Spoofing. Ligam-lhe a dizer que têm chamada sua? Faça queixa

Você já recebeu um telefonema de um número retornando o contato porque diz ter uma ligação sua, mas para quem você nunca ligou? Aliás, você nem conhece o número? Pode ser spoofing, técnica que consiste na falsificação de elementos de identificação – como o número de celular, mas não só – e que está aumentando em Portugal. Nesse caso, o golpista não é responsável pelo número que está ligando, mas o usa para ocultar e mascarar sua verdadeira identidade, graças a ferramentas tecnológicas que permitem modificar o número de origem que aparece no celular que recebe a chamada. “Em 2025, o número de reclamações diretamente recebidas sobre estas práticas ascendeu a 188, refletindo um aumento significativo da experiência dos utilizadores com este tipo de ocorrências. No segundo semestre de 2025, registaram-se 72% do total anual de reclamações. No primeiro trimestre de 2026, a ANACOM recebeu diretamente 75 solicitações relativas a spoofing, o que representa um aumento de 58 casos face ao período homólogo”, adiantou fonte oficial do regulador das telecomunicações ao Notícias ao Minuto. Aliás, a ANACOM já foi até alvo de situação semelhante: “Recentemente, em 6 de abril, a ANACOM tomou conhecimento e alertou os usuários da ocorrência de uma prática de spoofing que consistiu na falsificação do número de origem das chamadas, fazendo-as parecer provenientes do número 800 206 665, associado ao atendimento da ANACOM. Foram recebidas cerca de 60 reclamações nesse período sobre essa prática que visou a própria ANACOM”. O que é spoofing? Qual é o perigo? “Spoofing é uma técnica que consiste na falsificação de elementos de identificação, como o endereço de e-mail, o nome do remetente de uma mensagem, o número de telefone ou a URL de um site, com o objetivo de induzir o destinatário a acreditar que está interagindo com uma entidade legítima e confiável”, explicou a mesma fonte. Além disso, “ocorre quando o autor da chamada ou da mensagem falsifica deliberadamente a informação relativa à identificação da linha chamadora ou do remetente de uma mensagem, respectivamente, com o propósito de ocultar a sua verdadeira identidade e aumentar a probabilidade de o destinatário atender a comunicação ou interagir com o respectivo conteúdo”. “Essa prática pode envolver a falsificação de números de telefone de forma a aparentar uma origem legítima, incluindo o uso indevido de números associados a empresas ou entidades com vistas a aumentar a confiança do usuário na comunicação recebida”, esclarece a ANACOM. Também contactada pelo Notícias ao Minuto, a PSP esclareceu que os cidadãos devem estar informados e “agir com cautela perante qualquer chamada suspeita” para evitar as seguintes consequências: Roubo de informações pessoais e financeiras: “os burlões costumam recorrer à falsificação de chamadas telefónicas para obter dados confidenciais, como números de conta, passwords ou dados de cartões de crédito. Com essas informações, podem realizar transações fraudulentas ou usurpar a sua identidade para cometerem outros crimes ou até realizarem contratos com encargos para as vítimas”; Prejuízo: “ao cair na armadilha dos golpistas, você pode ser levado a fazer transferências de dinheiro ou pagamentos falsos, o que pode resultar em perda direta de fundos. Além disso, você pode enfrentar cobranças não autorizadas em suas contas bancárias ou cartões”; Falsificação de identidade: “os criminosos conseguirem informações suficientes, podem se passar por você para abrir contas em seu nome, solicitar créditos ou realizar compras, o que pode resultar em sérios problemas legais e financeiros, podendo causar sérios prejuízos pessoais, psicológicos e reputacionais para as vítimas”; Deterioração da confiança em empresas legítimas: “ser vítima de spoofing pode fazer com que você perca a confiança nas entidades que estão sendo falsificadas, como seu banco ou prestador de serviços, mesmo que elas não tenham culpa direta. Isso pode gerar frustração e complicações ao interagir com essas empresas no futuro”; Tempo e esforço para resolver o golpe/fraude: “recuperar seu dinheiro ou restaurar sua identidade depois de ser vítima de um golpe telefônico pode ser um processo longo, no entanto, é fundamental denunciar às autoridades policiais e entrar em contato imediatamente com seus gerentes de banco e outras instituições com as quais você compartilha dados pessoais”. Golpistas têm acesso a dados dos envolvidos? O regulador de telecomunicações explica que, “em muitos casos de spoofing, os atacantes não têm acesso aos dados associados ao número que usam como remetente, limitando‑se a falsificar o número apresentado ao destinatário da chamada ou da mensagem”. “Nesses casos, o número utilizado corresponde frequentemente a uma entidade reconhecida pelo usuário, justamente porque o golpista sabe que esse número será facilmente identificado, sem que isso implique qualquer relação entre o atacante e a entidade em questão”, esclarece. Porém, “noutros cenários, os atacantes podem ter previamente recolhido informação através de técnicas de engenharia social, de informação pública disponível na Internet ou nas redes sociais por exemplo”, sendo que, “nessas situações, o atacante pode saber antecipadamente que existe uma ligação plausível entre o número utilizado para spoofing e o número do destinatário, utilizando essa informação para tornar a burla mais credível”. “É importante destacar que, em geral, o spoofing não implica acesso às comunicações, aos dados pessoais ou às contas do titular do número falsificado, nem ao funcionamento das redes de comunicações eletrônicas”, conclui a mesma fonte. ANACOM está acompanhando, mas é preciso “alteração legislativa” No âmbito de suas atribuições de regulação do setor de comunicações, a ANACOM garante que “tem acompanhado esse assunto, para identificar as medidas de mitigação dessas situações”. A questão é que é preciso mexer na lei e só depois as operadoras terão possibilidade de fazer algo. “Verificando-se que a adoção de mecanismos adequados para combater esse fenômeno passa, em especial, pela necessidade de uma alteração legislativa que preveja medidas a serem adotadas pelas empresas que oferecem serviços de comunicações interpessoais baseadas em números acessíveis ao público, a ANACOM, no âmbito da assistência ao Governo no âmbito das comunicações, enviou ao Governo uma proposta de alteração da Lei das Comunicações Eletrônicas (LCE), aprovada em anexo à Lei nº 16/2022, de 16 de agosto, que prevê normas relativas ao combate às referidas práticas”, explicou o regulador. Só depois, “na sequência da entrada em vigor das medidas de combate ao spoofing que vierem a ser determinadas na LCE, a ANACOM, no exercício de suas competências, desencadeará as medidas correspondentes e assegurará a verificação do cumprimento das obrigações que daí decorram para as empresas que oferecem serviços de comunicações eletrônicas”. Você foi alvo de spoofing? Faça queixa O Notícias ao Minuto tem conhecimento de um caso em que um cliente da Vodafone reportou à operadora de telecomunicações ter sido vítima de spoofing e a recomendação foi clara: fazer queixa às autoridades – GNR, PSP e/ou Ministério Público. Essa também é uma das recomendações da ANACOM: os usuários devem sempre desconfiar, confirmar e só depois responder, mesmo quando um número parece verdadeiro: O Notícias ao Minuto pediu à PSP dados sobre o número de denúncias de spoofing, mas fonte oficial explicou que esse tipo de crime não é tipificado na legislação portuguesa, então não há números concretos: A PSP “não registra denúncias de spoofing, pois não há o tipo de crime legalmente previsto”, mas “há denúncias por Burla, em que o modus operandi se enquadra no spoofing”. (Notícia atualizada às 08h53) Leia Também: Atenção! Alerta para ligações fraudulentas com número da Anatel



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