Novo sistema de reciclagem ainda meio gás um mês após entrar

Novo sistema de reciclagem ainda meio gás um mês após entrar

No domingo, o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebida para reciclagem, chamado de “Volta”, completa um mês. A SDR Portugal – entidade gestora licenciada pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Direção Geral da Economia – para a implementação e gestão do SDR disse à Lusa que o mecanismo “arrancou de forma progressiva no passado dia 10 de abril com mais de 90% da rede de pontos automáticos Volta instalada em todo o território nacional”. Embalagens de bebidas (garrafas e latas, de plástico, metal ou alumínio, menores que 3 litros) com o símbolo do sistema – uma flecha em forma de ferradura e a palavra Volta – passaram a custar 10 centavos a mais. As pessoas podem ter os 10 centavos de volta se depositarem embalagens com o símbolo Volta, vazias, intactas, com tampa (no caso de garrafas), com código de barras legível em máquinas do SDR, que ficam próximas a supermercados. Segundo a empresa, existem 2.500 máquinas, mas espera-se que esse número se aproxime de 3.000. Apesar de as máquinas estarem instaladas, muitas das embalagens ainda não possuem o selo do Volta, e um período de transição está em vigor até 9 de agosto. Na semana passada, a Lusa constatou que a maioria das embalagens à venda em alguns supermercados da capital ainda não podem ser depositadas em máquinas Volta porque não têm o logotipo do sistema. No shopping Colombo e no shopping Fonte Nova as máquinas Volta são colocadas nos estacionamentos e os supermercados desses centros tinham mais embalagens sem o símbolo Volta do que com o logotipo. Maria Simão, 21, depositou 11 garrafas que os clientes deixaram em seu local de trabalho e recebeu R$ 1,10. “Os clientes não estão dando atenção a isso, ou seja, iam ser jogadas no lixo normal. Aproveitei e fui juntando as garrafas dos clientes e agora trouxe. Ou seja, nem me foi cobrado os 10 centavos, mas eu recebi o ‘voucher'”, contou. Ao lado da máquina Volta havia um caixote para embalagens de bebida rejeitadas pela máquina, que estava cheio com garrafas de água, caixas de papelão, sacos plásticos, entre outros materiais inadequados para o sistema. Um dos seguranças do shopping disse à Lusa que o caixote costuma estar cheio de embalagens que a máquina rejeita. Nos municípios de Oeiras e Amadora também se viam caixotes para as embalagens inadequadas ao lado das máquinas do SDR com dezenas de garrafas e latas porque as pessoas tentam usar o sistema, mas sem sucesso. Foi o caso de Carlos Monteiro, 53, que tentou usar a máquina pela primeira vez, mas a garrafa que usou foi rejeitada por não ser possível ler o código de barras. À Lusa o SDR admitiu que as principais dúvidas dos consumidores estão relacionadas com as condições de elegibilidade das embalagens, assim como o valor de depósito e formas de reembolso, localização dos pontos Volta e o período de transição. O SDR Portugal explicou ainda à Lusa em resposta escrita que em restaurantes, cafés e hotéis o sistema funciona de forma diferente dependendo do tipo de consumo. Nesses setores, quando o cliente paga apenas ao final da refeição, não deve ser cobrado o depósito de 10 centavos, exceto se a embalagem for levada pelo consumidor ou se estiver danificada. Nesses casos, o depósito pode ser cobrado. Quando o pagamento é feito antes do consumo, o valor do depósito deve ser cobrado do cliente e devolvido quando a embalagem for entregue em condições adequadas e, se necessário, mediante apresentação do comprovante de compra. Em uma ronda por cafés e restaurantes de Lisboa, a Lusa também verificou que eles continuam a funcionar sem o sistema. Alguns funcionários relataram que não cobravam 10 centavos porque ainda não tinham pacotes com o símbolo Volta para venda. Volta pretende reciclar 90% dos produtos atendidos até 2029. Leia Também: Cidadãos consideram sistema de embalagens positivo (mas pouco eficiente)

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