Novo capítulo? Venda do Novo Banco ao BPCE é concluída

O Novo Banco (criado em agosto de 2014, durante a resolução do BES) é detido em 75% pelo fundo de investimento norte-americano Lone Star e em 25% pelo Estado português (através do Fundo de Resolução bancário e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças). Em junho do ano passado foi acordada sua venda para o grupo francês BPCE e desde então ocorreram os passos habituais de um processo de venda desse tipo (caso da ‘luz verde’ dos reguladores). Na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Miranda Sarmento, anunciou que seria a conclusão da venda nesta semana mas sem dar data. Segundo informações apuradas pela Lusa, a conclusão formal será nesta quinta-feira, mas não haverá cerimônia pública. Mesmo assim, nesse dia haverá vários comunicados ao mercado sobre os detalhes do negócio. Fontes do setor indicaram à Lusa que o valor da venda será superior aos 6.400 milhões de euros anunciados em junho de 2025. O ajuste do preço terá que ver com fatores como a melhoria do ativo (em 2025 o Novo Banco teve lucros de 828 milhões de euros), assim como redução de responsabilidades (no ano passado, o Tribunal Constitucional anulou o imposto adicional sobre a banca e devolveu o dinheiro que os bancos já tinham pago). Se o valor a ser pago fosse os 6.400 milhões de euros, o Lone Star encaixaria 4.800 milhões de euros e o Estado português 1.600 milhões de euros. Com o valor revisado para cima, quanto cada acionista se encaixa também será mais. No caso da Lone Star, o valor a receber (e dividendos já recebidos) significa um importante ganho de capital em relação aos 1.000 milhões de euros que injetou no banco quando o comprou (em 2017). Para o Estado português, o dinheiro a encaixar com a venda e dividendos pagos limitam o valor gasto na resolução do BES, que até agora – segundo cálculos feitos pela Lusa – custou cerca de 8.000 milhões de euros aos cofres públicos (resultado sobretudo da capitalização inicial do Novo Banco e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução). O Ministério da Fazenda disse em outubro passado que a venda das participações do Estado e do Fundo de Resolução no Novo Banco mais a distribuição de dividendos “permite ao setor público recuperar quase dois bilhões de euros dos fundos injetados na instituição”. O BPCE é dos principais grupos bancários da França. Já opera em Portugal no crédito ao consumo e na banca de investimento (detém o centro tecnológico da Natixis no Porto, com 2.500 funcionários), mas essa compra marca sua entrada na banca de varejo em Portugal. No ano passado, quando o acordo de compra foi conhecido, o presidente do BPCE, Nicolas Nimas, teve um encontro com os mais de 4 mil funcionários do Novo Banco em que disse que o investimento do grupo em Portugal é de longo prazo. Leia Também: China descobre várias jazidas de petróleo (de grande e médio porte)



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