Chairman da TAP antevê “verão seguro” sem previsão de falta

“A TAP tem estado a acompanhar com muita atenção e de uma forma diária todas as dinâmicas do mercado. As informações que temos (…) é de que em Portugal não há previsão de haver uma indisponibilidade de combustível e que, portanto, o verão estará seguro”, afirmou, ao ser questionado pela Lusa sobre a posição do Governo, de não antecipar, para já, cancelamentos de voos na TAP devido aos limites de ‘stock’ de combustível para a aviação. Carlos Oliveira frisou, no entanto, que tudo “dependerá de como a situação evolui, sabendo que a TAP, obviamente, opera de muitos aeroportos no mundo todo e, portanto, não depende apenas da disponibilidade em Lisboa”. “O que sabemos é que essa situação geopolítica está trazendo muitas complexidades em termos de ‘jet fuel’, seja de potencial disponibilidade, seja de custo”, acrescentou, em declarações aos jornalistas, sublinhando que a Comissão Executiva da companhia aérea está a acompanhar diariamente os novos desenvolvimentos e a gerir a situação em conformidade. Na semana passada, o ministro das Infraestruturas garantiu que o governo tem mantido contato com as petroleiras sobre os limites de ‘estoque’ de combustível para aviação nos aeroportos nacionais, não antecipando, neste momento, cancelamentos de voos na TAP. “É um problema internacional e à escala europeia, que estamos a acompanhar de perto e queremos garantir que nada falhe nos próximos meses a esse respeito”, começou por explicar Miguel Pinto Luz em resposta aos jornalistas à margem da apresentação do balanço do passe ferroviário verde na estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Instado a comentar se pode haver cancelamentos de voos na TAP, ele respondeu: “Como devem calcular, não vou antecipar”, mas “acreditamos que não, acreditamos que a oferta continuará garantida”. Carlos Oliveira está fazendo sua primeira visita oficial aos Estados Unidos como ‘chairman’ da TAP, em um périplo que começou na cidade de Boston, seguido por Newark e que incluirá também Washington. O objetivo da viagem, disse, é mostrar a importância que os EUA têm para a TAP, sendo esse o mercado que “mais que cresceu em termos de assentos disponíveis nos últimos cinco anos”. “No nosso plano estratégico para os próximos 10 anos este é um mercado com um nível de crescimento importante. Temos lançado bastantes rotas. Este ano vamos abrir uma nova que é Lisboa-Orlando, além de um conjunto de outras rotas já disponíveis. Portanto, neste momento, para o verão, estamos com 101 voos semanais para a América do Norte, operando em oito cidades dos Estados Unidos e mais duas do Canadá”, explicou. “Temos também o voo Porto-Boston que era sazonal, funcionava só durante o verão, e que vai passar a funcionar todo o ano. Com isto queremos entregar melhor conectividade aos nossos passageiros, muito em particular também às comunidades portuguesas que estão nos Estados Unidos, seja nesta costa (leste), seja na outra costa (oeste), e dar-lhes uma boa conectividade a Portugal e também à Europa”, defendeu Oliveira. Na viagem aos Estados Unidos estão agendadas reuniões com parceiros e representantes institucionais, para a companhia tentar entender as dinâmicas do mercado norte-americano, que representa hoje cerca de 25% da receita da companhia, segundo dados fornecidos hoje pela TAP. Carlos Oliveira garantiu que a “TAP está bem e recomenda-se” e como prova disso apontou para o interesse que tem sido demonstrado por grandes grupos europeus. “A TAP está bem e é recomendada. (…) A TAP vem de um período complexo, de um programa de reestruturação que é conhecido, está saindo desse programa de reestruturação e agora tem uma plataforma muito interessante para a próxima fase, que é uma fase de crescimento”, disse. “Sobre a questão da privatização, acho que podemos tirar algumas conclusões sobre se a TAP se recomenda ou não, não nas nossas palavras, mas também pelo interesse que tem sido demonstrado pelos grandes grupos europeus na TAP”, concluiu. Air France-KLM e Lufthansa estão na corrida pela privatização da TAP, depois que a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não avançou com uma proposta. O governo quer vender até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% para um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, em um processo em que serão levados em conta preço, plano industrial, conectividade e capacidade financeira do comprador. O executivo espera concluir a venda este ano, admitindo tomar uma decisão no Conselho de Ministros no final de agosto. Leia Também: Concorrência notificada da venda da Cateringpor pela TAP para a Gate Gourmet



Publicar comentário