas reservas cambiais mais robustas.
O cenário base da S&P pressupõe que o conflito atingirá o seu pico e que o Estreito de Ormuz será gradualmente reaberto, mas que as perturbações relacionadas persistirão provavelmente durante meses, sublinhando que “uma retomada das hostilidades e um conflito mais prolongado representariam uma ameaça maior para muitos países africanos”.
Recentemente, a ministra das Finanças, Carla Loveira, admitiu a possibilidade de o Governo efectuar uma revisão orçamental “em caso extremo”, se a guerra no Médio Oriente se intensificar ao ponto de provocar a subida generalizada dos preços do petróleo.“No cenário mais extremo e adverso, poderá, sim, ser necessária uma revisão orçamental. Todo o impacto da guerra causa efeitos na economia, através da inflação importada, do incremento do preço dos combustíveis, que pode gerar uma subida dos produtos básicos alimentares. O conflito também pode determinar um agravamento da despesa pública, não em termos quantitativos, mas de valor”, explicou.
Em entrevista à Lusa, na Embaixada de Moçambique em Brasília, no âmbito de uma visita oficial de cinco dias ao Brasil, a governante afirmou que cerca de 80% das importações de combustíveis do País transitam pelo Estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, recordando que Moçambique tem reservas de combustíveis consideradas suficientes até Maio.
Loveira destacou que o Governo realizou uma análise baseada em diferentes cenários sobre o abastecimento e o preço do combustível: “um cenário base e actual; um cenário favorável, com manutenção dos contratos e estabilidade internacional; e um cenário adverso, com agravamento da situação.”
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo matado, durante a ofensiva, o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em contrapartida, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.a d v e r t i s e m e n t



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