Governo vai continuar “estratégia” de redução de impostos

“Se a pergunta é se nós vamos continuar essa estratégia, vamos, porque essa estratégia é uma estratégia virtuosa, que faz refletir na vida concreta das pessoas mais renda fruto do seu trabalho”, afirmou. Luís Montenegro falava durante o debate quinzenal, na Assembleia da República, em resposta ao CDS-PP, que questionou se o Governo “vai ou não continuar a reduzir a carga fiscal sobre os salários”. Em seu discurso, o líder parlamentar do CDS-PP afirmou que o Governo “já está mesmo a reduzir os impostos sobre as famílias portuguesas”, nomeadamente no que toca aos rendimentos do trabalho, e referiu que nos últimos dias houve “duas confirmações oficiais”. Citando a Autoridade Tributária, Paulo Núncio afirmou que “em 2024, os rendimentos declarados pelas famílias portuguesas aumentaram 10%, mas a tributação efetiva sobre esses rendimentos reduziu-se em 1,2 pontos percentuais, ou seja, em 2024 os portugueses ganharam mais, pagaram menos IRS e, por isso mesmo, a carga fiscal sobre o trabalho começou a reduzir-se logo no primeiro ano de governação da AD”. “A OCDE publicou recentemente um relatório justamente sobre a carga tributária sobre o trabalho e os resultados também não poderiam ser mais claros. Em 2025, pelo segundo ano consecutivo, a carga tributária sobre o trabalho em Portugal voltou a cair”, ressaltou. O deputado do CDS-PP disse que na Espanha “a carga tributária sobre o trabalho voltou a subir” e criticou os partidos de esquerda, que considerou estarem “absolutamente fascinados com a política fiscal de Pedro Sánchez”. E questionou se eles querem “uma carga tributária à espanhola mais alta e subindo ou quer uma carga tributária à portuguesa mais baixa e caindo”. Na resposta, o líder do executivo assinalou que, de acordo com o relatório referido pelo CDS-PP, conhecido na semana passada, “Portugal foi um dos quatro países da OCDE onde o peso dos impostos e contribuições sobre os rendimentos do salário se reduziu em 2024 e em 2025”. “Não estamos mais entre os primeiros, estamos nos últimos, nos que têm menos carga tributária”, afirmou e considerou que esse foi o motivo para os partidos não terem trazido o assunto para o debate quinzenal. Luís Montenegro feriu também que muitas vezes os deputados confundem “receita tributária com carga tributária e, sobretudo, receita de impostos com a carga tributária de impostos”. “A carga tributária dos impostos era, em Portugal, de 24,9% em 2023, passou para 24,5% em 2024 e em 2025 e a nossa estimativa é que possa ser de 24,1% em 2026. É verdade que, circunstancialmente, a parte contributiva aumentou porque aumentaram os salários, foi sobretudo por via desse efeito”, indicou. Paulo Núncio também defendeu que o país “exige reformas” e que “quem não quer reformas e não deixa reformar, acaba aposentado”, aproveitando neste ponto para cumprimentar o ex-secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, pelo retorno ao parlamento, que não estava no hemiciclo naquele momento. E questionou Luís Montenegro se acredita que a oposição vai “superar o imobilismo e aprovar as reformas que o país precisa”. Na resposta, o primeiro-ministro disse acreditar que os partidos de oposição participarão desses processos por uma questão de interesse nacional. Leia Também: BE acusa Governo de atacar trabalhadores, Montenegro critica “Geringonça”



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